Olá.
Então.
Este texto era para ser uma resposta para um post que apareceu no meu facebook hoje, 14/01/2016, mas acabei decidindo que fazia mais sentido colocá-lo aqui.
Primeiro, um pouco de contexto: o ator Alan Rickman faleceu hoje, vítima de câncer. Estou sinceramente triste com isso, pois realmente admirava o trabalho dele em Harry Potter e em Die Hard.
Alguns dias atrás, em 10/01/2016, foi o músico David Bowie quem faleceu, também vítima de câncer. Ainda estou triste com isso, pois realmente gostava de diversas das suas músicas.
Tendo dito isto, nenhuma das duas mortes me deixou, digamos, arrasado. Eu gostava e admirava muito tanto eles quanto seus trabalhos, mas não foi tão forte, para mim, quanto o falecimento de Sir Terry Pratchett e de Satoru Iwata-san.
Mas não é por isso que eu vou criticar ou desmerecer a dor que muita gente está sentindo nestes dias.
Porque eu tenho certeza que, para muita gente, a perda desses dois artistas provavelmente está sendo tão, ou até mais, dolorosa quanto a morte do meu autor favorito e de um dos meus desenvolvedores favoritos de games foi para mim.
Sério, podem chorar, ficar bravos, descarregar a frustração no twitter, postar longas declarações de amor e perda no facebook, que eu imagino como deve estar doendo. Se fazer isso ajuda, faça. Eu vou ler tudo o que vocês postarem. É só eu conseguir achar, porque internet.
A única coisa que eu não admito, e que apareceu no meu facebook, e que está me enfurecendo, são pessoas relativizando a dor alheia com declarações como “milhares morrem todos os dias” ou “mas ninguém aqui está derramando uma lágrima sequer pelas crianças morrendo na África” ou “ninguém é melhor que ninguém, não chorem por ele”.
Não faça isso.
Não desmereça ou despreze a dor alheia, ainda mais quando ela vem do falecimento de alguém.
Para começar, fazer isso é uma das coisas mais escrotas e desprezíveis que alguém pode fazer. Imagino que quem faz isso o faz como uma demonstração de poder, mesmo que não perceba. Me parece que essas pessoas querem esfregar na cara do mundo que “há, não estou triste, essa morte não me afeta, sou melhor que vocês!”
Não. Errado. Você não é melhor que ninguém, só está agindo como um sociopata desagradável, um bostinha chamando atenção.
Esse é um grande problema da nossa sociedade, nós valorizamos demais a ausência de sentimentos. Sentimentos ainda são vistos como fraquezas, e aquele que menos sente mais forte aparenta ser. Isso me parece ser um reflexo do sexismo arraigado na sociedade, que “homem não chora”, e como ser homem é melhor, chorar é ruim.
E isso é uma merda. Eu acredito muito que iríamos ser pessoas mais saudáveis e ter relacionamentos mais significativos se fossemos um pouco mais honestos com nossos sentimentos (sim, eu sou um ser meloso auto-ajuda), mas, infelizmente, ainda não conseguimos fazer isso. Parar de desmerecer a dor alheia seria um ótimo primeiro passo para termos uma sociedade mais emocionalmente saudável.
“Ah, mas as pessoas que estão afirmando isto não o fazem para desmerecer a dor dos outros, mas sim o fato dessas pessoas estarem tristes por alguém que elas nunca conheceram! Elas só estão tristes porque morreu um artista famoso.”
Então.
Não justifica.
Na verdade, é ainda pior, de certo modo.
Porque essa crítica, se é que posso chamar isso de crítica, está ignorando o papel e o poder da arte na vida das pessoas.
Arte é criada a partir de idéias e sentimentos para nos fazer refletir e sentir. Seja um livro, um filme, uma música, uma pintura ou mesmo um videogame. Arte enriquece a vida das mais diversas maneiras, podemos dizer até que é algo que faz viver valer a pena.
Quando uma obra nos toca, nos emociona, ou mesmo nos faz repensar nossas idéias e nossa visão de mundo, nós a vinculamos com nossa própria personalidade, com nossa auto-imagem, e sentimos, com isso, uma conexão profunda com o artista que a criou.
É por isso que ficamos tristes quando alguém que criou algo importante para nós morre. Nós sentimos como se essa conexão tivesse sido cortada. Esse artista, que nos ajudou a entender mais sobre nós mesmos, cujo trabalho se tornou uma parte importante da nossa identidade e que parecia que sempre estaria lá, com uma obra nova, enriquecendo nossas vidas, de repente, se foi.
E isso dói. Muito.
Não importa que nunca o conhecemos ao vivo, ou que não temos nenhum grau de parentesco. Essa conexão criada através da arte é algo muito profundo, um laço muito importante para nossas vidas.
Por isso que é um comportamento lamentável criticar aqueles que sofrem com a perda de um artista. Porque você não apenas está sendo insensível com a pessoa que está sofrendo, você também está sendo obtuso e ignorante com o poder e o valor da arte na existência humana.
Agora que estou pensando, é capaz de que quem critica aqueles que sofrem pela perda de um artista nunca tiveram esse tipo de experiência. Nunca viram ou ouviram ou vivenciaram uma obra de arte que a tocou profundamente, que enriqueceu a vida dela. Talvez eu não devesse estar furioso com essas pessoas, mas sim triste por elas.
Porque não deve ter nada mais triste que viver uma vida sem arte.
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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Jessica Jones, uma super-heroína
Olá. Faz tempo que não escrevo aqui, não? É que o blog sobre games tem consumido todo meu tempo livre para escrever nos últimos tempos (tenho um blog sobre games, aliás, visitem-no).
