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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Jessica Jones, uma super-heroína

Olá. Faz tempo que não escrevo aqui, não? É que o blog sobre games tem consumido todo meu tempo livre para escrever nos últimos tempos (tenho um blog sobre games, aliás, visitem-no).

Mas surgiu um assunto que eu realmente quero escrever sobre e que não tem a ver com games, por isso aqui estou. Antes de começar, porém, alguns avisos:

1 - SPOILER ALERT! Se você não viu Jessica Jones e não quer spoilers, não leia este texto ainda. Não pretendo pôr muitos spoilers, na verdade, mas vão ter alguns inevitavelmente. Sem contar que o que é spoiler para alguns não é nada de mais para outros, então prefiro deixar avisado que vai ter spoilers de qualquer jeito.

2 - Outras pessoas, provavelmente mais inteligentes e com mais autoridade do que eu, já devem ter discursado sobre o tema deste post em diversos outros momentos da história da humanidade. Mas eu quero dar a minha mijadinha intelectual aqui para marcar como meu o território referente ao assunto, então me deixem em paz para falar disto.

3 - Não li Alias, a série em quadrinhos que inspirou a série no Netflix, então é bem capaz de eu falar alguma bobagem sobre a personagem. Na real, nunca fui muito de ler HQs de super-heróis em geral, o que tira ainda mais credibilidade do que eu vou dissertar aqui. Mas sou um grande fã dos filmes e séries de super-heróis que andam saindo (mais as da Marvel, mas tenho muita curiosidade em ver o Flash).

4 - Este post não é uma indireta específica para ninguém em especial, só para a Thaísa do RH. Então, se você não é a Thaísa do RH e sentir que este post é sobre você, desculpa, não era a intenção te ofender, espero apenas que este post te ajude a refletir. Agora, se você é a Thaísa do RH, você está claramente errada e eu estou certo.

Ótimo, chega de avisos, vamos logo para o assunto:

O(s) tema(s) de Jessica Jones




Jessica Jones é muito bom. Muito mesmo. Espetacular. Não me considero um grande crítico de obras audiovisuais, mas senti que todos os atores mandaram muito bem, que os roteiros eram fantásticos, que a fotografia ficou foda e que praticamente tudo funcionou. Eu até tenho algumas pequenas críticas para pequenos detalhes da série, mas vou deixar elas fora deste texto que elas não vão acrescentar muito aqui.

De qualquer maneira: eu gostei pra cacete da série. Mais até que do Demolidor, virou a minha série de TV não animada favorita de super-heróis (ainda tenho um carinho nostálgico muito forte pela série animada do Batman). E eu sei que não fui o único a adorar a série, pois vi muita gente, tanto críticos quanto pessoas normais (vocês entenderam o que eu quis dizer com esta comparação) falando muito bem da série.

Mas eu vi um certo discursinho surgindo sobre Jessica Jones que me irritou profundamente:

“Jessica Jones não é uma série sobre super-heróis, é sobre relacionamento abusivos/abuso sexual.”

Muito bem.

Então.

Seguinte.

Antes que alguém queira gritar na minha cara, deixem-me esclarecer o que me irrita nessa frase.

Comecemos com a segunda parte da frase: relacionamentos abusivos/abuso sexual.

Sim, este é um dos, ou melhor, é O Principal Tema de Jessica Jones™. Não tem nem o que discutir, o comportamento do Kilgrave é praticamente um espelho de um parceiro abusivo, se colocando como um tipo de salvador da Jessica, e tratando todas as merdas que ele fez (e ainda faz) como se fossem um mimo, um agrado, para ela, sem perceber como ele está sendo intrusivo, violento e escroto. E, vendo o stress pós-traumático da Jessica, não tem como não perceber os paralelos com vítimas reais de abuso. Sem contar que eles tiveram a coragem de ir até o ponto mais crucial e horrível desse tipo de história, que é a reação das pessoas ao redor. Ninguém acreditava no que tinha acontecido com a Jessica e com a Hope, pelo menos não até ter acontecido com eles mesmos. Sério, se você não percebeu que este era O Principal Tema de Jessica Jones™, assista de novo prestando mais atenção.

E, só porque eu sinto que tenho que admitir isto, percebi que eu mesmo já fiz ou pensei em fazer algumas das escrotices do Kilgrave. Fiquei com um certo nojo de mim mesmo em alguns momentos da série, pra dizer a verdade.

Tipo o porão do meu apartamento, onde guardo todas as fotos da minha namorada. Espero que ela nunca descubra.

Mas enfim, não sou alguém com a capacidade ou a autoridade de aprofundar sobre algo tão complexo quanto O Principal Tema de Jessica Jones™ (apesar de que vou retomar o assunto mais pra frente).

O que eu quero dizer com tudo isto é que não é a parte sobre relacionamentos abusivos/abuso sexual que me irritou na citação acima.

O que me irritou foi a desconsideração pelos super-heróis.

Que super-poderes e heroísmo são, sim, temas de Jessica Jones.

Super-poderes para dar e vender


Qual foi a parte onde um cara pega uma serra circular Bosch e tenta serrar o próprio abdome e não acontece nada que você não percebeu que demonstrava a existência de super-poderes na história? Ou a moça que pula facilmente até o segundo andar de um prédio? Ou o cara que controla a mente dos outros só falando?

Sério, Jessica Jones fica alardeando a presença de super-poderes na série como se não houvesse amanhã. Acho até que tem mais super-poderes por página de roteiro em Jessica Jones que nos filmes do Capitão América, e num deles tem o Agente Smith Elrond Hugo Weaving com uma cabeça vermelha como se fosse uma caveira viva. (Nossa, é daí que vem o nome dele nos quadrinhos, o Caveira Vermelha! Que coisa.)

Além disso, é a super-força da Jessica que alimenta um dos principais questionamentos da personagem, sobre ela se tornar ou não a heroína que a Trish quer que ela seja (sim, tem toda a questão dela questionar os próprios valores morais, assim como o sentimento de culpa por ter matado a Reva, mas convenhamos: sem sua super-força, ela não ia ficar se cobrando tanto sobre se tornar uma heroína) (pelo menos na minha opinião).

E, é óbvio, os poderes do Kilgrave, que só fazem a história existir.

O que eu quero dizer é: Jessica Jones não apenas possui super-poderes, super-vilões e super-heroínas, como super-poderes fazem parte das motivações dos personagens e da estrutura da história. Falar que a série não é sobre super-heróis é uma afirmação tola, para dizer o mínimo.

– Mas, Vitor, – diz uma voz vinda do RH – a pessoa que fez tal afirmação só estava querendo fazer uma hipérbole com o objetivo de chamar a atenção para O Principal Tema de Jessica Jones™, que é algo importante de ser discutido em cultura pop e na sociedade como um todo!

Ok. Tudo bem. Se tem uma coisa que eu sei muito bem como funciona, é o uso de hipérbole na internet com o objetivo de chamar a atenção e manipular um discurso. E, de fato, O Principal Tema de Jessica Jones™ é infinitamente mais importante do que super-poderes, tanto culturalmente quanto socialmente falando.

Mas isso não muda o fato que essa hipérbole despreza o valor dos super-heróis, e eu acho que fazer isso só ajuda a piorar a discussão em torno d’O Principal Tema de Jessica Jones™.

O valor dos super-heróis


Comecemos admitindo o óbvio: super-heróis, ou pelo menos o conceito moderno de super-heróis na cultura pop (porque, se perguntar pra mim, personagens mitológicos como Hércules, Isis e Jesus são super-heróis também), nasceram como uma diversão para crianças. As histórias eram simples, coloridas e fantásticas, valores considerados até hoje exclusivamente infantis (por mais que não sejam, mas isto é assunto para outro dia), deixando esse estigma nas histórias de super-heróis como coisa de criança. Por isso que quando sai uma obra mais adulta ou com temas mais sérios envolvendo super-heróis, uma das primeiras reações de quem não conhece o assunto é dizer que nem parece ou que não é uma história de super-heróis.

Só que acontece o seguinte: super-heróis não são uma coisa só para crianças. Faz tempo. Ou vocês acham que a bilheteria dos filmes da Marvel consistem apenas de pais levando os filhos pro cinema? Claro que não. Super-heróis conquistaram diversas pessoas, das mais variadas idades e origens.

A questão é que super-heróis, na minha opinião, vão além de ser um tema ou um gênero de história: eles podem ser um instrumento diegético. Ou seja, super-heróis podem ser utilizados como um elemento do universo como outro qualquer para passar seu tema principal, sem necessariamente ser o foco central da narrativa.

Vou tentar dar um exemplo do que eu estou pensando com outra coisa que eu sinto que pode tanto ser um tema quanto um instrumento diegético (guardadas as devidas proporções): guerras.

O que você considera um filme de guerra? Um que foca nos soldados? Um que relata a sobrevivência dos civis envolvidos? Nós devíamos ensacar todos os filmes que envolvem alguma batalha de algum tipo no mesmo gênero também? Guerra nas Estrelas é tematicamente parecido com Nascido para Matar?

Não. Claro que não. Por mais que existam trocentas histórias sobre guerras, o foco varia muito. As mensagens que essas histórias buscam passar variam muito. Em muitas, a idéia é simplesmente narrar a superioridade do lado vencedor (pensem nas epopéias clássicas), em muitas outras o objetivo é mostrar a dor e o sofrimento dos sobreviventes. Histórias de guerra podem tanto focar no egoísmo e no lado negro dos seres humanos, assim como podem mostrar o lado bom da humanidade, onde alguns fazem o que podem para salvar a maior quantidade de pessoas possível.

Super-heróis, para mim, podem ser o mesmo (novamente: guardadas as devidas proporções).

