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sábado, 4 de janeiro de 2014

Sem Assunto


Olá. Feliz ano novo.

Fazem quase seis meses que eu não atualizo esta merda. Que vergonha. Devia ter deixado quieto e desistido. Mas, como eu sou brasileiro, eu não desisto nunca.

AHAHAHAHAHAHAHA.

"Não desiste nun… HAHAHAHAHAHAHA, puta merda, que hilário."

Pronto, acho que eu estava precisando dar umas risadas.

Enfim. Este blog. Sei lá, depois de uns dois meses sem atualizar, fiquei tentando forçar assunto, e não conseguia escrever nada. Daí desisti. Tentei de novo outras vezes, mas não rolava assunto.

Ou melhor, até apareciam assuntos, mas eu não conseguia ver propósito em escrever nada. Começava a me auto-boicotar e desistia.

Mas, sei lá porquê, hoje, dia primeiro de janeiro de 2014, uma e trinta da madrugada, me deu vontade de escrever. Pro blog.

Que eu não tenha parado de escrever, fiquei vivendo uma mentira deslavada onde eu escrevia algo. Um livro.

AHAHAHAHAHAHAHA.

"Ei, não é tão engraçado assim. Podem parar. Por favor."

Pronto, podem parar de rir também.

Não vou mais tocar neste assunto até segunda ordem. Vamos fingir que é que nem o verdadeiro Seymour Skinner, ok? Ok.

Enfim, chega de manha e mimimi (piada do link não é idéia minha, estou me apropriando, obrigado autor-original-desta-piada-você-sabe-quem-você-é). Vamos ao assunto deste post.

Que, por mais que ele se chame “Sem Assunto”, ele tem um assunto sim.

Ou melhor, vários. Basicamente, vou escrever tudo o que me vier na telha, celebrando a virada de ano e lembrando este ano que se vai. Vamos lá:

  • Este ano tem copa. Estarei torcendo de verdade para uma final Brasil x Argentina, com a Argentina campeã. Continuarei torcendo, em seguida, para que surja uma revolta tão grande na população que os protestos decorrentes desse desastre consigam destruir um dos maiores símbolos de corrupção e coronelismo do Brasil, a CBF. Se bem que, no fundo, o principal motivo é pela piada. Que ia ser hilário. Argentina campeã. No Brasil. Não fica melhor que isso.

  • Ainda falando de futebol, vocês sabiam que a maior torcida “específica” de futebol do Brasil é “Nenhum”? Sério. Explicando melhor: Se considerarmos a torcida de cada clube do país, separadamente, e considerarmos as pessoas que não têm time como uma torcida, a maior torcida do Brasil é “Nenhum”. Vou extrapolar um pouco e afirmar que a maior torcida de futebol do Brasil é "Não gosto de futebol". Desde que eu descobri isso tenho pensado em criar uma coisa chamada “Não Gosto De Futebol Clube”, que seria o time para as pessoas que não gostam de futebol dizerem que torcem. Imagino que seria o pastafarianismo do futebol, se é que vocês me entendem. Uma piada-crítica.

Logo que eu criei em meia hora. Cinco minutos pesquisando vetores prontos, cinco montando eles no Illustrator e vinte me martirizando por não saber medir o nível certo de breguice necessária. Se alguém com mais capacidade quiser fazer um melhor, por favor, vá em frente.

  • Ainda sobre esportes, não sei explicar porquê, mas ver as notícias sobre o Schumacher em sites ““““““sérios”””””” como o UOL chamando ele de Schumi me dá vontade de chutar o monitor. Soa como se estivessem tratando ele como uma aidoru, a Schumi-chan.

Bons pesadelos para vocês também.

  • Mudando de assunto, uma coisa que todo final de ano eu fico retardadamente obcecado e profundamente irritado e é algo completamente estúpido são as listas de “melhores games do ano”. Eu até consigo entender, num nível racional, que é só a opinião de um grupo de ““““““““““jornalistas”””””””””” de games que trampa num site qualquer, mas ainda assim eu me irrito com certas escolhas. Ou certos jogos que deixaram de ser escolhidos. Normalmente é a segunda opção. O pior é que, muitas vezes, eu começo a torcer para jogos que eu nem joguei. Por exemplo: “The Last of Us”. É o jogo não-Nintendo que eu estou, sinceramente, torcendo para ganhar todos os prêmios, a não ser que seja para perder para Super Mario 3D World ou The Legend of Zelda: A Link Between Worlds. Só que eu não joguei TLoU (mas joguei Mario e Zelda, obviamente). Ele sequer é o tipo de jogo que me atrai muito. Sei lá, acho que se leva a sério demais, e é muito marrom e cinza. Nesse sentido, acho até que eu devia torcer para “Bioshock Infinite” (outro que não joguei), já que ele tem alguma paleta de cores. Só que TLoU é uma série nova, que assumiu certos riscos e tem uma proposta que consigo admirar num jogo. Só por isso, torço para ele. Ou para “The Stanley Parable”. Ou “Papers, Please”. Outros que não joguei.

  • Tendo dito isto sobre Mario, Zelda e TLoU, o melhor jogo que eu joguei neste ano que se passou foi “Fire Emblem: Awakening”. Ele é muito “o jogo feito para o Vitor”. Estratégia de turno com elementos de RPG e onde é possível casar com os personagens e criar relacionamentos entre eles? E ainda por cima o jogo não se leva a sério, tendo diálogos leves e bem-humorados, mas trabalhando as relações dos personagens de tal modo que cria episódios altamente emotivos? Melhor jogo de todos os tempos.