Mas surgiu um assunto que eu realmente quero escrever sobre e que não tem a ver com games, por isso aqui estou. Antes de começar, porém, alguns avisos:
1 - SPOILER ALERT! Se você não viu Jessica Jones e não quer spoilers, não leia este texto ainda. Não pretendo pôr muitos spoilers, na verdade, mas vão ter alguns inevitavelmente. Sem contar que o que é spoiler para alguns não é nada de mais para outros, então prefiro deixar avisado que vai ter spoilers de qualquer jeito.
2 - Outras pessoas, provavelmente mais inteligentes e com mais autoridade do que eu, já devem ter discursado sobre o tema deste post em diversos outros momentos da história da humanidade. Mas eu quero dar a minha mijadinha intelectual aqui para marcar como meu o território referente ao assunto, então me deixem em paz para falar disto.
3 - Não li Alias, a série em quadrinhos que inspirou a série no Netflix, então é bem capaz de eu falar alguma bobagem sobre a personagem. Na real, nunca fui muito de ler HQs de super-heróis em geral, o que tira ainda mais credibilidade do que eu vou dissertar aqui. Mas sou um grande fã dos filmes e séries de super-heróis que andam saindo (mais as da Marvel, mas tenho muita curiosidade em ver o Flash).
4 - Este post não é uma indireta específica para ninguém em especial, só para a Thaísa do RH. Então, se você não é a Thaísa do RH e sentir que este post é sobre você, desculpa, não era a intenção te ofender, espero apenas que este post te ajude a refletir. Agora, se você é a Thaísa do RH, você está claramente errada e eu estou certo.
Ótimo, chega de avisos, vamos logo para o assunto:
Jessica Jones é muito bom. Muito mesmo. Espetacular. Não me considero um grande crítico de obras audiovisuais, mas senti que todos os atores mandaram muito bem, que os roteiros eram fantásticos, que a fotografia ficou foda e que praticamente tudo funcionou. Eu até tenho algumas pequenas críticas para pequenos detalhes da série, mas vou deixar elas fora deste texto que elas não vão acrescentar muito aqui.
De qualquer maneira: eu gostei pra cacete da série. Mais até que do Demolidor, virou a minha série de TV não animada favorita de super-heróis (ainda tenho um carinho nostálgico muito forte pela série animada do Batman). E eu sei que não fui o único a adorar a série, pois vi muita gente, tanto críticos quanto pessoas normais (vocês entenderam o que eu quis dizer com esta comparação) falando muito bem da série.
Mas eu vi um certo discursinho surgindo sobre Jessica Jones que me irritou profundamente:
“Jessica Jones não é uma série sobre super-heróis, é sobre relacionamento abusivos/abuso sexual.”
Muito bem.
Então.
Seguinte.
Antes que alguém queira gritar na minha cara, deixem-me esclarecer o que me irrita nessa frase.
Comecemos com a segunda parte da frase: relacionamentos abusivos/abuso sexual.
Sim, este é um dos, ou melhor, é O Principal Tema de Jessica Jones™. Não tem nem o que discutir, o comportamento do Kilgrave é praticamente um espelho de um parceiro abusivo, se colocando como um tipo de salvador da Jessica, e tratando todas as merdas que ele fez (e ainda faz) como se fossem um mimo, um agrado, para ela, sem perceber como ele está sendo intrusivo, violento e escroto. E, vendo o stress pós-traumático da Jessica, não tem como não perceber os paralelos com vítimas reais de abuso. Sem contar que eles tiveram a coragem de ir até o ponto mais crucial e horrível desse tipo de história, que é a reação das pessoas ao redor. Ninguém acreditava no que tinha acontecido com a Jessica e com a Hope, pelo menos não até ter acontecido com eles mesmos. Sério, se você não percebeu que este era O Principal Tema de Jessica Jones™, assista de novo prestando mais atenção.
E, só porque eu sinto que tenho que admitir isto, percebi que eu mesmo já fiz ou pensei em fazer algumas das escrotices do Kilgrave. Fiquei com um certo nojo de mim mesmo em alguns momentos da série, pra dizer a verdade.
Mas enfim, não sou alguém com a capacidade ou a autoridade de aprofundar sobre algo tão complexo quanto O Principal Tema de Jessica Jones™ (apesar de que vou retomar o assunto mais pra frente).
O que eu quero dizer com tudo isto é que não é a parte sobre relacionamentos abusivos/abuso sexual que me irritou na citação acima.
O que me irritou foi a desconsideração pelos super-heróis.
Que super-poderes e heroísmo são, sim, temas de Jessica Jones.
Qual foi a parte onde um cara pega uma serra circular Bosch e tenta serrar o próprio abdome e não acontece nada que você não percebeu que demonstrava a existência de super-poderes na história? Ou a moça que pula facilmente até o segundo andar de um prédio? Ou o cara que controla a mente dos outros só falando?
Sério, Jessica Jones fica alardeando a presença de super-poderes na série como se não houvesse amanhã. Acho até que tem mais super-poderes por página de roteiro em Jessica Jones que nos filmes do Capitão América, e num deles tem oAgente Smith Elrond Hugo Weaving com uma cabeça vermelha como se fosse uma caveira viva. (Nossa, é daí que vem o nome dele nos quadrinhos, o Caveira Vermelha! Que coisa.)
Além disso, é a super-força da Jessica que alimenta um dos principais questionamentos da personagem, sobre ela se tornar ou não a heroína que a Trish quer que ela seja (sim, tem toda a questão dela questionar os próprios valores morais, assim como o sentimento de culpa por ter matado a Reva, mas convenhamos: sem sua super-força, ela não ia ficar se cobrando tanto sobre se tornar uma heroína) (pelo menos na minha opinião).