Posso criar uma história onde o foco é nesse indivíduo especial que obtém super-poderes e como seus super-poderes o deixam super-poderoso? Posso. Mas eu também posso criar uma história que trabalha os problemas do vício, como isso afeta a vida de uma pessoa, mesmo que ela tenha super-poderes. Uma história sobre preconceito e racismo, onde os indivíduos com super-poderes são excluídos da sociedade. Uma história sobre encarar a própria morte, ainda mais quando se tem super-poderes e você é um ícone para muitos. Ou mesmo uma história de assalto com elementos humorísticos onde o assaltante possui super-poderes.

Se depois de ver esta página, que é a melhor história já escrita sobre o Super-Homem,
você ainda não ver o potencial diegético de super-poderes, vai enfiar a cara na privada.

E, é claro, uma história sobre relacionamentos abusivos e abuso sexual, onde os super-poderes do estuprador funcionam bem como metáfora para os poderes que a sociedade dá para aqueles que estão em posição de superioridade e cometem abusos.

Deu pra entender porque Jessica Jones é, sim, uma história de super-herói, ou melhor, uma história de super-heroína? E que isso não diminui, em absoluto, a qualidade da série?

Vou presumir que vocês responderam “sim”, até para eu poder continuar o texto e trabalhar a outra parte da questão toda: a importância de uma história de super-heroína abordar o tema de abuso sexual e relacionamentos abusivos.

Apresentando O Principal Tema de Jessica Jones™ para quem mais precisa entendê-lo


Vou fazer a próxima afirmação sem ir atrás de dados estatísticos que a comprovem, mas imagino que não precisarei deles para estar certo: o principal público consumidor das histórias de super-heróis, historicamente falando, sempre foi masculino.

Não estou falando que não existiam consumidoras do sexo feminino, mas sim que a maioria era masculina.

Isso, infelizmente, gerou uma conseqüência um tanto desagradável: muitas histórias de super-heróis sempre tiveram um forte cunho sexista. Na verdade, agora que estou pensando, não sei dizer se o sexismo existente na maioria das histórias de super-heróis foi conseqüência do principal público consumidor ser homem ou se ele foi usado nas histórias justamente para atrair o público masculino. Provavelmente foi uma mistura das duas coisas, com uma pitada de “a sociedade em que vivemos é sexista”.

Acho que podemos acrescentar uma dose de “burrice crônica”
e “completa falta de noção” na conta.

A questão é: histórias de super-heróis não são aquilo que eu chamaria de igualitárias na questão de gênero (nem de raça e nem de orientação sexual, mas essa deixemos essas discussões para outro dia).

A situação está melhorando nos últimos anos, mas ainda têm muitos problemas para serem resolvidos, tanto do lado da produção quanto do lado dos consumidores.

Com isso em mente, posso voltar a falar de Jessica Jones.

Para começo de conversa, a personagem principal de Jessica Jones é uma mulher (dã). Mais do que isto: é uma personagem complexa, com forças, fraquezas, virtudes e vícios. Pode parecer estranho, mas ter uma mulher retratada como um ser humano complexo já é um feito por si só. E não é só ela, temos também sua irmã adotiva/melhor amiga e sua advogada, outras personagens femininas com uma profundidade maior que o pires rosa usado normalmente para personagens assim.

Em seguida, temos o fato que todas essas mulheres não são desnecessariamente sexualizadas só para prender a atenção da audiência masculina na base da ereção. Se alguém foi sexualizado na série, foi o Luke Cage (aaaaabs), e nem foi muito exagerado. Só um pouquinho.

Para finalizar, temos O Principal Tema de Jessica Jones™.

Novamente, não me sinto com a capacidade ou a autoridade para aprofundar o assunto, mas só quero lembrar que o modo como a nossa “civilização” trata o assunto é terrivelmente escrota e sexista: temos a horrível tendência a duvidar e culpar a vítima (tipicamente uma mulher) e a justificar e atenuar as motivações do criminoso (tipicamente um homem). Mas, como já falei antes, Jessica Jones soube trabalhar bem o assunto e escancarar a canalhice do abusador (Kilgrave), a dor e o sofrimento das vítimas (Jessica, Hope e mesmo o Malcolm e o Simpson, entre outros) e a atitude escrota das pessoas em volta (Jeri, Luke, Clemons, etc).

Resumindo: Jessica Jones é uma história que soube representar mulheres como seres humanos e não como objetos e ainda trabalhou de maneira inteligente e realista (mesmo com super-poderes) um assunto que possui um forte viés sexista na sociedade, passando uma mensagem feminista importantíssima para as pessoas pensarem e analisarem sobre si mesmas.

E isso tudo é ainda mais importante porque Jessica Jones é uma história de super-heroína.

Porque ela representa uma evolução das histórias de super-heróis.

Porque ela é outro passo importante na questão de representatividade nas histórias de super-heróis.

Porque ela atinge um público que nunca teve muito acesso a obras desse tipo.

Porque ela amplia e apresenta para mais pessoas o potencial desse instrumento diegético que são os super-heróis.

Tirar isso de Jessica Jones, tirar da série a classificação de “história de super-herói” não a faz melhor, apenas reduz a importância histórica dela dentro da evolução das histórias de super-herói.

Apenas a diminui.

Conclusão


Super-heróis, super-vilões e super-poderes não são uma coisa inerentemente incultas ou pobres (narrativamente falando), eles são um instrumento diegético que, nas mãos certas, funcionam muito bem para criar analogias e metáforas com o mundo real e, assim, refletirmos sobre ele.

Infelizmente, esse instrumento foi, por muito tempo, usado para criar narrativas com um forte viés sexista e focadas num público-alvo masculino.

Mas a situação está melhorando. Novas histórias estão surgindo e tendo um tom mais inclusivo e igualitário.

Histórias como a de Jessica Jones.

Não sei se esta série vai ser realmente um grande marco da evolução da representatividade feminina em histórias de super-herói, ou sequer se ela realmente vai fazer uma grande diferença cultural em como lidamos com O Principal Tema de Jessica Jones™.

Mas uma coisa eu sei: Jessica Jones é uma história de super-heroína feminista que aborda uma questão social séria.

Tirar qualquer parte desta afirmação serve apenas para tirar mérito da série ou demonstrar sua ignorância.

E me irritar. Vocês não querem me ver irritado.

E aí? Já estão com medo?

quinta-feira, 26 de março de 2015

Os três dias da marmota de Termina

Olá. Este era pra ser o segundo post deste enésimo reboot deste blog, mas o falecimento de Sir Terry Pratchett ganhou prioridade. De qualquer maneira, aqui está um post novo. Vamos ver onde vai dar.

Este post vai ser muito, MUITO específico, para uma parcela bem pequena de pessoas.

Pessoas que já jogaram The Legend of Zelda: Majora’s Mask.

Antes de continuar, um pequeno preâmbulo: não vou analisar profundamente a história ou babar efusivamente sobre o gameplay, como muita gente já fez por aí de maneiras muito melhores do que eu conseguiria. Também não pretendo elaborar uma preleção sobre o ranking de Majora’s no panteão de Zelda (terceiro melhor, depois de Wind Waker e Ocarina).

Meu objetivo é desenvolver uma idéia que eu tive de um desafio para o jogo e que eu propus para mim mesmo, tentei e consegui realizar cerca de 86% no remake pro 3DS.

Comecemos do começo, explicando desnecessariamente a premissa do jogo, uma vez que quem chegou até este ponto do texto provavelmente já jogou Majora’s: Link criança, depois dos acontecimentos de Ocarina of Time e dentro da timeline do Link criança, resolveu abandonar Hyrule para encontrar sua amiga Navi, que desapareceu. Acabou trombando com um skull kid usando uma misteriosa máscara de nome desconhecido e duas fadas, que roubaram a outra amiga que Link criança ainda tinha, a Epona (a égua dele, para quem desconhece) (em assunto não relacionado, roubar bicho de estimação devia ser crime hediondo com a punição de trezentas chicotadas nos mamilos duas vezes por semana pelo resto da vida) e a Ocarina of Time (tentei escrever em português, Ocarina do Tempo, mas parece tão errado, não sei explicar) (fico pensando se fãs de Final Fantasy se sentem assim com uma Pluma da Camada Inferior da Plumagem da Fênix). Para piorar, o skull kid transforma o Link criança em um deku scrub porque ele é cuzão assim, e foge em seguida, deixando uma das fadas, a Navi 2 Ciela Issun Tsundere Insuportável Tatl, para trás, já que o Link criança precisa de um tutorial ambulante, algum elemento visual para o Z-targeting funcionar e alguém para falar por ele. Logo depois Link criança transformado em deku scrub encontra o Happy Mask Salesman, e ele explica (SPOILER!!!) que a máscara do skull kid é a Majora’s Mask (FIM DO SPOILER!!!), uma máscara muito do mal e que se o Link criança transformado em deku scrub conseguir recuperar a Majora’s Mask, a Ocarina of Time e a Twilight Princess ele consegue ajudar o Link criança transformado em deku scrub a voltar a ser só o Link criança. Ah, e ele só dá três dias para o Link criança resolver tudo, que ele é um homem muito ocupado e tem um compromisso inadiável. Daí o Link criança transformado em deku scrub finalmente chega à Clock Town, no mundo de Termina, e a aventura começa pra valer.