  • Depois de falar de um jogo que gostei para caralho, um que me decepcionou horrores: “Tales of Xillia”. Como já falei antes, uma das minhas séries de games favoritas da vida é Tales. E “Tales of Xillia” tem tudo o que eu gosto na série: combate em tempo real, gráficos cel-shading imitando anime, personagens tontos porém adoráveis e uma história apocalíptica exagerada, épica e absurda. Só que tem um enormantesco problemaço: a história da Milla. Seguinte: alguém teve a fantástica (sem sarcasmo) idéia de fazer um Tales com dois personagens principais (o Jude e a Milla) e permitir ao jogador escolher qual ponto de vista ele quer seguir na história. Fantástico. Brilhante. Porém, alguém esqueceu de ESCREVER A PORRA DA HISTÓRIA DE MODO A FAZER COM QUE OS DOIS PONTOS DE VISTA FUNCIONASSEM DIREITO. O que eu quero dizer com isso é que eles escreveram a história pensando no Jude e depois ficaram inventando adendos e apêndices para costurar uma pseudo-história para a Milla. Tanto é assim que um personagem secundário morre e você, pobre jogador que resolveu escolher jogar sendo a Milla, só descobre isso ATRAVÉS DE UM RECORDATÓRIO. Sendo que tem a cena da morte de tal personagem na história do Jude. E adivinhem com quem resolvi jogar? Exato. Logo, toda vez que acontecia alguma coisa na história que era muito descaradamente um tipo de tapa-buraco para fazê-la funcionar do ponto de vista da Milla, eu ficava irritado. O que foi, mais ou menos, 87% do tempo.

  • Continuando com coisas que me decepcionaram, concluí que o filme que mais desgostei em 2013 foi mesmo “Man of Steel”. Já falei sobre isso, mas devo acrescentar que pensei mais de uma vez em expandir o que escrevi com mais críticas (o começo, em Krypton, ao contrário do que eu falei, não é bom. É uma bosta). Nossa, como esse filme é lamentável. Num ano que teve (e eu assisti) “A Good Day to Die Hard” e “Star Trek: Into the Darkness”, eu encontrar algo pior é uma proeza. Parabéns, “Man of Steel”.

  • Se bem que eu não vi “After Earth”. Acho que mesmo eu tenho um mínimo de senso de auto-preservação.

  • Tendo dito isto, o meu filme favorito do ano, foi, disparado, “Pacific Rim”. Robôs gigantes lutando com monstros gigantes. Minha criança interior chorou de emoção o filme inteiro. E, antes de me julgarem, lembrem-se que eu gosto de coisas que não se levam a sério. E meu filme favorito da vida é “Wayne’s World”.

  • Ainda lembrando este ano que se foi, voltei a assistir anime, e tenho uma recomendação: “Kill la Kill”. Da mesma “escola” que “FLCL” e “Gurren Lagann”. É espetacularmente sensacional. E, como não podia deixar de ser, não se leva a sério.

  • Saindo um pouco de assuntos nerds e indo para um dos últimos assunto que tratei neste blog antes do meu hiato, uma coisa que têm me irritado desde o início dos protestos: o termo “coxinha”. Não faz sentido. Não. Faz. O. Menor. Sentido. Para começo de conversa: é uma comida popular. Se ainda quisessem chamar a elite conservadora de “caviar” ou “foie-gras” ou ainda “escalopinhos de vitela wagyu ao molho de cogumelos silvestres com vinho rosé e salpicados de ervas finas”, tudo bem, mas “coxinha”? Vai se foder. E sim, eu pesquisei a origem (afinal, como é difícil procurar as coisas no Google), e dentre as várias que encontrei (aparentemente não há um consenso) a mais repetida origina ela do termo “vale-coxinha” usado por policiais (e professores públicos) para designar o vale-refeição que recebiam do governo. Ou seja, era algo para simbolizar a miséria do trabalhador brasileiro. Enfim, com o tempo, o apelido de “coxinha” pegou nos policiais, já que eles, teoricamente, só se alimentavam de coxinha. Com os seus vale-coxinha. E, como a elite intelectual esquerdista brasileira é muito esperta, ela afiliou o apelido dos policiais ao conservadorismo direitista. Por que isso faz sentido, aparentemente. Lição de casa do dia: refletir sobre o papel da polícia (tanto o teórico quanto o que ela realmente exerce no Brasil) e se ela necessariamente representa a “direita”. Valendo ponto no boletim.

E assim, eu aqui nomeio pessoas de esquerda de "brioches", porque contexto histórico que se foda.

  • Já que estamos falando de coisas sérias e política e etc e tal, este ano tem eleição. Provavelmente vou dizer para mim mesmo que vale a pena estudar os candidatos e fazer um voto consciente, provavelmente vou desistir no meio do caminho e votar em qualquer coisa mesmo. Na verdade, acho que minha maior curiosidade é ver o quanto o desempenho do Brasil na copa vai influenciar a campanha dos políticos. Quero acreditar que somos melhores que isso, mas não duvido que apareçam comerciais como “Dilma trouxe o hexa” no caso de vitória e “Dilma humilhou o futebol brasileiro” no caso de derrota.

Pronto, acho que está bom. Fechei um círculo, voltando a falar da copa. E também tô cansado e agora realmente acabou o assunto. Quero ir dormir.