E, é óbvio, os poderes do Kilgrave, que só fazem a história existir.
O que eu quero dizer é: Jessica Jones não apenas possui super-poderes, super-vilões e super-heroínas, como super-poderes fazem parte das motivações dos personagens e da estrutura da história. Falar que a série não é sobre super-heróis é uma afirmação tola, para dizer o mínimo.
– Mas, Vitor, – diz uma voz vinda do RH – a pessoa que fez tal afirmação só estava querendo fazer uma hipérbole com o objetivo de chamar a atenção para O Principal Tema de Jessica Jones™, que é algo importante de ser discutido em cultura pop e na sociedade como um todo!
Ok. Tudo bem. Se tem uma coisa que eu sei muito bem como funciona, é o uso de hipérbole na internet com o objetivo de chamar a atenção e manipular um discurso. E, de fato, O Principal Tema de Jessica Jones™ é infinitamente mais importante do que super-poderes, tanto culturalmente quanto socialmente falando.
Mas isso não muda o fato que essa hipérbole despreza o valor dos super-heróis, e eu acho que fazer isso só ajuda a piorar a discussão em torno d’O Principal Tema de Jessica Jones™.
Comecemos admitindo o óbvio: super-heróis, ou pelo menos o conceito moderno de super-heróis na cultura pop (porque, se perguntar pra mim, personagens mitológicos como Hércules, Isis e Jesus são super-heróis também), nasceram como uma diversão para crianças. As histórias eram simples, coloridas e fantásticas, valores considerados até hoje exclusivamente infantis (por mais que não sejam, mas isto é assunto para outro dia), deixando esse estigma nas histórias de super-heróis como coisa de criança. Por isso que quando sai uma obra mais adulta ou com temas mais sérios envolvendo super-heróis, uma das primeiras reações de quem não conhece o assunto é dizer que nem parece ou que não é uma história de super-heróis.
Só que acontece o seguinte: super-heróis não são uma coisa só para crianças. Faz tempo. Ou vocês acham que a bilheteria dos filmes da Marvel consistem apenas de pais levando os filhos pro cinema? Claro que não. Super-heróis conquistaram diversas pessoas, das mais variadas idades e origens.
A questão é que super-heróis, na minha opinião, vão além de ser um tema ou um gênero de história: eles podem ser um instrumento diegético. Ou seja, super-heróis podem ser utilizados como um elemento do universo como outro qualquer para passar seu tema principal, sem necessariamente ser o foco central da narrativa.
Vou tentar dar um exemplo do que eu estou pensando com outra coisa que eu sinto que pode tanto ser um tema quanto um instrumento diegético (guardadas as devidas proporções): guerras.
O que você considera um filme de guerra? Um que foca nos soldados? Um que relata a sobrevivência dos civis envolvidos? Nós devíamos ensacar todos os filmes que envolvem alguma batalha de algum tipo no mesmo gênero também? Guerra nas Estrelas é tematicamente parecido com Nascido para Matar?
Não. Claro que não. Por mais que existam trocentas histórias sobre guerras, o foco varia muito. As mensagens que essas histórias buscam passar variam muito. Em muitas, a idéia é simplesmente narrar a superioridade do lado vencedor (pensem nas epopéias clássicas), em muitas outras o objetivo é mostrar a dor e o sofrimento dos sobreviventes. Histórias de guerra podem tanto focar no egoísmo e no lado negro dos seres humanos, assim como podem mostrar o lado bom da humanidade, onde alguns fazem o que podem para salvar a maior quantidade de pessoas possível.
Super-heróis, para mim, podem ser o mesmo (novamente: guardadas as devidas proporções).
Posso criar uma história onde o foco é nesse indivíduo especial que obtém super-poderes e como seus super-poderes o deixam super-poderoso? Posso. Mas eu também posso criar uma história que trabalha os problemas do vício, como isso afeta a vida de uma pessoa, mesmo que ela tenha super-poderes. Uma história sobre preconceito e racismo, onde os indivíduos com super-poderes são excluídos da sociedade. Uma história sobre encarar a própria morte, ainda mais quando se tem super-poderes e você é um ícone para muitos. Ou mesmo uma história de assalto com elementos humorísticos onde o assaltante possui super-poderes.
E, é claro, uma história sobre relacionamentos abusivos e abuso sexual, onde os super-poderes do estuprador funcionam bem como metáfora para os poderes que a sociedade dá para aqueles que estão em posição de superioridade e cometem abusos.
Deu pra entender porque Jessica Jones é, sim, uma história de super-herói, ou melhor, uma história de super-heroína? E que isso não diminui, em absoluto, a qualidade da série?
Vou presumir que vocês responderam “sim”, até para eu poder continuar o texto e trabalhar a outra parte da questão toda: a importância de uma história de super-heroína abordar o tema de abuso sexual e relacionamentos abusivos.
Vou fazer a próxima afirmação sem ir atrás de dados estatísticos que a comprovem, mas imagino que não precisarei deles para estar certo: o principal público consumidor das histórias de super-heróis, historicamente falando, sempre foi masculino.
Não estou falando que não existiam consumidoras do sexo feminino, mas sim que a maioria era masculina.
Isso, infelizmente, gerou uma conseqüência um tanto desagradável: muitas histórias de super-heróis sempre tiveram um forte cunho sexista. Na verdade, agora que estou pensando, não sei dizer se o sexismo existente na maioria das histórias de super-heróis foi conseqüência do principal público consumidor ser homem ou se ele foi usado nas histórias justamente para atrair o público masculino. Provavelmente foi uma mistura das duas coisas, com uma pitada de “a sociedade em que vivemos é sexista”.