Uma das primeiras coisas que descobrimos é que a lua está caindo e vai destruir o mundo, e um rápido cálculo de ∆t=∆d/Vm entendemos que a lua vai cair em três dias. Que coincidência. Outra coisa que aprendemos é que em três dias acontece o Carnival of Time (três dias de novo, quem diria!), e é quando a Clock Tower se abre e conseguimos chegar onde o skull kid está escondido. Enfim, depois desses três dias, se você faz tudo direito, chegamos com o Link criança transformado em deku scrub na torre (se você é bom mesmo, chega com um heart container a mais) e recuperamos a Ocarina of Time e tocamos a Song of Time (nossa, interessante como o tema de tempo é recorrente, imagino se é proposital), voltamos para a manhã do primeiro dia, quando chegamos pela primeira vez em Termina, e assim finalmente somos apresentados à mecânica de viagem no tempo e o ciclo de três dias, que é como o jogo funciona - resolva o que dá em três dias, toque a música, volte para o começo, reinicie o processo. Algumas coisas se mantém com você, como os ítens mais importantes (hookshot, arco, saco de bombas, etc) e as máscaras, mas todo o resto é resetado (rupees, flechas, etc).

Sim, é “Feitiço do Tempo” (Groundhog Day) em forma de videogame. E é muito bom pra caralho. Se você nunca jogou e chegou até aqui no texto, vai jogar. Se você já jogou, vai jogar de novo. Até recomendo a versão do 3DS, é relativamente melhor (mais fácil em alguns pontos, mais dinâmica em outros, mas não sem algumas irritações novas). Aliás, aproveita e vai ver o filme de novo, que é muito bom também.

Enfim, vamos ao que interessa: o desafio que me propus, diretamente inspirado em “Feitiço do Tempo”. Falando nisso, spoilers do filme.

O que libertou Phil (Bill Murray) do feitiço do tempo (tenho que dar o braço a torcer que o título em português funciona, por mais excessivamente explicativo que ele seja) foi, na minha percepção, ele ter largado a mão de ser um tosco e começado a se importar com os outros, culminando no dia do mega super ultra bom samaritano alpha plus mais mais, onde ele ajudou a maior quantidade possível de pessoas e se sentiu bem fazendo isso.

Meu desafio seria justamente esse: ajudar a maior quantidade possível de moradores de Termina num único ciclo de três dias e salvando o mundo em seguida.

Antes que alguém pergunte, não, você (o jogador) não ganha nada tentando fazer isso. Não muda o final, não há um sistema de achievements/trophies e seu pinto não aumenta de tamanho, nem o virtual nem o real.  E você só ajuda um monte de polígonos, não faz a menor diferença na vida de pessoas reais.

Mas ainda assim eu quis tentar fazer isso. Desde o original no N64 eu ficava meio incomodado que você podia fazer o último ciclo só cortando grama e dançando com o espantalho, sem ajudar ninguém, e ir salvar o mundo na noite do terceiro dia e tudo fica bem, porque você já resolveu os problemas dos diversos moradores de Termina em outros ciclos. Eu achava que devia fazer alguma diferença o que fazemos no ciclo final, quando finalmente vamos enfrentar a Majora’s Mask, que ele devia ter conseqüências permanentes para o mundo.

Enfim, depois que eu derrotei a Majora’s pela primeira vez (no remake do 3DS), decidi tentar fazer esse ciclo de três dias do mega super ultra bom samaritano alpha plus mais mais, ou ciclo da marmota, como resolvi chamar. E agora vou explicar tudo o que fiz e o que eu devia ter feito melhor, e se você quiser tentar também, aproveite para aprender com minha experiência.

OBS.: Eu vou agora entrar em detalhes do jogo, analisando diversos fatores dele e quem nunca jogou provavelmente vai ficar bem perdidão.

MUITO BEM. VAMOS LÁ.

Hora de abrir o Bomber’s Notebook (o do 3DS, que é bem melhor). Vou usar ele como base, uma vez que ele lista (quase) todo mundo que pode ser ajudado por você (e tudo que você ganha por ajudar eles). Coloquei ele aí do lado para dar uma idéia do que temos pela frente.

Primeiro passo: ver quem não precisa ser salvo.

Pode parecer que estou entrando naquela coisa horrorosa que algumas pessoas fazem de medir quais desgraças são maiores e quais merecem prioridade em relação às outras. NÃO É ISSO QUE ESTOU FAZENDO. AINDA. Vou fazer isso daqui a pouco.

Estou falando das pessoas que estão no caderno por me darem coisas mas que a nossa interação não faz nenhuma diferença para elas em termos de felicidade e realização pessoal.

Traduzindo: mini-games.

Que diferença faz para o dono do Shooting Gallery do pântano o Link criança ganhar o mini-game e/ou bater o recorde? Que diferença faz para o Keaton o Link criança acertar todas as perguntas? Nenhuma. Eles são mais felizes com isso? Provavelmente não. Nenhum deles comenta algo como “esperei minha vida toda por esse momento, quando um herói-menino vestido de verde viesse e batesse o recorde do meu estabelecimento.” Em alguns casos, como o Honey e a Darling e os irmãos castores, o Link criança ganhar o mini-game deixa-os mal, relativamente infelizes.

Tendo dito isto, têm três mini-games que acho que fazem diferença para o bem ganhá-los: a corrida dos Gorons, o desafio das Poe Sisters e a luta com os sub-chefes no Secret Shrine (só fui saber que esse lugar se chamava assim na versão 3DS, acho que nem tinha nome na do N64). Nos dois últimos casos, ao ganhar o mini-game o ex-colecionador-de-poes fala de como salvamos as almas das Poe Sisters, dos sub-chefes e dele mesmo, então já vale alguma coisa. Com a corrida dos Gorons é mais complexo o argumento, já que por um lado fazemos o goronzinho pentelho feliz, mas por outro tiramos a vitória dos demais participantes da corrida. Eu acho, porém, que o custo-benefício de felicidade do goronzinho decorrente da gente ganhar a corrida é maior que a decepção dos demais competidores, pois eles são adultos que estão prontos para lidar com a frustração da derrota e conseguem tirar satisfação pessoal só por saber que deram o seu melhor na competição. Sim, estou mimando ainda mais uma criança mimada, que vai crescer acreditando que tudo dá certo no final e tudo que ela apoiar vai vencer, mas a curto prazo, ou seja, nesses três dias que eu tenho, vale a pena.

Podemos riscar também mais alguns eventos que não são exatamente mini-games, mas que não fazem tanta diferença assim: comprar a All-Night Mask, comprar o piece of heart do vendedor scrub perto do observatório, mostrar a foto rara pro cara do centro turístico do pântano e depositar 5000 rupees no banco.

Só que ainda tem uma pessoa que eu resolvi tirar da agenda por achar que não faz muita diferença no esquema geral da felicidade dela: a vovó dos pesadelos infernais de minha infância.

Por mais que possamos argumentar que nada deixa uma avó mais feliz que um neto sentar e ouvir o que ela tem a dizer, no caso dessa avó eu tenho a nítida impressão que tanto fez como tanto faz. Sem contar que ajudar ela queima 2 horas das nossas 72, então melhor deixar pra lá (sem contar que o evento da Anju e do Kafei queima umas 6 horas, então melhor economizar onde dá).

Segundo passo: Riscar quem não dá mais pra fazer o evento.

De acordo com o caderno, são dois: o teste para usar powder kegs e o evento de forjar a gilded sword. O primeiro você tem que fazer pra terminar o jogo, então já foi feito e pronto. Sem contar que não faz a menor diferença para o Big Goron se você faz o teste ou não, então dane-se. Já o segundo é fazível neste ciclo da marmota se você não upgradeou a espada ainda, mas no meu caso já era. Se você for tentar do zero, acho que dá pra fazer, mas é preciso manejar bem o tempo que você fica sem espada com os eventos que envolvem lutar. Outra questão é se você realmente se importa com a felicidade do dono da forja, que é um sacana e a felicidade dele vem dele ficar com as sobras do ouro que você dá pra ele.

Mas tem uma pessoa que eu tenho que comentar e que não está no caderno: Tingle, o grande sex-symbol da série The Legend of Zelda.

Seguinte: ele fica feliz só de conversar com a gente. Mas ele só fica plenamente feliz se ele consegue vender um mapa pra gente e fazer a dancinha dele, com as palavras mágicas e etc. Todavia, ele não vende mapas repetidos pra gente. Ou seja, assim como no caso da gilded sword, a não ser que você se planeje antes e deixe de comprar um dos mapas para comprar agora, no ciclo da marmota, não dá pra deixar ele completamente realizado enquanto ser hyliano. E, como era de se esperar, eu já tinha todos os mapas, deixando ele não-tão-feliz.

Mil desculpas, Tingle. De coração.

Terceiro passo: Desencanar de quem demora tempo demais pra ajudar.

Existem dezessete indivíduos nesta categoria: as quatro Great Fairies dos dungeons e os treze gibdos do Beneath the Well (os gibdos não estão no caderno). A Great Fairy da cidade dá pra salvar sem stress, mas as outras quatro envolvem refazer os dungeons inteiros, e isso demooooooora demais. No caso dos gibdos, a demora é conseguir todos os ítens que eles querem, por mais que essa quest tenha sido simplificada horrores no 3DS (ainda bem). Talvez alguém com mais destreza que eu consiga salvar algumas Great Fairies e alguns gibdos (além de todo o resto), mas eu com certeza não conseguiria. Tanto que nem tentei.

Quarto passo: Ver quais eventos prejudicam alguém, e evitar eles.

A maior parte desses eventos já foi eliminada quando cortei os mini-games, mas sobrou um: roubar a reserva de quarto do Goron chamado Link (que eu acho que é uma referência ao filho do Darunia de OOT). A chave do quarto serve mais para facilitar entrar no Stock Pot Inn, mas dá pra se virar usando a porta da sacada com o Deku Link. E deixar o coitado do Goron dormindo ao relento na frente do hotel é uma certa sacanagem.