Bom ano pra vocês.

terça-feira, 22 de maio de 2012

O problema da liberdade de expressão são as pessoas burras

Vamos ser elitezinha cultural paulistana e começar o post citando Evelyn Beatrice Hall, biografista de Voltaire, com a frase que ela usou para ilustrar as crenças dele, que é comumente e erroneamente atribuída ao próprio Voltaire, ou, se você ouvir de um americano, a Thomas Jefferson:

“Não concordo com uma palavra que dizeis, mas defenderei seu direito de dizê-las até o fim.”

Bonito, né?

Funciona bem para mostrar o princípio da liberdade de expressão: Todos têm o direito de falar o que acreditam.

Eu queria ser um ser humano superior e acreditar nisso.

Queria poder ser forte e tornar essa frase, ou melhor, as crenças de Voltaire e da liberdade de expressão, parte da minha filosofia pessoal.

Mas eu não consigo.

Eu simplesmente quero proibir uma série de pessoas de abrirem a boca.

Porque tem muita gente muito burra no mundo.

Não estou falando de pessoas que não tiveram acesso à escola porque tinham que ficar trabalhando numa plantação de iPhones ou numa fábrica de soja transgênica, então esfria as tetas um pouco, esquerdistinha-de-merda-que-estudou-ciências-sociais.

Estou falando de pessoas que se esforçam e se dedicam em serem ignorantes.

Caralho.

Muito ódio. Muito ódio mesmo.

Sério, eu virava chefe da Interpol, fazia o Google e o Facebook me darem as informações de todos que eu classificasse como “cronicamente burros” e ia na casa de cada um desses filhos da puta asfixiar eles com um saquinho plástico, levando-os para o avião-centro-cirúrgico da Interpol e, de algum modo, impossibilitava os imbecis de terem filhos. Vasectomia, ligação de trompas, sei lá. E em seguida largava o tonto no meio do deserto de Góbi ou o de Atacama, o que fosse mais longe da casa do infeliz. Basicamente, eu faria o que a Seleção Natural falhou. Iria chamar isso de “Seleção Vitoriana”, em homenagem à rainha Vitória.

Só que toda vez que me “baixa o Hitler”, eu tento ao máximo dar uma parada, tomar um café, respirar fundo e ver se não estou só sendo prepotente.

Prepotente, eu? Imagina! Gostou da decoração da minha sala?

E, depois de muito pensar e reescrever o início deste post, cheguei a algumas conclusões.

A primeira gira em torno da semântica da coisa toda. Vamos começar definindo três conceitos: inteligência, ignorância e burrice. E, como já é praxe neste blog, vamos ignorar um pouco o dicionário.

Primeiro, definir o que é um indivíduo inteligente. Vou continuar bancando o intelectualóide e usar conceitos de pessoas mais inteligentes que eu como se eu realmente entendesse eles, mais especificamente a filosofia de Sócrates com pitadas do método científico.

Ou seja, “Só sei que nada sei” como ponto de partida, que, para mim, pode ser explicado como “não sabemos de tudo, sempre podemos aprender mais, e o que sabemos pode não ser definitivo”. A isto eu acrescento o que eu entendo como espinha dorsal do método científico: uma hipótese só pode ser verdadeira se houver alguma evidência empírica para prová-la. Ao encontrar novas evidências ou na ausência de qualquer evidência, a hipótese deve ser descartada e uma nova deve ser elaborada.

Logo, para mim, um indivíduo realmente inteligente é aquele que conhece as próprias limitações do momento (fugindo do efeito Dunning-Kruger) e está sempre disposto a aprender algo novo e a rever seus próprios conceitos ao encontrar novas evidências empíricas.

Sim, estou sendo bem limitador nessa definição (eu não me encaixo nela, me tornando um não-realmente-inteligente), mas acho que é poética o bastante. Sem contar que posso usar a cartada “inteligência específica”, no sentido de que as pessoas podem ser inteligentes em certos aspectos e não-inteligentes em outros.

Segundo, esclarecer a diferença entre o indivíduo ignorante e o burro.

O ignorante, no dicionário deste blog, é aquele que não teve acesso a um determinado conhecimento. O burro, por sua vez, é aquele que, mesmo depois de ter acesso ao conhecimento, se recusa a mudar sua visão sobre determinado assunto.

Por exemplo, alguém que não sabe que a capital do Nepal é Kathmandu é simplesmente ignorante no assunto. E não tem nada de errado com isso, antes que algum de vocês, “sou-importante-demais-para-saber-a-capital-do-Nepal-logo-não-me-dou-ao-trabalho-de-aprender-isto”, se sinta ofendido. Vocês, agora, sabem a capital do Nepal é Kathmandu e deixaram de ser ignorantes no assunto. Pelo menos momentaneamente. Vou perguntar de novo semana que vem. Chamada oral. Valendo nota. E vai cair na prova também.

Seguindo essa minha lógica, todo mundo é um ignorante em algum assunto. Até o Stephen Hawking.

Agora, alguém que se recusa a entender que a capital do Nepal é Kathmandu, mesmo depois de apresentarmos todas as evidências, chegando ao ponto de levar o filho da puta até lá e fazer ele conversar com o presidente, esse sim é um burro.

Basicamente, o burro, para mim, é o infame “pior cego é aquele que não quer ver”.

O pior não é só a questão de não querer entender, é não querer fazer um mínimo de esforço pra entender. Algo como “se é complicado e não consigo entender, deve ser errado ou inútil”. Burro filho da puta.

Então.

Esses aí.

Esses que me irritam. Esses que me dão vontade de socar até dizer chega. Chutar até dar câimbra nas nádegas. Dar elbow drops até deslocar o úmero.