A questão é: histórias de super-heróis não são aquilo que eu chamaria de igualitárias na questão de gênero (nem de raça e nem de orientação sexual, mas essa deixemos essas discussões para outro dia).
A situação está melhorando nos últimos anos, mas ainda têm muitos problemas para serem resolvidos, tanto do lado da produção quanto do lado dos consumidores.
Com isso em mente, posso voltar a falar de Jessica Jones.
Para começo de conversa, a personagem principal de Jessica Jones é uma mulher (dã). Mais do que isto: é uma personagem complexa, com forças, fraquezas, virtudes e vícios. Pode parecer estranho, mas ter uma mulher retratada como um ser humano complexo já é um feito por si só. E não é só ela, temos também sua irmã adotiva/melhor amiga e sua advogada, outras personagens femininas com uma profundidade maior que o pires rosa usado normalmente para personagens assim.
Em seguida, temos o fato que todas essas mulheres não são desnecessariamente sexualizadas só para prender a atenção da audiência masculina na base da ereção. Se alguém foi sexualizado na série, foi o Luke Cage (aaaaabs), e nem foi muito exagerado. Só um pouquinho.
Para finalizar, temos O Principal Tema de Jessica Jones™.
Novamente, não me sinto com a capacidade ou a autoridade para aprofundar o assunto, mas só quero lembrar que o modo como a nossa “civilização” trata o assunto é terrivelmente escrota e sexista: temos a horrível tendência a duvidar e culpar a vítima (tipicamente uma mulher) e a justificar e atenuar as motivações do criminoso (tipicamente um homem). Mas, como já falei antes, Jessica Jones soube trabalhar bem o assunto e escancarar a canalhice do abusador (Kilgrave), a dor e o sofrimento das vítimas (Jessica, Hope e mesmo o Malcolm e o Simpson, entre outros) e a atitude escrota das pessoas em volta (Jeri, Luke, Clemons, etc).
Resumindo: Jessica Jones é uma história que soube representar mulheres como seres humanos e não como objetos e ainda trabalhou de maneira inteligente e realista (mesmo com super-poderes) um assunto que possui um forte viés sexista na sociedade, passando uma mensagem feminista importantíssima para as pessoas pensarem e analisarem sobre si mesmas.
E isso tudo é ainda mais importante porque Jessica Jones é uma história de super-heroína.
Porque ela representa uma evolução das histórias de super-heróis.
Porque ela é outro passo importante na questão de representatividade nas histórias de super-heróis.
Porque ela atinge um público que nunca teve muito acesso a obras desse tipo.
Porque ela amplia e apresenta para mais pessoas o potencial desse instrumento diegético que são os super-heróis.
Tirar isso de Jessica Jones, tirar da série a classificação de “história de super-herói” não a faz melhor, apenas reduz a importância histórica dela dentro da evolução das histórias de super-herói.
Apenas a diminui.
Super-heróis, super-vilões e super-poderes não são uma coisa inerentemente incultas ou pobres (narrativamente falando), eles são um instrumento diegético que, nas mãos certas, funcionam muito bem para criar analogias e metáforas com o mundo real e, assim, refletirmos sobre ele.
Infelizmente, esse instrumento foi, por muito tempo, usado para criar narrativas com um forte viés sexista e focadas num público-alvo masculino.
Mas a situação está melhorando. Novas histórias estão surgindo e tendo um tom mais inclusivo e igualitário.
Histórias como a de Jessica Jones.
Não sei se esta série vai ser realmente um grande marco da evolução da representatividade feminina em histórias de super-herói, ou sequer se ela realmente vai fazer uma grande diferença cultural em como lidamos com O Principal Tema de Jessica Jones™.
Mas uma coisa eu sei: Jessica Jones é uma história de super-heroína feminista que aborda uma questão social séria.
Tirar qualquer parte desta afirmação serve apenas para tirar mérito da série ou demonstrar sua ignorância.
E me irritar. Vocês não querem me ver irritado.
Mas surgiu um assunto que eu realmente quero escrever sobre e que não tem a ver com games, por isso aqui estou. Antes de começar, porém, alguns avisos:
1 - SPOILER ALERT! Se você não viu Jessica Jones e não quer spoilers, não leia este texto ainda. Não pretendo pôr muitos spoilers, na verdade, mas vão ter alguns inevitavelmente. Sem contar que o que é spoiler para alguns não é nada de mais para outros, então prefiro deixar avisado que vai ter spoilers de qualquer jeito.
2 - Outras pessoas, provavelmente mais inteligentes e com mais autoridade do que eu, já devem ter discursado sobre o tema deste post em diversos outros momentos da história da humanidade. Mas eu quero dar a minha mijadinha intelectual aqui para marcar como meu o território referente ao assunto, então me deixem em paz para falar disto.
3 - Não li Alias, a série em quadrinhos que inspirou a série no Netflix, então é bem capaz de eu falar alguma bobagem sobre a personagem. Na real, nunca fui muito de ler HQs de super-heróis em geral, o que tira ainda mais credibilidade do que eu vou dissertar aqui. Mas sou um grande fã dos filmes e séries de super-heróis que andam saindo (mais as da Marvel, mas tenho muita curiosidade em ver o Flash).
4 - Este post não é uma indireta específica para ninguém em especial, só para a Thaísa do RH. Então, se você não é a Thaísa do RH e sentir que este post é sobre você, desculpa, não era a intenção te ofender, espero apenas que este post te ajude a refletir. Agora, se você é a Thaísa do RH, você está claramente errada e eu estou certo.