Mais um evento que entra neste passo é o de ajudar o Dampé a achar o tesouro escondido do cemitério na noite do último dia, já que o resultado final desse evento pra ele é ele ficar se borrando debaixo da cama em posição fetal. Sem contar que a noite do terceiro dia é virtualmente nula por conta da quest da Anju e do Kafei (as seis horas que perdemos que falei antes). Mas como este evento é listado junto com os outros que envolvem dispensar os stalchildren do cemitério, não vou riscar ele da lista do caderno.

Ainda há um evento que acho digno de citar agora: os peixes do laboratório do oceano. Tenho opiniões conflitantes quanto a este, já que ao completar ele matamos um peixe para o outro ser feliz. Por um lado, podemos argumentar que, ao ignorar este evento e deixar os dois vivos, mantemos o status quo, e que ao fazer um comer o outro, o resultado final é o mesmo, onde a felicidade de um dos peixes é anulada pela desgraça do outro, ou seja, é perda de tempo e tempo é algo escasso em Termina. Por outro lado, podemos dizer que como precisamos sacrificar pelo menos quatro peixes-de-garrafa para conseguir completar esta side quest, o placar final fica felizes 1 x 5 infelizes, arruinando o propósito do ciclo da marmota.



Pois é, agora que eu escrevi que eu percebi que os dois argumentos não são conflitantes, são complementares. Conclusão: ignorar os peixes.

Quinto passo: Ver conflitos de eventos e decidir quem tem prioridade sobre quem.

Chegamos no momento mais esperado do post: medir a desgraça alheia e decidir quem ajudamos e quem deixamos se ferrar. Talvez essa seja a lição aqui: às vezes, para alguém ser feliz, outro alguém se ferra como conseqüência inesperada. Sim, a vida é uma merda e deus não existe.

Olhando o caderno, concluí que existem três conflitos: ??? (a mão da privada) com a quantidade limitada de papel no mundo, a vovó da loja de bombas com o Kafei e o carteiro com a Madame Aroma (a mãe do Kafei).

Comecemos com ???: ele quer papel. Qualquer papel. Do jeito que ele fala, acho que até lixa ele topa. Só que existem poucos papéis que podemos dar pra ele: a carta da Anju pro Kafei, a carta do Kafei pra mãe dele e as escrituras das flores deku que conseguimos com os vendedores deku. Vamos descartar as duas primeiras, já que sacrificar qualquer uma delas atravanca a side quest da Anju e do Kafei, e essa side quest tem um rendimento alto de felicidade (voltaremos a ela depois). Olhemos então para as escrituras. Para quê elas servem? Conseguir usar certas flores deku. Elas deixam alguém feliz? Sim, os vendedores deku que querem passar o ponto e procurar lugares melhores para abrir seu negócio. Agora, a pergunta mais importante: todas elas deixam a mesma quantidade de pessoas felizes? NÃO! As escrituras são uma side quest de troca: para pegar a próxima, damos a anterior. Nessa, a primeira que conseguimos (a da cidade) tem um potencial de felicidade maior que as demais, pois ela pode deixar quatro pessoas felizes, enquanto a seguinte pode deixar três e assim por diante. Ou seja: a última escritura, a do oceano, só deixa uma pessoa feliz: o vendedor deku de Ikana. E aqui está a pergunta ética que temos que responder: quem merece ser mais feliz, ??? ou o vendedor deku? Não sei dizer, acho que é uma escolha pessoal. No meu caso, escolhi ajudar ???, que eu já passei pela situação de não ter ph disponível em um momento de necessidade e sei como isso é, literalmente, uma merda. Mas eu consigo entender quem acha mais justo ajudar o vendedor deku a realizar o sonho de ter um negócio à beira-mar, com o som das ondas de fundo. E ele te dá 200 rupees, enquanto que ??? só te dá 5, seu interesseiro que não entendeu o que realmente motiva este ciclo da marmota.

Próximo conflito: a vovó da loja de bombas e o Kafei. Essa dá uma dorzinha maior no coração, já que envolve deixar uma velhinha ser assaltada. Sim, eu escolhi não salvar ela para priorizar o Kafei. Novamente, é o argumento da side quest da Anju e do Kafei deixar uma quantidade maior de pessoas felizes. Até vou contar, para ilustrar melhor a questão e para justificar o fato de eu deixar uma idosa ser roubada: se salvamos ela, deixamos ela e o filho, o dono da Bomb Shop, felizes. Total: 2 pessoas. Se não salvamos ela, o Kafei consegue ver o Sakon na Curiosity Shop, o que libera duas coisas: a carta para sua mãe e o mini dungeon do esconderijo do Sakon, o que nos permite levar a felicidade para a Madame Aroma, o carteiro, o Kafei e a Anju. Total: 4 pessoas.

Pois é.

A felicidade de muitos deve sobrepôr a felicidade de poucos. Viva a democracia.

Vamos logo para o último conflito, antes deste post entrar numa discussão séria sobre moralidade: o carteiro e a Madame Aroma. Aqui não tem muita discussão: o melhor é dar a carta para o carteiro, já que ele vai entregá-la para a Madame Aroma. Ou seja, ela vai receber notícias do filho desaparecido independentemente da opção que escolhermos, então vamos ajudar uma pessoa a mais no processo. Sim, o prêmio que ela dá é melhor que o que ele dá na repetição do evento (Chateau Romani versus NADA), mas não estamos nessa por recompensa, estamos nessa pra ajudar a maior quantidade de pessoas fictícias poligonais.

Sexto passo: desistir dos eventos infinitos da felicidade inalcançável.

Que eventos são esses? O primeiro é o dos stalchildren dentro da Spider House do oceano. Por que desistir dele? Porque não dá pra resolver ele efetivamente, tudo por causa de como funciona o respawn de inimigos no jogo.

Explicando melhor: eu acho válido salvar os stalchildren, uma vez que é só aparecer com o Captain’s Hat e dispensar eles de suas funções. No caso dos stalchildren no cemitério, é fazível pois eles abrem a cova do dia e vão embora. Mas o mesmo não ocorre com os da Spider House, pois eles morrem, e como o jogo dá respawn de inimigos menores quando você sai de uma sala e reentra nela, eles voltam para sua função eterna de investigar a casa. É até compreensível eles voltarem, pois se você esquece a dica de algum deles, é só voltar para a sala onde ele está e conversar de novo. Só que nessa fica impossível levá-los à felicidade plena, e não há nada que possamos fazer, a não ser nos conformar que suas almas continuarão presas eternamente numa missão que não pode ser cumprida, dentro de um lugar amaldiçoado. É tipo tentar fazer uma impressora funcionar direito.

O segundo evento infinito da felicidade inalcançável é o do zora que está testando a luz do palco em Zora’s Cape. É um caso parecido: você acende as tochas pro cara, sai da área, volta, as tochas estão apagadas de novo. Não dá pra fazer o cara feliz, que o equipamento todo que é uma merda e nunca vai funcionar. É tipo tentar fazer uma impressora funcionar direito.

Sétimo passo: responder à seguinte pergunta: é possível ser feliz em Termina sem o testemunho do Link criança?

Melhor explicar isto com um exemplo: na side quest da Anju e Kafei (de novo, mas ela é a side quest mais marcante do jogo), nós nos metemos em praticamente todas as etapas do processo: o Link criança que leva as cartas pro correio, o Link criança que leva o Pendant of Memories pra Anju e sem o Link criança o Kafei não consegue recuperar  a máscara do Sol. Mas tem um momento que a nossa presença não faz a menor diferença: quando os dois finalmente se reencontram na noite do terceiro dia, afinal de contas o Kafei sai correndo do esconderijo do Sakon sozinho e chega sozinho no Stock Pot Inn. Traduzindo: o Kafei consegue reencontrar a Anju e fazer a troca de máscaras independentemente de estarmos lá ou não.

Logo, podemos economizar um tempo (e como eu já disse antes, tempo é escasso em Termina) ignorando essa última etapa e fazendo algo mais produtivo.

E esse não é o único evento que entra nessa categoria, temos também o evento da Pamela com o pai dela, já que derrotar o Twinmold liberta o pai da maldição dos gibdos invariavelmente, sem precisar da gente ir tocar a Song of Healing para ele, o evento do Sharp, pelo mesmo motivo, pois ele ascende sem precisar da gente tocar a Song of Storms (estes dois eventos não estão listados no caderno, só pra avisar), o mini-game das Poe Sisters que citei antes, uma vez que elas se libertaram junto com as demais almas de Ikana e o evento de tocar a música do Japas e do Mikau para o Evan, já que ele vai acabar compondo exatamente essa música no final das contas.

Ou seja, respondendo à pergunta que fiz: sim, é possível ser feliz em Termina sem o testemunho do Link criança. Por isso, podemos ignorar essas side quests, ou pelo menos as partes que independem de nós para poupar mais tempo, certo?

Então.

Não sei dizer. Eu prefiro realizar todos esses eventos, mesmo que eles não ajudem o grande placar de felicidade geral do ciclo da marmota.

E eu não tenho nenhuma justificativa boa para isso. Eu quis fazer, achava importante fazer e fiz (menos a do Evan, mas explico o porquê depois). O melhor argumento que me ocorre sobre fazer esses eventos tem a ver com o funcionamento de um videogame e de como, teoricamente, um evento só acontece de verdade no mundo de um game se você, o jogador, presenciar ele, e mesmo assim não acho ele bom, pois a premissa deste jogo é justamente que os personagens estão vivendo a vida deles independente do que você estiver fazendo.

Conclusão: precisar, precisar, não precisa, mas eu quis fazer. Se você for algum dia tentar fazer o ciclo da marmota e quiser ignorar esses eventos para, por exemplo, tentar salvar os gibdos, vá em frente, seu placar geral de felicidade vai ser maior que o meu. Mas a minha versão incluiu fazer esses eventos.

Assim finalmente chegamos à minha lista final de eventos do ciclo de marmota.