Eles que são o problema da liberdade de expressão.

Vejam bem, para a liberdade de expressão funcionar, ou melhor, para que possamos evoluir enquanto sociedade, nada mais importante que idéias entrando em conflito para assim desenvolvermos novos conceitos e etc.

Só que gente burra pura e simplesmente NÃO ESCUTA.

É um bando de escrotinhos de merda que falam o que bem entendem e depois tampam o ouvido falando lá-lá-lá-lá-lá.

De que tipo de gente será que eu estou falando?

Então, não importa o quanto tentemos trocar idéias, ou o quanto nos prestarmos a ouvir os argumentos dessa corja de estrume acéfalo, eles não vão ouvir o que não concorda com a opinião deles.

Eles que me fazem entender o fascismo e querer limitar a liberdade de expressão, fazendo com que esses burros parem de falar o que pensam. Principalmente porque gente burra tem a inacreditável tendência a acreditar em bobagem.

E existe muita bobajada no mundo.

MUITA.

Conceitos que já foram provados inválidos, histórias que já foram provadas falsas, religiões, etc.

Mas os burros insistem em acreditar. Em ignorar todos os fatos que provam o contrário, só pra se manter num estado de burrice confortável.

“Ah, então você quer fazer campos de concentração onde todos que você classificar como 'burros' deveriam ser eliminados da sociedade, é isso?”

Sim.

No fundo, sim.

Mas isso é inviável.

Até porque ia acontecer uma coisa “O Alienista” e eu ia ser obrigado a eliminar praticamente todos os seres humanos (incluindo eu) (provavelmente seria o segundo da fila, logo depois do Caetano Veloso). Talvez com algumas exceções, mas ia ser gente pra caralho.

E acho que é algo solucionável sem a minha já proposta “Seleção Vitoriana” e sem a imposição de um governo fascista/ditatorial com a minha liderança.

Quer dizer, acho que o governo ditatorial ia ajudar bastante, e a minha “Seleção Vitoriana” é logisticamente mais viável que a alternativa abaixo, mas vamos fingir que não, só pra parecer que eu me importo com os problemas éticos e morais dessas duas soluções.

Para sumir com as pessoas burras, basta ensiná-las a aprender.

Não sei como fazer isso. Mas essa é a idéia. Fazer com que as pessoas queiram saber e aprender mais, e tenham curiosidade de questionar e investigar o que não entendem.

Agora, como conseguir isso, eu não sei. Quer dizer, posso tentar fazer uma revolução e me tornar ditador, mudando completamente o sistema de ensino no mundo, mas já descartei essa opção.

Outra idéia seria vender isso como algo atraente. Usar a publicidade para uma coisa boa, pra variar. Fazer com que as pessoas (ou pelo menos as crianças) queiram ser inteligentes. Mostrar que isso vale a pena.

Sempre existe a opção “Ozymandias”, que é criar uma ameaça tão grande para a vida das pessoas que elas se vejam numa situação onde elas ou se tornam inteligentes ou correm o risco de morrer.

Também tenho a minha solução que envolve proibir certas opiniões, mas essa é mais complexa. Fica pra próxima, senão este post vai ficar excessivamente grande.

Quer saber, foda-se. Minha solução é: ensinar as pessoas a aprender. A trocar informações. A falar e ouvir. A pesquisar. Esse é o objetivo. Esse é o melhor jeito de sumir com os burros.

Os meios para alcançar isso são outros quinhentos.

Acho que vou começar um Kickstarter pra financiar minha revolução ditatorial. Talvez seja mesmo a única solução.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

A arte de "recoisar"

Sumi. De novo. Estava terminando Tales of the Abyss. De novo.

Eu avisei, não avisei? Que eu ia acabar Tales of the Abyss de novo? Pra ver o dungeon secreto (que, inclusive, é a porra do Abyss do título)? Era isso que eu tava fazendo, ao invés de atualizar o blog.

Gastei mais cem horas no mesmo jogo. Jogando ele de novo.

Acho que vocês já perceberam, mas sim, eu tenho um problema.

Eu basicamente tenho o QI de um Teletubbie.

Até poderia argumentar que a série Tales é pensada de modo a terminarmos os jogos várias vezes, com seus dungeons secretos e side quests que não dão pra completar na primeira vez que você joga. Existe, inclusive, um sistema de gastar sua “Grade” acumulada (após cada batalha, em Tales, você recebe uma “nota” baseada no seu desempenho na luta, medindo coisas como a quantidade de dano que você levou, o maior combo que você fez, etc) ao iniciar um jogo novo pra modificar algumas coisas no jogo novo (como ganhar o dobro de experiência, por exemplo).

Mas a real é que eu realmente gosto de “rejogar” (essa palavra sequer existe, pra se ter uma noção do probleminha da criança aqui) games, rever filmes e reler livros.

Tinha um colega meu da faculdade que falava que isso é perda de tempo, pois mal temos tempo em uma vida pra ver todos os filmes bons e ler todos os livros bons que existem, quanto mais perder tempo revendo eles.

Pode até ser, mas eu não consigo deixar de “recoisar” as coisas (cansei de ficar especificando as atividades por verbo).