Ótimo, chega de avisos, vamos logo para o assunto:
O(s) tema(s) de Jessica Jones
Jessica Jones é muito bom. Muito mesmo. Espetacular. Não me considero um grande crítico de obras audiovisuais, mas senti que todos os atores mandaram muito bem, que os roteiros eram fantásticos, que a fotografia ficou foda e que praticamente tudo funcionou. Eu até tenho algumas pequenas críticas para pequenos detalhes da série, mas vou deixar elas fora deste texto que elas não vão acrescentar muito aqui.
De qualquer maneira: eu gostei pra cacete da série. Mais até que do Demolidor, virou a minha série de TV não animada favorita de super-heróis (ainda tenho um carinho nostálgico muito forte pela série animada do Batman). E eu sei que não fui o único a adorar a série, pois vi muita gente, tanto críticos quanto pessoas normais (vocês entenderam o que eu quis dizer com esta comparação) falando muito bem da série.
Mas eu vi um certo discursinho surgindo sobre Jessica Jones que me irritou profundamente:
“Jessica Jones não é uma série sobre super-heróis, é sobre relacionamento abusivos/abuso sexual.”
Muito bem.
Então.
Seguinte.
Antes que alguém queira gritar na minha cara, deixem-me esclarecer o que me irrita nessa frase.
Comecemos com a segunda parte da frase: relacionamentos abusivos/abuso sexual.
Sim, este é um dos, ou melhor, é O Principal Tema de Jessica Jones™. Não tem nem o que discutir, o comportamento do Kilgrave é praticamente um espelho de um parceiro abusivo, se colocando como um tipo de salvador da Jessica, e tratando todas as merdas que ele fez (e ainda faz) como se fossem um mimo, um agrado, para ela, sem perceber como ele está sendo intrusivo, violento e escroto. E, vendo o stress pós-traumático da Jessica, não tem como não perceber os paralelos com vítimas reais de abuso. Sem contar que eles tiveram a coragem de ir até o ponto mais crucial e horrível desse tipo de história, que é a reação das pessoas ao redor. Ninguém acreditava no que tinha acontecido com a Jessica e com a Hope, pelo menos não até ter acontecido com eles mesmos. Sério, se você não percebeu que este era O Principal Tema de Jessica Jones™, assista de novo prestando mais atenção.
E, só porque eu sinto que tenho que admitir isto, percebi que eu mesmo já fiz ou pensei em fazer algumas das escrotices do Kilgrave. Fiquei com um certo nojo de mim mesmo em alguns momentos da série, pra dizer a verdade.
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| Tipo o porão do meu apartamento, onde guardo todas as fotos da minha namorada. Espero que ela nunca descubra. |
Mas enfim, não sou alguém com a capacidade ou a autoridade de aprofundar sobre algo tão complexo quanto O Principal Tema de Jessica Jones™ (apesar de que vou retomar o assunto mais pra frente).
O que eu quero dizer com tudo isto é que não é a parte sobre relacionamentos abusivos/abuso sexual que me irritou na citação acima.
O que me irritou foi a desconsideração pelos super-heróis.
Que super-poderes e heroísmo são, sim, temas de Jessica Jones.
Super-poderes para dar e vender
Qual foi a parte onde um cara pega uma serra circular Bosch e tenta serrar o próprio abdome e não acontece nada que você não percebeu que demonstrava a existência de super-poderes na história? Ou a moça que pula facilmente até o segundo andar de um prédio? Ou o cara que controla a mente dos outros só falando?
Sério, Jessica Jones fica alardeando a presença de super-poderes na série como se não houvesse amanhã. Acho até que tem mais super-poderes por página de roteiro em Jessica Jones que nos filmes do Capitão América, e num deles tem o
Além disso, é a super-força da Jessica que alimenta um dos principais questionamentos da personagem, sobre ela se tornar ou não a heroína que a Trish quer que ela seja (sim, tem toda a questão dela questionar os próprios valores morais, assim como o sentimento de culpa por ter matado a Reva, mas convenhamos: sem sua super-força, ela não ia ficar se cobrando tanto sobre se tornar uma heroína) (pelo menos na minha opinião).
E, é óbvio, os poderes do Kilgrave, que só fazem a história existir.
O que eu quero dizer é: Jessica Jones não apenas possui super-poderes, super-vilões e super-heroínas, como super-poderes fazem parte das motivações dos personagens e da estrutura da história. Falar que a série não é sobre super-heróis é uma afirmação tola, para dizer o mínimo.
– Mas, Vitor, – diz uma voz vinda do RH – a pessoa que fez tal afirmação só estava querendo fazer uma hipérbole com o objetivo de chamar a atenção para O Principal Tema de Jessica Jones™, que é algo importante de ser discutido em cultura pop e na sociedade como um todo!
Ok. Tudo bem. Se tem uma coisa que eu sei muito bem como funciona, é o uso de hipérbole na internet com o objetivo de chamar a atenção e manipular um discurso. E, de fato, O Principal Tema de Jessica Jones™ é infinitamente mais importante do que super-poderes, tanto culturalmente quanto socialmente falando.
Mas isso não muda o fato que essa hipérbole despreza o valor dos super-heróis, e eu acho que fazer isso só ajuda a piorar a discussão em torno d’O Principal Tema de Jessica Jones™.