Mais ainda não acabou, temos ainda o oitavo passo: acertar a ordem dos acontecimentos.

Foi aqui onde eu mais fiz merdinha, pois eu meio que fui fazendo as coisas sem pensar, e perdi alguns eventos. Basicamente, a primeira coisa que eu fiz foi derrotar os chefões para salvar as quatro áreas logo duma vez. Só que alguns eventos PRECISAM da área zoada para acontecerem, e eu perdi eles. Também perdi o evento novo do 3DS, o da sétima garrafa, pois fiz outro evento antes da hora.

Por isso, vou listar aqui os eventos que dependem de outro evento anterior, para assim montarmos a agenda final. Para começar, vou listar aqueles que estão presentes no Bomber’s Notebook:

  • Protect Romani’s Cows! antes de Protect the Milk! - Meio óbvio este, mas como vou listar todos, aqui está: para proteger a carruagem com leite da Cremia (a carruagem que é da Cremia, não o leite, seus pervertidos) (quer dizer, o leite é dela no sentido que ela é a dona do rancho onde o leite foi ordenhado das vacas e engarrafado para venda, mas nesta frase o “dela” é referente à carruagem) (a língua portuguesa não é linda?), temos que defender o rancho da invasão alienígena na madrugada do primeiro dia.

  • A Goron’s Grief antes de descongelar a montanha - Este foi um evento que eu perdi, pois fui derrotar o Goht correndo e esqueci do pobre coitado do goron na cachoeira. É possível argumentar que, ao descongelar a montanha, ele é salvo automaticamente, mas levando em conta que ele está numa cachoeira congelada, a montanha descongela em questão de segundos e gorons não sabem nadar, o destino mais provável desse desafortunado é morrer afogado. Portanto, tirar ele de lá antes de descongelar a montanha.

  • A Fish Wish antes de despoluir o oceano - Mais um que eu perdi. Como precisamos conversar com o pescador na casa dele para salvar o cavalo marinho, precisamos fazer isso antes de matar o Gyorg.

  • Playing Papparazzi antes de despoluir o oceano - Outro que esqueci. Depois de salvar o oceano, todos os zoras ficam assistindo o show dos Indigo-Go’s, e não dá mais pra dar fotos pro zora stalker. É possível argumentar que alimentar a obsessão do zora stalker dando fotos do alvo dele não é algo muito legal, ou mesmo que não estamos deixando ele efetivamente mais feliz, apenas afundando ele ainda mais na sua neurose, mas é aí que entra o motivo deste evento não ser considerado um dos eventos infinitos de felicidade inalcançável, pois podemos dar só uma foto, dar um olhar sério para ele e fazer ele entender que aquela é a única foto que ele vai ganhar, e que é melhor ele tomar jeito na vida, e que se ele tentar chegar perto da Lulu a gente vai sentar o cacete na cara dele. Ou seja, ele fica pelo menos um pouco mais feliz, então vale a pena.

  • A Zora Swan Song antes de despoluir o oceano - Este é o evento que citei antes, do Japas e do Evan, e foi mais um que eu não fiz, mas não porque eu tenha esquecido dele, mas sim porque eu achei que ele não trazia felicidade para ninguém, uma vez que, como já disse antes, o Evan vai “compôr” de um jeito ou de outro a música que o Japas e o Mikau criaram. Só que depois fiquei meio arrependido de não ter feito esta side quest pois existe uma pessoa que fica mais feliz com ela: o Japas. Ele é um cara que claramente gosta de música e gosta de tocar com os amigos. Portanto, nada mais altruístico que dar para ele uma última jam session com o amigo. Mas, como já discuti antes, ir tocar a música em seguida para o Evan é opcional.

  • Free the Canyon Ghosts antes de libertar as almas de Ikana - Terceira vez que falo deste mini-game, mas como ele está na minha lista, aqui estou explicando ele de novo: só dá pra libertar as Poe Sisters antes de derrotar o Twinmold.

  • Fraternal Milk antes de Music Moves the Heart - Este é o evento novo, da sétima garrafa, e ele envolve o Gorman do circo ainda estar deprimido, ou seja, se você faz o Music Moves the Heart na primeira noite (como eu fiz), tirando ele da fossa, o evento dele precisar de leite no segundo dia nem começa.

Além desses eventos que estão no Bomber’s Notebook, tem aqueles que eu já falei antes que têm que ser feitos antes de derrotar o Twinmold, do pai da Pamela e do Sharp.

Pronto! Finalmente temos a lista de eventos do ciclo da marmota!


Agora, o que fazemos com isto?

Não sei.

Se você tem como jogar Majora’s Mask, tempo livre e gosta de um desafio sem propósito, você pode tentar fazer o ciclo da marmota. Boa sorte, se for o caso.

Se você já jogou Majora’s Mask antes e leu tudo até aqui, espero que esta leitura tenha sido pelo menos uma “viagem nostálgica”. Quem sabe até te deu vontade de ir atrás do jogo e jogar de novo. Faça isso.

Se você nunca jogou Majora’s Mask e realmente não tinha mais nada para fazer e leu esta muralha de texto até aqui, espero que tenha ficado pelo menos curioso com o jogo, e disposto a dar uma chance para ele.

A questão é: eu adoro esse jogo. Puta que pariu, como esse jogo é bom. E, jogando ele de novo, terminar ele pela quinta vez (três no N64, uma no Wii e uma no 3DS), eu fiquei com muita vontade de escrever sobre ele. Mas, como já falei antes, não queria analisar a história ou o gameplay, que isso já foi feito à exaustão e não me sinto com autoridade o bastante para isso. A única coisa que me restou foi o ciclo da marmota, essa idéia louca que eu sempre, desde a primeira vez que eu terminei o jogo, no longínquo ano 2000 (aliás, na época, eu não tinha visto ainda Feitiço do Tempo, o que quer que este fato signifique), tive em relação a como devia ser o último ciclo de três dias do jogo. E quis compartilhar essa nerdice com o mundo.



O blog é meu, eu faço o que eu quero, parem de me julgar!

Olha que eu destruo o mundo com a minha cabeçorra, hein?

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Projetando minha vida em "Frozen"

Olá. Neste post, vou falar de “Frozen”. Então, para quem não viu, aqui vai o aviso: spoilers.

Muito bem, comecemos introduzindo o tema deste post: “Frozen” é, para mim, uma história sobre depressão. A Elsa seria a depressiva e a Anna a pessoa que “resgata” ela, dentro do possível.

Ok, claro que não é uma história sobre depressão. Óbvio que não. É uma metáfora sobre você aceitar quem você é e aprender a gostar de si mesmo, entre outros temas. Mas eu assisti o filme numa época mais instável da minha própria depressão a acabei projetando minha própria vida/doença na personagem da Elsa. E depois, toda análise de qualquer coisa é um ser humano projetando a própria vida em tal coisa e achando significado onde não há nenhum, então me deixa em paz. Aliás, tenho certeza que pessoas com problemas psiquiátricos diferentes do meu poderiam fazer um paralelo do próprio problema e a Elsa, assim como consigo, sem muito esforço, fazer paralelos do filme com Jesus (ela anda na água) ou com o 4chan (trolls arruinam a infância de uma menina).

Enfim, esse post vai ser eu explicando essa minha leitura do filme, ligando o que acontece com a Elsa com minha própria experiência com depressão. Além de uns comentários sobre alguns detalhes do filme que eu achei que poderiam ter sido melhor trabalhados, pois por mais que eu tenha gostado do filme (gostei mesmo, acreditem, ele não é um “Man of Steel”), fiquei com a sensação geral de que ele morreu na praia. Talvez por conta dessa minha projeção toda na história, talvez por conta do hype todo nas internets me influenciando, talvez por ele realmente morrer na praia.

Ou seja, este post vai ser quase que nem ir ao lugar mais feliz da Terra COMIGO! Yay!

Muito bem, vamos lá então.

Vamos começar com a maldição da Elsa. Ela não é a depressão. Ela simplesmente é algo que faz parte dela. Não se explica daonde ela veio nem porquê ela está lá, mas eu acredito que a maldição não é a depressão/doença dela.

A depressão está lá junto com a maldição. E, quando a menina sofre um trauma, a depressão dela, digamos, engata.

E o trauma não foi machucar a irmã.

Sim, machucar a irmã daquele jeito foi um trauma, mas não foi, na minha opinião, o que realmente faz a depressão da Elsa explodir.

O trauma verdadeiro foi o modo como os adultos (e trolls) trataram o machucado da irmã.

Sério, vamos olhar a reação das pessoas, começando com o troll ancião (vamos chamá-lo de pseudo-terapeuta-provavelmente-um-pedagogo-tosco-da-escola, ou PTPUPTDE) lá decide que o melhor modo de proteger (começa por aí, PROTEGER) a Anna da Elsa é modificar as memórias dela para ela não se lembrar dos poderes da irmã.

Só eu acho isso o fim da picada?

Imagina você ouvir que uma pessoa que você ama precisa ser protegida de você. Porque você é um perigo para ela. Mesmo que você tenha o potencial de ser perigoso para essa (ou qualquer outra) pessoa, ouvir isso com todas as palavras quando você é criança de um adulto não é legal, para dizer o mínimo.

E qual a solução que o PTPUPTDE apresenta? Fazer essa pessoa que você ama esquecer parte de quem você é. Num paralelo tosco e exagerado, é fazer uma lobotomia numa criança para ela esquecer que sofreu bullying na escola.

Só que os pais, pessoas esclarecidas que são, percebem como isso é um absurdo e ficam do lado da filha mais velha, porque ela é quem ela é e isso que importa.

Claro que não.

Os pais vão e jogam mais merda no ventilador, escondendo a Elsa da Anna e do resto do reino, ensinando a ela durante ANOS que quem ela é é um horror, algo que precisa ser escondido ATÉ DA PRÓPRIA IRMÃ.