Eu acabei Tales of the Abyss duas vezes. Ocarina of Time umas oito, em três plataformas diferentes. Li Senhor dos Anéis umas oito (sete antes de lançarem os filmes, depois deles, só uma) (sim, sou hipster de Tolkien). Vi a trilogia boa de Star Wars pelo menos seis vezes (se você não sabe qual é a trilogia boa, se mata). Já assisti cada episódio da primeira temporada de My Little Pony: Friendship is Magic umas três vezes (estou preparando umas maratonas solitárias da segunda, agora que ela acabou). Enfim, antes que isso vire uma competição (afinal, conheço alguém que viu o primeiro Harry Potter umas oito vezes no cinema - e não estou julgando, acho isso muito legal), melhor eu parar de me orgulhar da minha nerdice.

Ok, muito da minha “recoisagem” das coisas (eu sou MUITO culto) tinha a ver com falta de grana/acesso a coisas novas quando eu era moleque. Eu não conseguia comprar todos os jogos que queria, nem todos os livros, nem alugar todos os filmes, por isso ficava  “recoisando” (bacharelado em comunicação, a gente vê por aqui) o que eu tinha.

Mas não existe essa desculpa hoje em dia, ainda mais com a internet. Aliás, eu até tenho outro jogo de 3DS na fila, o Resident Evil: “Revelaitons” (se você entendeu esta piada, você é BEM nerd, ou sabe usar o Google), mas eu preferi postergar ele em favor de terminar de novo Tales of the Abyss.

Enfim, tudo isso pra chegar no ponto que eu queria: é muito satisfatório reviver experiências culturais.

Acho que todo mundo tem um filme/livro/game favorito que gosta de ficar voltando e “recoisando” (gostaria de agradecer a Academia Brasileira de Letras por todo o apoio). Nem que seja o famoso “se filme [insira nome de filme aqui] está passando na TV, páro tudo pra assistir ele”.

E não acho que essa atitude deva ser condenada, como meu colega de faculdade fazia. Sempre fico fascinado com a nerdice alheia, e “recoisar” (sobre a questão da ABL, “coisar” já é uma palavra que faz parte do vocábulário oficial dela - mais conhecido como a norma culta - mas “recoisar” não) obras culturais é algo admirável, do meu ponto de vista.

Acho muito legal que algumas pessoas consigam gostar de algo a ponto de querer reviver a experiência proporcionada pela obra em questão. Claro que é bom não exagerar, mas é divertido encontrar pessoas cujo escopo de conhecimento aprofundado vai além de tetas, futebol e Big Brother.

E existe uma vantagem em quem “recoisa” (ainda no assunto ABL, “estrupo” virou norma culta em 2011, busquem no vocabulário do site) as coisas, que elas acabam memorizando/percebendo melhor certos detalhes ou ainda enxergando certas entrelinhas que a pessoa que vive tudo só uma vez não percebe ou lembra errado. Aliás, uma coisa que me irrita profundamente é quem só coisou determinada obra uma única vez e fica afirmando como verdade algo que NÃO ACONTECE, ou esquece de passagens cruciais da história. Sim, estou falando de vocês, toscos, que esquecem a importância do Tom Bombadil na nomeação dos pôneis do Meriadoc. Bastardos.

Enfim, acho que estou me perdendo do ponto. De novo.

Queria poder dizer que esta também é uma crítica aos roteiristas de Lost, mas nunca assisti.

E eu realmente estou querendo evitar o final “auto-ajuda vazia” clássico, onde eu basicamente falo que é legal “recoisar” (sim, eu sei que eu estou escrevendo muito mais com estes parênteses do que se eu simplesmente especificasse os verbos, mas agora me empolguei com a piada) obras culturais, mas com a devida moderação.

Então vamos tentar isto:

Acho que “recoisar” (devo admitir que no meio do caminho me ocorreu a palavra “consumir”, mas achei mais divertido continuar coisando) coisas como filmes, livros games e outras “obras com histórias” nada mais é que nos dar um spoiler. E spoilers nos deixam felizes - com um ódio infinito do filha da puta que nos spoileou, mas felizes com o nosso futuro na Terra, afinal ele se tornou uma incógnita menor. Então, ao consumirmos a obra em primeiro lugar, nosso “eu do passado” dá um spoiler para o “eu do futuro” e assim nosso “eu do futuro” evita a raiva e toda a dúvida e a insegurança decorrentes de não saber se os Avengers ganham ou não no final.

Afinal de contas, o que levaria alguém a reler O Assassinato no Expresso Oriente senão pra conferir se a solução, onde o assassino estava escondido na despensa do vagão restaurante o tempo inteiro, realmente foi pensada desde o começo?

segunda-feira, 5 de março de 2012

Pau no cu do “Bom Selvagem”

Hoje o assunto é algo que me enche de raiva.

Sabem essa coisa que muita gente tem de achar que uma coisa é melhor só porque ela é “natural”?

Então.

Odeio isso.

Muito. Muito, muito mesmo. Fico com um certo mal-estar na região do estômago seguido de um arrepio nas costas e um princípio de tontura de tanta raiva. Daí eu tomo meu remédio.

Daí eu fico calminho, calminho...

Mas porque me irritar tanto com isso?

Existem três motivos.

O primeiro é muito simples: nada do que consumimos hoje em dia é livre do que podemos chamar de “contato humano”. Qualquer coisa que chega até você passou, em algum momento, por alguma interferência humana. Tudo. Da água tratada que sai da sua torneira até o creme hidratante de aloe vera escrito “100% natural” que você passa nas axilas toda manhã.

É até possível argumentar que a agricultura é uma intervenção humana na natureza, fazendo com que sua plantaçãozinha de hortaliças na área de serviço também seja “não-natural”, assim como os tomates “orgânicos” plantados numa fazendinha em Mairiporã e transportados de caminhão até o mercado.