O valor dos super-heróis
Comecemos admitindo o óbvio: super-heróis, ou pelo menos o conceito moderno de super-heróis na cultura pop (porque, se perguntar pra mim, personagens mitológicos como Hércules, Isis e Jesus são super-heróis também), nasceram como uma diversão para crianças. As histórias eram simples, coloridas e fantásticas, valores considerados até hoje exclusivamente infantis (por mais que não sejam, mas isto é assunto para outro dia), deixando esse estigma nas histórias de super-heróis como coisa de criança. Por isso que quando sai uma obra mais adulta ou com temas mais sérios envolvendo super-heróis, uma das primeiras reações de quem não conhece o assunto é dizer que nem parece ou que não é uma história de super-heróis.
Só que acontece o seguinte: super-heróis não são uma coisa só para crianças. Faz tempo. Ou vocês acham que a bilheteria dos filmes da Marvel consistem apenas de pais levando os filhos pro cinema? Claro que não. Super-heróis conquistaram diversas pessoas, das mais variadas idades e origens.
A questão é que super-heróis, na minha opinião, vão além de ser um tema ou um gênero de história: eles podem ser um instrumento diegético. Ou seja, super-heróis podem ser utilizados como um elemento do universo como outro qualquer para passar seu tema principal, sem necessariamente ser o foco central da narrativa.
Vou tentar dar um exemplo do que eu estou pensando com outra coisa que eu sinto que pode tanto ser um tema quanto um instrumento diegético (guardadas as devidas proporções): guerras.
O que você considera um filme de guerra? Um que foca nos soldados? Um que relata a sobrevivência dos civis envolvidos? Nós devíamos ensacar todos os filmes que envolvem alguma batalha de algum tipo no mesmo gênero também? Guerra nas Estrelas é tematicamente parecido com Nascido para Matar?
Não. Claro que não. Por mais que existam trocentas histórias sobre guerras, o foco varia muito. As mensagens que essas histórias buscam passar variam muito. Em muitas, a idéia é simplesmente narrar a superioridade do lado vencedor (pensem nas epopéias clássicas), em muitas outras o objetivo é mostrar a dor e o sofrimento dos sobreviventes. Histórias de guerra podem tanto focar no egoísmo e no lado negro dos seres humanos, assim como podem mostrar o lado bom da humanidade, onde alguns fazem o que podem para salvar a maior quantidade de pessoas possível.
Super-heróis, para mim, podem ser o mesmo (novamente: guardadas as devidas proporções).
Posso criar uma história onde o foco é nesse indivíduo especial que obtém super-poderes e como seus super-poderes o deixam super-poderoso? Posso. Mas eu também posso criar uma história que trabalha os problemas do vício, como isso afeta a vida de uma pessoa, mesmo que ela tenha super-poderes. Uma história sobre preconceito e racismo, onde os indivíduos com super-poderes são excluídos da sociedade. Uma história sobre encarar a própria morte, ainda mais quando se tem super-poderes e você é um ícone para muitos. Ou mesmo uma história de assalto com elementos humorísticos onde o assaltante possui super-poderes.
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| Se depois de ver esta página, que é a melhor história já escrita sobre o Super-Homem, você ainda não ver o potencial diegético de super-poderes, vai enfiar a cara na privada. |
E, é claro, uma história sobre relacionamentos abusivos e abuso sexual, onde os super-poderes do estuprador funcionam bem como metáfora para os poderes que a sociedade dá para aqueles que estão em posição de superioridade e cometem abusos.
Deu pra entender porque Jessica Jones é, sim, uma história de super-herói, ou melhor, uma história de super-heroína? E que isso não diminui, em absoluto, a qualidade da série?
Vou presumir que vocês responderam “sim”, até para eu poder continuar o texto e trabalhar a outra parte da questão toda: a importância de uma história de super-heroína abordar o tema de abuso sexual e relacionamentos abusivos.
Apresentando O Principal Tema de Jessica Jones™ para quem mais precisa entendê-lo
Vou fazer a próxima afirmação sem ir atrás de dados estatísticos que a comprovem, mas imagino que não precisarei deles para estar certo: o principal público consumidor das histórias de super-heróis, historicamente falando, sempre foi masculino.
Não estou falando que não existiam consumidoras do sexo feminino, mas sim que a maioria era masculina.
Isso, infelizmente, gerou uma conseqüência um tanto desagradável: muitas histórias de super-heróis sempre tiveram um forte cunho sexista. Na verdade, agora que estou pensando, não sei dizer se o sexismo existente na maioria das histórias de super-heróis foi conseqüência do principal público consumidor ser homem ou se ele foi usado nas histórias justamente para atrair o público masculino. Provavelmente foi uma mistura das duas coisas, com uma pitada de “a sociedade em que vivemos é sexista”.
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| Acho que podemos acrescentar uma dose de “burrice crônica” e “completa falta de noção” na conta. |
A questão é: histórias de super-heróis não são aquilo que eu chamaria de igualitárias na questão de gênero (nem de raça e nem de orientação sexual, mas essa deixemos essas discussões para outro dia).
A situação está melhorando nos últimos anos, mas ainda têm muitos problemas para serem resolvidos, tanto do lado da produção quanto do lado dos consumidores.
Com isso em mente, posso voltar a falar de Jessica Jones.
Para começo de conversa, a personagem principal de Jessica Jones é uma mulher (dã). Mais do que isto: é uma personagem complexa, com forças, fraquezas, virtudes e vícios. Pode parecer estranho, mas ter uma mulher retratada como um ser humano complexo já é um feito por si só. E não é só ela, temos também sua irmã adotiva/melhor amiga e sua advogada, outras personagens femininas com uma profundidade maior que o pires rosa usado normalmente para personagens assim.