Antes de parecer que eu estou falando que isso não devia estar na história, não é isso que eu estou falando. Só estou julgando os acontecimentos, mas os roteiristas podem contar a história que bem entenderem.

Recapitulando: a Elsa machucou a irmã, um “especialista” (ou seja, uma figura de autoridade, uma vez que os próprios pais respeitavam o PTPUPTDE) diagnosticou o problema como sendo ela mesma e os pais foram nessa e esconderam ela do mundo.

Não tem criança que não traumatize com isso.

Essa parte dos pais esconderem ela, inclusive, pode ser um paralelo com diversas outras coisas (não quero dar exemplos para não passar alguma mensagem dúbia ou errada), onde quem você é é uma fonte de vergonha/medo para os próprios pais.

Assim definimos qual foi o trauma que deu o kickstart na depressão da Elsa. Mas, antes de continuarmos com ela, vamos falar um pouco sobre os pais e sobre a Anna.

Sim, por mais que eu tenha pintado os pais delas como uns monstros insensíveis, eu sei que eles só estavam querendo ajudar. Estavam fazendo o melhor que podiam. Assim como é parte de ser pai traumatizar os filhos. Existe até o argumento de que nessa época em que a história se passa, o fato dos pais não terem queimado a menina numa fogueira os tornam os pais do ano.

E, como argumento supremo defendendo os pais, eu não tenho filhos, logo não sei como eu reagiria nessa situação.

Mas que eles jogaram mais merda no ventilador, eles jogaram.

Quanto à Anna, existe uma questão que tenho que comentar antes de continuar: “E porque a Anna não ficou depressiva também?”

Afinal de contas, ser excluída pela irmã por toda a juventude não é legal, assim como ser proibida de sair de casa.

Muito bem, vou tentar responder isso do modo mais claro possível: a Anna é a Anna e a Elsa é a Elsa. A Anna se traumatizou com a irmã? Sim. Mas ela não é a Elsa, ela provavelmente não tem a mesma depressão que a irmã.

Isso é uma coisa que, imagino eu, muita gente deva ter dificuldade de entender. Eu sei que eu tenho, por mais que eu sempre me esforce para tentar ver isso. Mas a verdade é: pessoas diferentes encaram os problemas que a vida apresenta de maneiras diferentes, e algumas pessoas, como a Elsa (de acordo com a minha projeção toda sobre o filme) têm depressão, dificultando ainda mais o modo como elas encaram os traumas da vida.

Estou falando isso por dois motivos: o primeiro, para admirarmos a Anna, que soube se manter otimista em relação à irmã, mesmo sendo excluída por ela, e segundo, para não compararmos a reação das duas perante problemas que a vida apresentou para elas.

Quero dizer, elas parecem diferentes. Sou descendente de japonês, não sou muito bom diferenciando caucasianos.

Muito importante essa segunda parte, pessoas. Cada um tem seus próprios problemas, os encara de maneiras diferentes e têm dificuldades e facilidades em aspectos específicos para si.

Deu pra entender? Espero que sim, que não sei explicar melhor.

Continuando. Vamos para a coroação da Elsa, assim como a introdução do outro tema de “Frozen”: “não tenha pressa de se apaixonar”.

Acho que não tem muita discussão quanto a esse ser um dos verdadeiros temas de “Frozen”, então vou falar rapidamente dele: a Anna era uma jovem sonhadora que, fascinada pelas histórias exageradas de príncipes encantados que a Disney alimentou ela durante toda a vida, não via a hora de conhecer seu príncipe encantado e viver feliz para sempre com ele. Só que ela quebra a cara mais pra frente no filme, descobre que o “amor da vida dela” era um escroto e que havia um cara melhor, o segundo cara que ela conheceu no dia.

Tirando o sarcasmo do parágrafo anterior, eu realmente achei bom a Disney reconhecer num filme de princesa que a vida não é feita de “amores à primeira vista”. Sério, isso é algo importante, e espero que continue melhorando. Até está num caminho bom, tivemos a Merida que ficou solteira e a Vanellope que abdicou do trono para instaurar uma democracia presidencialista (eu sei que isso não tem nada a ver com se apaixonar, só queria falar da Vanellope) (aliás, spoilers de “Brave” e “Wreck-it Ralph”, ops). Só sei que se voltar para a coisa de “amor à primeira vista” vou ficar um tanto decepcionado.

E mesmo esse tema do “amor verdadeiro” da Anna volta para ser trabalhado com o tema que só eu vejo, a depressão da Elsa. Aliás, voltemos a ele.

A coroação foi basicamente o segredo da Elsa vindo à tona e as pessoas ficando com medo dela, como se ela fosse um monstro. O que a faz fugir de tudo.

Vou fazer agora um (outro) paralelo um pouco (muito) forçado em relação a essa seqüência, usando por base uma tendência natural do cérebro humano aplicada à mente depressiva: o viés de confirmação (confirmation bias em inglês, link para a wikipedia em inglês por razões óbvias).

O viés de confirmação possui alguns aspectos diferentes, mas o que me interessa aqui é a tendência de interpretarmos diversos fatos que acontecem de modo a confirmar nossa opinião, ao invés de enxergarmos a possibilidade de estarmos errados. O melhor exemplo que me ocorre agora, infelizmente, tem a ver com política: pessoas de posições políticas diferentes podem ver um mesmo evento e torná-lo algo pró-seu-ponto-de-vista. Como, digamos, um protesto na rua contra aumento de passe, que um conservador pode ver como algo contra o partido que se encontra no poder e um simpatizante do socialismo pode ver como algo contra o sistema capitalista.

Muito bem, o que isso tem a ver com a Elsa? Nada. O que acontece com ela é real. Os maiores medos dela meio que se tornam realidade - nada do que aconteceu foi ela enxergando o que não ocorreu apenas para confirmar o medo mais profundo dela, o de que ela realmente é um monstro. As pessoas realmente ficaram com medo dela.

Mas não consegui deixar de projetar minhas neuras nessa seqüência toda e ver como eu fico que nem ela quando passo por uma crise mais trash e começo a achar que todos os meus medos são reais e as pessoas à minha volta estão confirmando todos eles. Basicamente, meu cérebro começa a enxergar tudo à minha volta como uma prova definitiva e irrefutável de que sim, eu sou um fracasso e nunca deveria ter nascido (numa versão simplificada do que eu penso, é um pouco mais complexo que isso). Dá vontade de fugir e se isolar de tudo.

O que nos leva à próxima parte da história.

A Elsa realizando um dos sonhos de todo depressivo/psicopata/ser humano: fugir, se isolar e finalmente ser o monstro que acredita ser, mandando tudo à merda.

E essa seqüência é, acredito, catártica para qualquer um. Se libertar de quem você passou a vida tentando ser e viver do jeito que você entender. Melhor que isso, se libertar cantando. Sem contar os olhares cartoon smexy #27 e cartoon smexy #48 que ela faz quando canta que o frio nunca a incomodou.

Cuidado para não confundir com o “olhar Dreamworks”.

Não tenho muito o que dizer sobre a “libertação” dela no momento. Vou ter o que dizer quando percebemos, mais pra frente, que ela não se libertou de verdade.

Mas, primeiro, vou comentar sobre uma coisa que me incomodou profundamente na cena anterior à música, que é a da Anna saindo do reino e deixando tudo nas mãos do príncipe Hans.

Sério que ninguém nativo do reino achou problemático deixar as coisas nas mãos dele? Sério mesmo?

Essa é a hora que eu senti falta de um personagem “regente que governou enquanto a Elsa não atingia a maioridade”. Não faz o menor sentido não existir esse personagem. A não ser que você, roteirista da história, precise despistar o espectador das verdadeiras intenções do Hans, fazendo uma cena onde ele aparenta cuidar da população e se preocupando com a Anna, saindo atrás dela, e a existência de tal regente provavelmente estragaria esse plano de enganar a audiência.

Porque se esse personagem existisse, a Anna deixaria ele responsável pelo reino, e não haveria desculpa para o Hans não ir com ela atrás da Elsa. O que atrapalharia ela conhecer o Kristoff, etc, etc, deu pra entender meu argumento.

Enfim, voltemos a quem interessa: a Elsa.

Não sei quanto a vocês, mas o filme devia ter mostrado mais ela no castelo sozinha, paralelamente à jornada da Anna. Nem estou falando isso para encaixar mais ela nessa minha leitura/projeção, mas porque eu senti que ficou esse vácuo estranho onde ela aparentemente ficou sentada olhando pra parede esperando a história voltar a focar nela. Sério, mostrava ela dormindo numa cama de gelo que já era o bastante, com ela acordando quando ouve a porta abrindo com a Anna.

Se bem que eu fiquei pirando numa cena alternativa dela sozinha no castelo.

Ok, vou partir de um pressuposto que consigo ver muita gente discordando, mas que, para mim, é verdade: o ser humano, no final das contas, é um bicho social. Ele não precisa necessariamente socializar com outros humanos, mas acredito piamente que, depois de um tempo, começamos a querer interagir com outros seres vivos.

“Mas a Elsa é diferente”, diz você, pessoa fictícia que sempre destrói meus argumentos, “ela está acostumada a ficar sozinha e a se distrair pensando no quanto ela é horrível e um perigo para todos.”

Verdade. Mas isso, além de alimentar minha leitura de que ela é depressiva, também poderia ser tratado como algo que ela deixou pra trás, pois ela não tem mais com quem se preocupar. Ela mesma canta sobre isso, no verso “foda-se o que eles pensam”.

Só que eventualmente ela ia começar a se sentir sozinha.

O que me traz à cena que eu pensei: a Elsa criando outras criaturas de neve para passar o tempo.