Resumindo: a não ser que você esteja acessando este blog de uma aldeia que vive de caça e coleta, você não está fazendo nada de um modo mais “natural”. Aliás, só de acessar este blog você já não é mais tão natural assim.

Ou será que é?

Aqui entra o segundo motivo que me irrita com essa bosta toda: de certo modo, TUDO é natural.

Concreto? Natural. Penicilina? Natural. Chips de computador? Batata frita do McDonalds? Tetas de silicone? Tudo natural. No sentido de “da natureza”.

E o que faz isso tudo ser natural? A Seleção Natural.

A Seleção Natural é, digamos, a ferramenta que a natureza tem para determinar quais espécies sobrevivem, passando seus genes para frente, certo?

Acontece que, em algum momento da história do nosso planeta, a Seleção Natural selecionou (sim, eu sei, mas não consegui construir a frase de nenhum outro jeito) essa espécie de hominídeo como apto para sobreviver. Mesmo sem garras, presas, veneno ou qualquer outra vantagem. Só um teleencéfalo altamente desenvolvido e um polegar opositor.

Isso permitiu que essa espécie construísse coisas. Ferramentas. Armas. Roupas. E assim conseguisse se adaptar aos mais diversos ambientes.

E as coisas que essa espécie criou e construiu foram evoluindo com o tempo, melhorando, nos tornando ainda mais aptos a sobreviver neste planeta.

Ou seja, a Seleção Natural determinou que uma espécie capaz de construir e desenvolver ferramentas se tornasse o topo da cadeia alimentar e, basicamente, dominasse o mundo. Toda e qualquer criação humana faz parte da natureza, pois é um meio de nós nos adaptarmos e sobrevivermos.

Deu pra entender? De um ponto de vista evolutivo, o tomate transgênico, o tomate cultivado com agrotóxicos e o tomate orgânico são a mesma coisa: uma ferramenta desenvolvida pelos homo sapiens sapiens para sobreviver.

Logo, TUDO é natural.

TUDO!

E eu gosto muito de brincar com esse conceito, pensar que um espetinho de manteiga empanada é tão natural quanto uma alface é algo muito divertido.


O problema é que isso meio que “quebra” a utilidade da palavra “natural”, gerando um problema semântico.

Então vamos traçar uma linha onde a palavra “natural” separa as criações humanas daquilo que não houve interferência humana, ignorando o ponto de vista evolutivo, para que a semântica e a sociedade civilizada continuem funcionando, e ignorando as interferências de outras espécies no planeta, como represas de castores ou desmatamentos causados por formigas.

E porque a espécie humana é mais especial sim, pois é a nossa espécie.

Assim chegamos ao terceiro e principal motivo para eu ficar irritado com essa merdaiada de “natural”: Só porque uma coisa é “natural”, isso não quer dizer que ela é melhor.

Isso sequer quer dizer que ela é boa.

Sim, caí no básico argumento de que “veneno de cobra é natural”.

Mas é a realidade. Tudo na natureza quer te matar.

TUDO!

Ok, vamos começar de novo.

Só porque alguma coisa não passou por interferência humana não quer dizer que ela é boa. A quantidade de interferência humana não é, sob qualquer ponto de vista minimamente inteligente, um medidor de qualidade.

Uma maçã recém colhida do pé é tão gostosa e (dependendo do tipo e da presença ou não de vermes) tão saudável quanto uma barrinha de ceral sabor maçã. O que pode variar é o gosto de cada um. O fato de ser natural não influencia mais que “efeito placebo”.

Assim como uma bomba atômica pode matar tanto quanto um terremoto (como sou descendente de japonês, posso fazer essa comparação).

Acho que deu pra entender que a natureza pode ser tão mortal quanto o ser humano (descartando, novamente, o ponto de vista evolutivo previamente discutido).

Mas as pessoas ainda assim acreditam que uma coisa natural é melhor. Que a interferência humana piora a qualidade das coisas, não importa quanto mostremos que a expectativa de vida melhorou desde que descemos do galho.

E isso tudo é culpa de uma pessoa.

Desse grandessíssimo filho da puta do “Bom Selvagem”.

Puta que pariu.

Que ódio.

E todos vocês são filhos do Mitsumasa Kido! Porque isso faz sentido!

Antes de continuar, aviso vocês que nunca li Rousseau. Estudei um pouco na faculdade e no colegial, mas nunca me aprofundei. Resolvi pesquisar um pouco mais para escrever com propriedade, e descobri que o conceito de “Bom Selvagem” que me foi ensinado como a base da filosofia Rousseana é errado.


Me ensinaram que o “Bom Selvagem” é o Homem puro, que existiu sem ser corrompido pela sociedade. Algo como “o Homem é inatamente bom, a sociedade/a civilização o corrompe”.

Rousseau realmente acreditava que o Homem era bom por natureza, mas que o que o corrompia não era simplesmente “a sociedade” ou “a civilização”, mas “o orgulho”. Só com isso dá pra sacar que alguém não prestou atenção no livro do cara e saiu falando merda. E devo acrescentar que estou resumindo com minhas próprias palavras. Talvez, algum dia, leia Rousseau com mais calma e dedicação.

O problema é que o conceito errado do “Bom Selvagem” continuou no nosso subconsciente, um tipo de “culpa branca” por ter colonizado a terra desses índios inocentes e peladinhos. E esse "Bom Selvagem", do conceito errado, merece umas palmadas. Com uma daquelas raquetinhas de torrar mosquitos. Nas bolas.