Em seguida, temos o fato que todas essas mulheres não são desnecessariamente sexualizadas só para prender a atenção da audiência masculina na base da ereção. Se alguém foi sexualizado na série, foi o Luke Cage (aaaaabs), e nem foi muito exagerado. Só um pouquinho.
Para finalizar, temos O Principal Tema de Jessica Jones™.
Novamente, não me sinto com a capacidade ou a autoridade para aprofundar o assunto, mas só quero lembrar que o modo como a nossa “civilização” trata o assunto é terrivelmente escrota e sexista: temos a horrível tendência a duvidar e culpar a vítima (tipicamente uma mulher) e a justificar e atenuar as motivações do criminoso (tipicamente um homem). Mas, como já falei antes, Jessica Jones soube trabalhar bem o assunto e escancarar a canalhice do abusador (Kilgrave), a dor e o sofrimento das vítimas (Jessica, Hope e mesmo o Malcolm e o Simpson, entre outros) e a atitude escrota das pessoas em volta (Jeri, Luke, Clemons, etc).
Resumindo: Jessica Jones é uma história que soube representar mulheres como seres humanos e não como objetos e ainda trabalhou de maneira inteligente e realista (mesmo com super-poderes) um assunto que possui um forte viés sexista na sociedade, passando uma mensagem feminista importantíssima para as pessoas pensarem e analisarem sobre si mesmas.
E isso tudo é ainda mais importante porque Jessica Jones é uma história de super-heroína.
Porque ela representa uma evolução das histórias de super-heróis.
Porque ela é outro passo importante na questão de representatividade nas histórias de super-heróis.
Porque ela atinge um público que nunca teve muito acesso a obras desse tipo.
Porque ela amplia e apresenta para mais pessoas o potencial desse instrumento diegético que são os super-heróis.
Tirar isso de Jessica Jones, tirar da série a classificação de “história de super-herói” não a faz melhor, apenas reduz a importância histórica dela dentro da evolução das histórias de super-herói.
Apenas a diminui.
Conclusão
Super-heróis, super-vilões e super-poderes não são uma coisa inerentemente incultas ou pobres (narrativamente falando), eles são um instrumento diegético que, nas mãos certas, funcionam muito bem para criar analogias e metáforas com o mundo real e, assim, refletirmos sobre ele.
Infelizmente, esse instrumento foi, por muito tempo, usado para criar narrativas com um forte viés sexista e focadas num público-alvo masculino.
Mas a situação está melhorando. Novas histórias estão surgindo e tendo um tom mais inclusivo e igualitário.
Histórias como a de Jessica Jones.
Não sei se esta série vai ser realmente um grande marco da evolução da representatividade feminina em histórias de super-herói, ou sequer se ela realmente vai fazer uma grande diferença cultural em como lidamos com O Principal Tema de Jessica Jones™.
Mas uma coisa eu sei: Jessica Jones é uma história de super-heroína feminista que aborda uma questão social séria.
Tirar qualquer parte desta afirmação serve apenas para tirar mérito da série ou demonstrar sua ignorância.
E me irritar. Vocês não querem me ver irritado.
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| E aí? Já estão com medo? |
Tópicos classificatórios:
Conjecturas antropológicas das interrelações humanas na sociedade moderna,
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Jessica Jones,
Quadrinhos,
Séries
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
Sobre até onde uma empresa tem controle sobre seus funcionários
O assunto deste post surgiu por causa de assuntos ligados à industria de games, mas eu sinto que ele tem mais a ver com o meu blog pessoal, só que, ao mesmo tempo, acho que o assunto é interessante para o blog de games. Solução: postá-lo nos dois. Porque os blogs são meus e eu faço o que eu quero com eles, e eu sou um preguiçoso que não quer pensar em outro assunto para o blog de games nesta semana.
De qualquer maneira, o assunto de hoje nasceu por causa de dois acontecimentos recentes: a matéria do jornal japonês Nikkei sobre as condições de trabalho na Konami e a demissão de Chris Pranger da Nintendo.
Sobre o primeiro caso, esta matéria da Nikkei trouxe à tona as péssimas condições de trabalho na Konami, onde os desenvolvedores são vigiados de maneira orwelliana, tendo praticamente todo passo seu observado e documentado dentro da empresa e até mesmo fora dela, e uma cultura da empresa de realocar funcionários que não considera mais tão úteis para funções braçais, como limpeza ou a linha de produção de máquinas de pachinko. Seguindo essa matéria, outros lugares fizeram investigações próprias, descobrindo mais, como o fato da Konami já ter entrado em contato com empresas que contrataram ex-funcionários para denegrir suas imagens (dos ex-funcionários, não dela mesma ou das outras empresas).
Quanto ao segundo, a história é que Chris Pranger, um funcionário da Nintendo Treehouse, a divisão da Nintendo of America que cuida da tradução de jogos, foi demitido após ter participado de um podcast chamado Part-Time Gamers. Não se sabe ao certo se foi simplesmente o fato dele ter ido ao podcast ou se foi alguma coisa específica que ele falou que levou à demissão, mas teorias é o que não falta por aí. Mesmo eu tenho a minha, que o que pegou com a matriz da Nintendo, no Japão, foi ele ter falado do Masahiro Sakurai, diretor de Smash Bros e criador de Kirby, como se ele fosse uma diva, por mais que ele (provavelmente, baseado no que já li) seja uma.