Seria um modo dela voltar à outra época em que ela era livre, antes do troll e os pais proibirem ela de ser quem ela é. O que geraria então uma seqüência sobre esquizofrenia bem legal.

Porque, não sei se vocês lembram, ela consegue CRIAR VIDA. Então, nessa minha versão dela sozinha no castelo, ela não apenas cria os bonecos como eles começam a falar com ela. E ela não tem certeza se eles realmente estão falando ou se é ela enlouquecendo. Ia ser melhor ainda se deixássemos o Olaf para esta cena ao invés de apresentá-lo na jornada da Anna, pois assim a própria audiência ficaria na dúvida da sanidade dela.

Se alguém quiser reclamar da mudança de cor da luz, vai ver o filme frame-a-frame e encontrar imagens melhores, que eu desisti no meio do caminho.

No final das contas, ela realmente cria vida e os bonecos falavam com ela, porque magia. Até ia ser interessante cada boneco representar algum sentimento dela, assim como o Olaf representa o amor que ela sente pela irmã e o Marshmallow o medo que ela tem das pessoas e o desejo de ficar sozinha.

Aliás, pequena observação sobre o Olaf: ele foi uma das grandes surpresas do filme para mim, pois quando eu vi o trailer eu fiquei muito “ai, que bosta de mascote alívio cômico, a Disney tá cada vez mais Dreamworks”, mas ele é bem legal. Acho que é o fato dele ser realmente inocente e levemente tonto que o diferencia, chega de mascotes alívio cômico cínicos ou “personalidade-chata-prankster-que-americano-adora-e-eu-acho-altamente-desagradável”.

Talvez eu goste mais dessa versão esquizo da Elsa só para encaixar ainda mais a minha leitura de “Elsa têm problemas psiquiátricos”, mas ela é melhor que a cena que tem no filme. Que é nenhuma.

Acho que os criadores de “Frozen” queriam evitar confundir os espectadores sobre quem é o personagem principal da história, que é a Anna. Mas, se esse realmente foi o caso, essa foi uma decisão infeliz, porque depressiva ou não, mais Elsa no filme só ia ajudar.

Enfim, chega de fanficar, criando cenas que não existem no filme. Vamos para a que, para mim, é a seqüência mais demonstrativa (tá certa essa expressão?) da depressão da Elsa: quando a Anna chega no castelo.

A Elsa afastar a irmã por conta de finalmente encontrar a própria liberdade não é, em absoluto, um comportamento depressivo. Acho que é até uma coisa humana, querer ficar numa situação de liberdade e rejeitar a alternativa, mesmo que a alternativa venha de uma pessoa que você ama.

Para mim, a parte que mostra a depressão da Elsa, e que é como eu fico quando estou depressivo, é quando ela descobre que o reino congelou e faz aquela cara de “nada do que eu faço dá certo, só sirvo mesmo para arruinar a vida dos outros”. Essa é a hora que vemos que ela não conseguiu se libertar completamente, e que ela ainda tem um senso de responsabilidade (e afeto) por Arendelle.

De qualquer maneira, o que acontece em seguida é muito significativo, pois é um certo resumo de como eu encaro a minha relação com algumas das pessoas mais próximas a mim: elas estendendo a mão, tentando me ajudar, e eu machucando elas.

Acho que foi nessa hora que eu realmente fiquei fascinado com o filme, pois me identifiquei muito com a situação da Elsa. A Anna querendo ajudar e tudo o que a Elsa pensava era “ninguém pode me ajudar, eu só arruino tudo, quero que tudo suma”, ferindo a irmã e em seguida criando um modo de afastar as pessoas (o Marshmallow). Não sei explicar, mas foi muito o apogeu do filme para mim.

E, como todo bom apogeu, em seguida temos a queda.

Depois dessa cena, o filme meio que se perdeu um pouco, na minha opinião. Acho que o primeiro motivo são os ewoks, quero dizer, os trolls.

A seqüência toda da Anna visitando os trolls e a música de como o Kristoff é um partidão me cansou profundamente. Não sei porque, mas cansou. Achei que foi “explicação demais”. Sim, nós já entendemos que o Kristoff vai ficar com a Anna. Por mim, agilizava o processo e conversava logo com o PTPUPTDE para avançar a história. Mas acho que eles queriam vender brinquedos dos trolls.

E temos o ataque à Elsa em seguida. Sinceramente, não tenho muito o que dizer sobre ela. Basicamente, a história precisava da Elsa de volta ao reino, então a história levou a Elsa de volta ao reino. E não estou criticando, só analisando pragmaticamente.

Na verdade, uma observação que eu tenho é que me pareceu que o duque de Weselton e seus capangas foram criados unicamente para essa cena, e mesmo assim eles não são tão necessários assim. Ok, criaram uma ceninha de ação com a Elsa lutando com eles para gerar a cena dela ameaçando matar eles, mas essa cena podia ser de “n” outras maneiras, talvez com a Elsa ameaçando o próprio príncipe Hans ou os guardinhas que o acompanham. Afinal, ela está passando por muito stress nessa hora, não ia ser estranho ela estar tremendamente reativa e, ao se sentir ameaçada, acabasse perdendo um pouco as estribeiras com todo mundo, levando à fala que queriam que o príncipe falasse: “Não se torne o monstro que temem que você é”. Mas acho que precisavam de um “vilão escancarado” para despistar do “vilão surpresa”.

Falando no vilão surpresa, temos então a grande revelação de que o príncipe Hans estava enganando a Anna, que ele é o verdadeiro vilão da história e etc e tal, assim como o Kristoff e a Anna entendendo os próprios sentimentos. Ou seja, o outro tema da história, o “não tenha pressa de se apaixonar”.

E também temos o desenrolar final da história da Elsa, com ela fugindo da prisão e sendo perseguida pelo príncipe mau, com ele culpando ela pela morte da irmã.

Essa hora foi tensa. Faz o “Noooooooooo” do Darth Vader ainda mais patético e ralo, deu pra ver bem a Elsa desmoronando.

Aí chegamos na resolução de tudo, onde o amor entre irmãs, um amor tão verdadeiro quanto o de amantes (costurando os dois temas do filme), salva o dia, com a Anna se sacrificando pela Elsa.

Ok, aqui eu tenho outra reclamação. É óbvio que eu tenho uma reclamação.

O “amor” resolveu tudo rápido demais.

Sim, o “amor” é lindo e é o Deus ex Machina mais comum da história, mas que foi meio “thbpbpthpt” em “Frozen”, foi.

E aqui temos Calvin, re-encenando o final de “Frozen” 

A minha reclamação, vejam bem, não é que o amor resolveu tudo. Mas sim que ele resolveu tudo rápido demais. Faltou um pouco de Hollywood, eu achei. Um pouco mais da Elsa e a Anna de mãos dadas enquanto a Elsa resolvia tudo, sei lá.

Basicamente, eu queria que ficasse mais meloso. E com um pouco mais de Anna. O que é muito estranho, sendo que eu passei esse texto inteiro babando em cima da Elsa. Aliás, o propósito original deste post era falar de como a Elsa é um personagem mais interessante que a Anna, mas mudei de idéia no processo.

Mas acho que isso tem a ver, em grande parte, com a minha projeção na história toda e a visão que eu tenho de depressão em geral, não só da minha.

Eu acho que não é o tipo de coisa que a pessoa só descobre o amor e melhora. Eu acho que é o tipo de coisa onde a pessoa perceber que as pessoas que ela ama e estão ao lado dela vão ficar do lado dela é um passo para ela melhorar. É um processo que vai aos poucos, com altos e baixos no caminho.

Nesse sentido, podemos considerar esse um “alto” da Elsa, mas ainda assim, queria que a mensagem fosse mais completa, mostrando mais como a Anna vai estar do lado da Elsa quando ela precisar. É isso que eu quero dizer com “faltou Anna” no final, e que eu achei que o filme morreu na praia. Se tivesse uma troca de olhar mais profunda, ou mesmo uma certa cara receosa por parte da Elsa seguido da Anna segurando a mão dela, eu já me dava por satisfeito. Mas, do jeito que ficou, achei que deu a sensação de que a Elsa simplesmente se tocou que “ei, amor existe!” e consertou tudo. E depressão não é tão simples assim.

Só que, como já falei, “Frozen” não é uma história sobre depressão. Eu só fiquei projetando tudo. Essa minha última reclamação nada mais é que o fato de “Frozen” não ser exatamente a história que minha cabeça estava criando e ser “só” a história que resolveram contar, e é uma boa história.

Mas talvez isso que torne uma história boa: as pessoas conseguirem se relacionar com ela de diversas maneiras e em diversos níveis. Falem o que quiser da Disney, mas eles conseguem fazer esse tipo de boa história.

Ok, nem sempre.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Sem Assunto


Olá. Feliz ano novo.

Fazem quase seis meses que eu não atualizo esta merda. Que vergonha. Devia ter deixado quieto e desistido. Mas, como eu sou brasileiro, eu não desisto nunca.

AHAHAHAHAHAHAHA.

"Não desiste nun… HAHAHAHAHAHAHA, puta merda, que hilário."

Pronto, acho que eu estava precisando dar umas risadas.

Enfim. Este blog. Sei lá, depois de uns dois meses sem atualizar, fiquei tentando forçar assunto, e não conseguia escrever nada. Daí desisti. Tentei de novo outras vezes, mas não rolava assunto.

Ou melhor, até apareciam assuntos, mas eu não conseguia ver propósito em escrever nada. Começava a me auto-boicotar e desistia.

Mas, sei lá porquê, hoje, dia primeiro de janeiro de 2014, uma e trinta da madrugada, me deu vontade de escrever. Pro blog.