Isso também tem uma forte influência da Bíblia, o Éden mágico e florido com seus animais falantes e folhas de parreira estrategicamente localizadas. Ainda vivemos numa sociedade judaico-cristã, então essa imagem de paraíso ainda é muito forte no nosso inconsciente.

Agora vem a mensagem do blog sobre esse conceito:


Até que demorou pra ter uma imagem com marca d'água neste blog...

Pessoas. Sério. O que vocês acham que criou a sociedade/a civilização? Satanás? Loki? Jesus? Papai Noel? Alguma outra entidade mágica genérica não-existente ligada a algum culto religioso?

NÃO, CARALHO.

Foram os próprios humanos. Foram os índios peladinhos. Há muito tempo atrás, é verdade, mas fomos nós.

E não criamos isso por esporte, ou só pra termos o que fazer entre a caçada da manhã e a bimbada do pôr-do-sol.

A civilização foi criada através de um processo longo e árduo para que nossa espécie sobrevivesse.

E ISSO É IMPORTANTE, PORRA.

Por mais que eu classifique 99% da raça humana como crônicamente estúpida (estou incluso nessa porcentagem), estou muito grato que estejamos vivos hoje. Porque é a minha espécie. Porque é o que eu sou. Um humano. Tonto.

E é por isso que eu fico estarrecido e emputecido com essa coisa de “natural é melhor”, porque para mim soa como “tudo o que permitiu a sobrevivência da nossa espécie é ruim, o que tenta nos matar é bom”. Isso é muito estúpido. Imensuravelmente burro. Georgelucasianamente retardado.

Me dá vontade de pisotear a cabeça de pessoas assim (atenção: spoilers no link).

Mas ainda assim isso perdura. Coisas como o movimento anti-vacina ou pessoas que destroem plantações de transgênicos. É revoltante.

Portanto, se depois de tudo o que eu falei, você ainda acredita piamente que o que é “natural” é melhor, me faça um favor: pare de ler este blog, desligue o computador e vá morrer no meio de uma floresta. Vai lá ver como nós só somos o topo da cadeia alimentar quando usamos o que criamos.

Agora, se este post te fez repensar seus conceitos de “natural”, mas ainda não sabe o que concluir disso tudo, aqui está alguém mais inteligente e influente que eu comentando sobre o “natural”. Ou melhor, vá pensar por si só, vá estudar, ler Rosseau, sei lá.

Só não me negue o que nos permitiu sobreviver.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A Nintendo e a falácia Highlander

Conforme prometido, retorno à Falácia Highlander, e começo com a aplicação dela à uma das empresas que mais gosto/venero/dou dinheiro no mundo: a Nintendo.

Não sei se é porque sou fã da Nintendo, mas sempre senti um certo ressentimento por boa parte dos fãs de games e da mídia especializada contra ela. Algo beirando o preconceito. Não importando o que acontecesse no mercado, seja o Wii batendo recordes de vendas, seja o 3DS tendo vendas aquém do esperado, era como se a Nintendo estivesse sempre errada. Pessoas acusando os produtos da Nintendo de serem fracassos mesmo quando todos os números demonstrassem o contrário.

O que eu faço com o meu salário todo mês

Enfim, não vou entrar nessa briga dos números no momento, nem discutir o real valor daquilo que a Nintendo trouxe para a indústria. Vou dissertar sobre o que me irrita nessa merdaiada, que é a filosofia que “se não é um game para mim, não é um game de verdade”. Por exemplo: “O Wii não é um console HD, logo ele não é um console desta geração.”

Bem, acho que os Baby Boomers que não ouviram Beatles ou Rolling Stones também não fizeram parte daquela geração. Tipo, eles vieram de uma fenda espaço temporal, não nasceram na época em que nasceram. Esses surdos interdimensionais não merecem a certidão de nascimento que possuem.

Ok, eu sei que o próprio presidente da Nintendo falou disso, e que, no fundo, essa divisão de gerações é mais usada como estratégia de marketing que realmente marcar uma época de lançamento dos produtos, mas ainda assim. Eu me irrito com essa coisa de desconsiderar o Wii nas discussões sobre a indústria só porque ele não é HD.

Ou um dos meus favoritos: “Não tem gráficos realistas, é pra criança.”

Fala isso para um fã do impressionismo (ou qualquer estudioso de arte contemporânea) pra levar um pedala nas oreba, vai.

Sim, eu sei que nesses dois argumentos existe uma questão tecnológica, mas também existe um lado econômico e um lado estético também.

Sabe, nem todo mundo tinha grana para comprar uma TV de alta definição, por isso fazer um console sem HD e bem mais barato funcionou.

Nem todo mundo quer viver num mundo marrom e cinza com luzes exageradas, algumas pessoas querem (ou melhor, conseguem) apreciar uma paleta de cores variada ou estilos artísticos mais complexos.

Nem todo mundo quer comprar o mesmo jogo de futebol todo ano. Nem todo mundo admite distorcer a mitologia grega para acomodar um marombado enfiando o pinto em todo mundo. Nem todo mundo quer ficar atirando em nazistas zumbis.

Algumas pessoas querem jogar boliche sem sair de casa. Ter momentos nostálgicos com o Mario. Juntar todos os dois trilhões de Pokemons. Ou ter certeza que o jogo que comprou para o filho de três anos não vai mostrar pra ele cabeças explodindo ou carros atropelando putas.

Nada contra esses jogos. Eu jogava GTA viciosamente pra PC quando ainda era em 2D. Já dei risada de cenas absurdas de God of War. E fiz N competições de International Superstar Soccer do Nintendo 64 na época da oitava série.

E, quando era mais moleque, também tinha meus preconceitos contra certos jogos. Até hoje tenho um certo aperto no estômago quando começam a falar bem de Final Fantasy (quem viveu a época Zelda vs FF sabe do que estou falando) e ainda tenho vontade de socar quem fala que o Sonic é melhor que o Mario (tenho três palavras pra vocês: Shadow The Hedgehog. I win.) ou quem tem a audácia de comparar Street Fighter com Mortal Kombat (só pra constar, vejo mais diferenças entre o Ryu e o Ken que entre todos os personagens de Mortal Kombat. É uma competição de rasteiras).

Mas (quero acreditar que) eu cresci. Percebi que eu gosto de games X e tem pessoas que gostam de games Y. E só tenho dinheiro pra comprar um console. E só tenho tempo pra jogar N games por ano. Então, quando vou comprar um console novo, vejo qual vai me divertir mais no meu escasso tempo. Por isso, compro consoles da Nintendo. Porque lá tem os jogos que eu mais gosto. Como Zelda, Mario e Pokemon. The end.

E outras pessoas chegaram à mesma conclusão. Assim como muitas outras preferiram jogar Gears of War, God of War ou War of War. Não é preciso haver apenas um tipo de jogo, não existe apenas um tipo de gamer. Tem espaço pra todo mundo, crianças.

Aliás, esse é o problema. Crianças. A Nintendo sempre foi acusada de ser “infantil”, com suas cores vivas e personagens estilizados. Acho que isso tem muito a ver com o fato de que a Nintendo era uma empresa de brinquedos (entre outras coisas) quando entrou no mercado de games, enquanto que seus principais concorrentes vieram do ramo de tecnologia e gadgets, coisas “adultas”.

Agora é a hora que eu meto o dedo na ferida.

Procurar imagens de "feridas" no Google me traumatizou pra vida

Videogames são brinquedos.

De novo.

Videogames. São. Brinquedos.

E, o mais importante dessa afirmação vem agora:

Brinquedos não são só para crianças.

De novo, de novo, de novo:

BRINQUEDOS NÃO SÃO SÓ PARA CRIANÇAS.

Não sou o Michaelis nem o Aurélio (o Houaiss é bloqueado), esses velhos desatualizados, mas aqui no meu blog eu sou mais que isso, sou o Lorde da Semântica Absoluta, então eu digo: brinquedo é todo e qualquer objeto, lúdico ou não, que pode ser utilizado por pessoas de qualquer idade com a finalidade de brincar e se divertir.

Bola de futebol da Nike oficial do Barcelona? Brinquedo. Asian Ball-Jointed Dolls? Brinquedo. Sportsheets Door Jam Sex Sling? Brinquedo. Marcador permanente e parede branca? Colher e brócolis? Saco de farinha? Brinquedo, brinquedo, brinquedo.

Videogame? Brinquedo também.

Mas esses “adultos” que nos cercam com suas regras do que é certo ou não, o que é educado ou não, o que é pra criança ou não, só querem continuar vomitando suas regras e nos impedindo de nos divertir.

O pior é que esses “adultos”, na minha opinião, tem a maturidade de um moleque de 14 anos.

No final das contas, essa birra toda contra a Nintendo pode ser resumida em “Angústia Adolescente”.

Portanto, molecada, aqui vai uma lição do tio Vitor:

Ouçam com atenção ao tio Vitor.

Cara! Nem tudo que você gosta tem que mostrar que você cresceu ou que você é macho pra caralho o tempo inteiro!

Mas, quando você é adolescente e está tentando encontrar seu lugar no mundo (uma vez que ninguém te entende), você busca símbolos que reafirmem a identidade que você quer para si (tô me achando o tio Freud agora, te contar). Assim, games deixam de ser só um hobby ou uma distração, se tornam um meio de expressão de si mesmo.

O problema é quando “contaminam” o seu meio de expressão. Com garotas. Ou crianças. Ou pior: seus pais.

Daí o ódio contra a Nintendo. Ela teve sucesso em atrair outros públicos. Ela contaminou o meio. Fudeu com tudo. Deu um DS pra mamãe treinar o cérebro.

Ou, como outros gostam de argumentar, a Nintendo não cresceu. Continuou focando no público infantil com coisas como Pokemon e Mario. As duas franquias de games que mais venderam na história (um download não é necessariamente uma venda, caso alguém queira discutir este ponto comigo). Obviamente, para terem conseguido chegar nesse ponto, só crianças compraram os jogos.

Sabe, chega de dançar em volta do assunto. Vamos ao que interessa:

Molecada, hora de crescer e aceitar que existem outras pessoas no mundo, e existem empresas que vendem para essas pessoas. Larguem a mão de ficar achando que tudo que não têm músculos ou armas ou gráficos realistas é idiota - simplesmente não é pra você. Cala a boca e me deixa jogar Kirby, essa explêndida e mui magnífica bolota rosa, em paz.

Puta que pariu.

Agora, se você ainda acha que games de verdade são só de um tipo ou só para um determinado público, ok. Você está no seu direito. Você acredita na Falácia Highlander.

Assim como eu estou no meu direito de qualificar vocês como “criancinhas retardadas”.

Que diferentemente de crianças excepcionais, que merecem todo o amor e carinho do mundo, vocês precisam é de umas boas palmadas. Do mundo real.