Que eu não tenha parado de escrever, fiquei vivendo uma mentira deslavada onde eu escrevia algo. Um livro.

AHAHAHAHAHAHAHA.

"Ei, não é tão engraçado assim. Podem parar. Por favor."

Pronto, podem parar de rir também.

Não vou mais tocar neste assunto até segunda ordem. Vamos fingir que é que nem o verdadeiro Seymour Skinner, ok? Ok.

Enfim, chega de manha e mimimi (piada do link não é idéia minha, estou me apropriando, obrigado autor-original-desta-piada-você-sabe-quem-você-é). Vamos ao assunto deste post.

Que, por mais que ele se chame “Sem Assunto”, ele tem um assunto sim.

Ou melhor, vários. Basicamente, vou escrever tudo o que me vier na telha, celebrando a virada de ano e lembrando este ano que se vai. Vamos lá:

  • Este ano tem copa. Estarei torcendo de verdade para uma final Brasil x Argentina, com a Argentina campeã. Continuarei torcendo, em seguida, para que surja uma revolta tão grande na população que os protestos decorrentes desse desastre consigam destruir um dos maiores símbolos de corrupção e coronelismo do Brasil, a CBF. Se bem que, no fundo, o principal motivo é pela piada. Que ia ser hilário. Argentina campeã. No Brasil. Não fica melhor que isso.

  • Ainda falando de futebol, vocês sabiam que a maior torcida “específica” de futebol do Brasil é “Nenhum”? Sério. Explicando melhor: Se considerarmos a torcida de cada clube do país, separadamente, e considerarmos as pessoas que não têm time como uma torcida, a maior torcida do Brasil é “Nenhum”. Vou extrapolar um pouco e afirmar que a maior torcida de futebol do Brasil é "Não gosto de futebol". Desde que eu descobri isso tenho pensado em criar uma coisa chamada “Não Gosto De Futebol Clube”, que seria o time para as pessoas que não gostam de futebol dizerem que torcem. Imagino que seria o pastafarianismo do futebol, se é que vocês me entendem. Uma piada-crítica.

Logo que eu criei em meia hora. Cinco minutos pesquisando vetores prontos, cinco montando eles no Illustrator e vinte me martirizando por não saber medir o nível certo de breguice necessária. Se alguém com mais capacidade quiser fazer um melhor, por favor, vá em frente.

  • Ainda sobre esportes, não sei explicar porquê, mas ver as notícias sobre o Schumacher em sites ““““““sérios”””””” como o UOL chamando ele de Schumi me dá vontade de chutar o monitor. Soa como se estivessem tratando ele como uma aidoru, a Schumi-chan.

Bons pesadelos para vocês também.

  • Mudando de assunto, uma coisa que todo final de ano eu fico retardadamente obcecado e profundamente irritado e é algo completamente estúpido são as listas de “melhores games do ano”. Eu até consigo entender, num nível racional, que é só a opinião de um grupo de ““““““““““jornalistas”””””””””” de games que trampa num site qualquer, mas ainda assim eu me irrito com certas escolhas. Ou certos jogos que deixaram de ser escolhidos. Normalmente é a segunda opção. O pior é que, muitas vezes, eu começo a torcer para jogos que eu nem joguei. Por exemplo: “The Last of Us”. É o jogo não-Nintendo que eu estou, sinceramente, torcendo para ganhar todos os prêmios, a não ser que seja para perder para Super Mario 3D World ou The Legend of Zelda: A Link Between Worlds. Só que eu não joguei TLoU (mas joguei Mario e Zelda, obviamente). Ele sequer é o tipo de jogo que me atrai muito. Sei lá, acho que se leva a sério demais, e é muito marrom e cinza. Nesse sentido, acho até que eu devia torcer para “Bioshock Infinite” (outro que não joguei), já que ele tem alguma paleta de cores. Só que TLoU é uma série nova, que assumiu certos riscos e tem uma proposta que consigo admirar num jogo. Só por isso, torço para ele. Ou para “The Stanley Parable”. Ou “Papers, Please”. Outros que não joguei.

  • Tendo dito isto sobre Mario, Zelda e TLoU, o melhor jogo que eu joguei neste ano que se passou foi “Fire Emblem: Awakening”. Ele é muito “o jogo feito para o Vitor”. Estratégia de turno com elementos de RPG e onde é possível casar com os personagens e criar relacionamentos entre eles? E ainda por cima o jogo não se leva a sério, tendo diálogos leves e bem-humorados, mas trabalhando as relações dos personagens de tal modo que cria episódios altamente emotivos? Melhor jogo de todos os tempos.

  • Depois de falar de um jogo que gostei para caralho, um que me decepcionou horrores: “Tales of Xillia”. Como já falei antes, uma das minhas séries de games favoritas da vida é Tales. E “Tales of Xillia” tem tudo o que eu gosto na série: combate em tempo real, gráficos cel-shading imitando anime, personagens tontos porém adoráveis e uma história apocalíptica exagerada, épica e absurda. Só que tem um enormantesco problemaço: a história da Milla. Seguinte: alguém teve a fantástica (sem sarcasmo) idéia de fazer um Tales com dois personagens principais (o Jude e a Milla) e permitir ao jogador escolher qual ponto de vista ele quer seguir na história. Fantástico. Brilhante. Porém, alguém esqueceu de ESCREVER A PORRA DA HISTÓRIA DE MODO A FAZER COM QUE OS DOIS PONTOS DE VISTA FUNCIONASSEM DIREITO. O que eu quero dizer com isso é que eles escreveram a história pensando no Jude e depois ficaram inventando adendos e apêndices para costurar uma pseudo-história para a Milla. Tanto é assim que um personagem secundário morre e você, pobre jogador que resolveu escolher jogar sendo a Milla, só descobre isso ATRAVÉS DE UM RECORDATÓRIO. Sendo que tem a cena da morte de tal personagem na história do Jude. E adivinhem com quem resolvi jogar? Exato. Logo, toda vez que acontecia alguma coisa na história que era muito descaradamente um tipo de tapa-buraco para fazê-la funcionar do ponto de vista da Milla, eu ficava irritado. O que foi, mais ou menos, 87% do tempo.

  • Continuando com coisas que me decepcionaram, concluí que o filme que mais desgostei em 2013 foi mesmo “Man of Steel”. Já falei sobre isso, mas devo acrescentar que pensei mais de uma vez em expandir o que escrevi com mais críticas (o começo, em Krypton, ao contrário do que eu falei, não é bom. É uma bosta). Nossa, como esse filme é lamentável. Num ano que teve (e eu assisti) “A Good Day to Die Hard” e “Star Trek: Into the Darkness”, eu encontrar algo pior é uma proeza. Parabéns, “Man of Steel”.

  • Se bem que eu não vi “After Earth”. Acho que mesmo eu tenho um mínimo de senso de auto-preservação.

  • Tendo dito isto, o meu filme favorito do ano, foi, disparado, “Pacific Rim”. Robôs gigantes lutando com monstros gigantes. Minha criança interior chorou de emoção o filme inteiro. E, antes de me julgarem, lembrem-se que eu gosto de coisas que não se levam a sério. E meu filme favorito da vida é “Wayne’s World”.

  • Ainda lembrando este ano que se foi, voltei a assistir anime, e tenho uma recomendação: “Kill la Kill”. Da mesma “escola” que “FLCL” e “Gurren Lagann”. É espetacularmente sensacional. E, como não podia deixar de ser, não se leva a sério.

  • Saindo um pouco de assuntos nerds e indo para um dos últimos assunto que tratei neste blog antes do meu hiato, uma coisa que têm me irritado desde o início dos protestos: o termo “coxinha”. Não faz sentido. Não. Faz. O. Menor. Sentido. Para começo de conversa: é uma comida popular. Se ainda quisessem chamar a elite conservadora de “caviar” ou “foie-gras” ou ainda “escalopinhos de vitela wagyu ao molho de cogumelos silvestres com vinho rosé e salpicados de ervas finas”, tudo bem, mas “coxinha”? Vai se foder. E sim, eu pesquisei a origem (afinal, como é difícil procurar as coisas no Google), e dentre as várias que encontrei (aparentemente não há um consenso) a mais repetida origina ela do termo “vale-coxinha” usado por policiais (e professores públicos) para designar o vale-refeição que recebiam do governo. Ou seja, era algo para simbolizar a miséria do trabalhador brasileiro. Enfim, com o tempo, o apelido de “coxinha” pegou nos policiais, já que eles, teoricamente, só se alimentavam de coxinha. Com os seus vale-coxinha. E, como a elite intelectual esquerdista brasileira é muito esperta, ela afiliou o apelido dos policiais ao conservadorismo direitista. Por que isso faz sentido, aparentemente. Lição de casa do dia: refletir sobre o papel da polícia (tanto o teórico quanto o que ela realmente exerce no Brasil) e se ela necessariamente representa a “direita”. Valendo ponto no boletim.

E assim, eu aqui nomeio pessoas de esquerda de "brioches", porque contexto histórico que se foda.

  • Já que estamos falando de coisas sérias e política e etc e tal, este ano tem eleição. Provavelmente vou dizer para mim mesmo que vale a pena estudar os candidatos e fazer um voto consciente, provavelmente vou desistir no meio do caminho e votar em qualquer coisa mesmo. Na verdade, acho que minha maior curiosidade é ver o quanto o desempenho do Brasil na copa vai influenciar a campanha dos políticos. Quero acreditar que somos melhores que isso, mas não duvido que apareçam comerciais como “Dilma trouxe o hexa” no caso de vitória e “Dilma humilhou o futebol brasileiro” no caso de derrota.

Pronto, acho que está bom. Fechei um círculo, voltando a falar da copa. E também tô cansado e agora realmente acabou o assunto. Quero ir dormir.

Bom ano pra vocês.