Estas duas histórias são semelhantes não apenas por envolverem empresas japonesas de games, mas porque elas giram em torno de algo que sempre me deixou pensativo: o quanto empresas podem/devem confiar nos funcionários, principalmente em relação à quantidade de informação detida por eles. É uma paranóia corporativa, um medo por parte das empresas de que seus funcionários as traiam e divulguem todos os seus segredos para o mundo, o que criou essa cultura de Acordos de Confidencialidade, ou Non-Disclosure Agreements, como é chamado em inglês (vou me referir a eles como NDAs daqui pra frente, por preferir a sigla em inglês).
Quanto mais eu pensava sobre esses dois episódios e sobre meu histórico como funcionário, mais eu não chegava à conclusão nenhuma. Por isso, resolvi escrever sobre o assunto, tanto para ver se eu descubro algum desfecho satisfatório na minha cabeça quanto para ver se alguém me ilumina quanto à questão (em outras palavras, comentem).
Porém, antes de começar, para variar um pouco, quero deixar claro sobre o que eu não estou falando aqui: isto não é sobre leis trabalhistas, isto não é sobre abuso de poder e bullying emocional em ambientes corporativos, isto não é sobre cultura empresarial que foca em competição e que transforma a vida dos funcionários em um inferno e isto não é sobre “o capitalismo é assim e ponto”. Talvez eu comente um pouco esses assuntos, mas eles não são o foco deste post (pelo menos eu acho que não).
Vamos lá, então?
Acredito que existam dois motivos principais para as empresas ficarem paranóicas com vazamento de informações.
O primeiro, e mais óbvio, é medo de que concorrentes conheçam segredos industriais e assim consigam copiar e lançar o mesmo produto antes. Ou, pior ainda, lançar uma versão melhorada. Ou, no pior dos piores dos casos, eles consigam patentear antes.
Por isso, faz sentido as empresas quererem proteger tais informações. Daí a marcação pra cima dos funcionários, tudo para proteger o mojo, baby. Simples assim, nem sei o que mais acrescentar.
Só que, nos dias de hoje (toda vez que alguém usa a expressão “nos dias de hoje”, além de demonstrar um vocabulário pobre, a pessoa fica parecendo uma velha), existe um segundo motivo, tão grave quanto o primeiro: perder o controle da informação e “queimar” o produto no mercado (até já falei mais ou menos disto antes).
Estamos vivendo numa era de hype, spoilers e facilidade de acesso à informação, então é do interesse das empresas informar os consumidores num ritmo calculado, tanto para eles não esquecerem que o produto existe como para que não desistam dele antes mesmo do lançamento, seja por ficar de saco cheio de tanto ser bombardeado por propagandas quanto por saber que no final tudo era um sonho exibicionista do Coisa, e que ele sempre quis andar pelado por aí. Um exemplo bom é com trailers, tanto de filmes quanto de games: há um planejamento forte quanto à data de lançamento de cada trailer e o que cada trailer vai revelar, justamente para que o filme/game fique na mente das pessoas, e quanto mais próximo do lançamento, mais “lembretes” a empresa manda.
Por isso, quando uma informação vaza, seja por causa de um funcionário, seja por causa de um consumidor com um celular, todo o plano vai por água abaixo, e as empresas menos competentes ficam de mimimi enquanto que as mais espertas tentam usar isso a seu favor.
De qualquer maneira: as empresas querem manipular a informação ao máximo e qualquer furo no plano é um stress desgraçado, por isso é preciso garantir que a ela não vaze.
Em última instância, esses dois motivos giram em torno de garantir um mercado para o produto, seja evitando que a concorrência roube consumidores em potencial, seja evitando que os próprios consumidores percam o interesse. E, sem um mercado, a empresa corre o risco de falir. E falência é ruim.
Como os funcionários são aqueles que mais informações detêm sobre o produto, é preciso encontrar um meio de impedí-los de vazar essas informações. Daí a existência de NDAs e a marcação toda sobre o que eles fazem na internet e com quem eles conversam.
Só que tem hora que isso passa dos limites.
Eu não sei como falar isso sem ser constatando aquilo que era para ser o óbvio: não é para as empresas ficarem tratando os empregados como se eles fossem propriedade delas. Ou melhor, vamos refrasear isso assim: é para as empresas tratarem os funcionários como seres humanos. Ponto.
Portanto, essa coisa da Konami de ficar vigiando a vida dos empregados e querendo controlar cada santo passo que eles dão é um absurdo. Acho que esse é um dos motivos para existirem leis trabalhistas: evitar que o trabalhador vire um escravo. Mas, como já disse antes, não vou discutir essas leis, até porque elas variam de país para país, e é bem possível que tudo o que a Konami fez esteja dentro da lei japonesa. Sem contar que não sou advogado nem nada parecido.
Ao mesmo tempo, acho que as empresas estão no direito delas de exigir sigilo dos funcionários. Afinal, como já expliquei antes, é importante para elas controlarem a informação.
Só que aqui está a parte que muitas empresas não entendem: também é do interesse dos funcionários que essas informações continuem sigilosas. Elas podem influenciar o sucesso do trabalho ou mesmo o futuro do emprego deles.
Quero dizer, é do interesse deles se eles entendem a importância delas.
Que eu acho que esse é outro grande problema: uma falta de alinhamento entre o que a empresa e o que o funcionário acha importante ser sigiloso. É o que me pareceu que aconteceu no caso do Chris Pranger: a Nintendo começou a dar mais liberdade para os empregados, ele achou que tudo bem falar certas coisas num podcast, só que não era. Faltou deixar mais claro para ele o que podia e o que não podia ser dito, assim como faltou da parte dele ir perguntar para os chefes se tudo bem ele ir num podcast.
Aliás, essa é outra coisa complicada, pois ele devia ter que pedir permissão, como uma criança, sobre o que ele pode ou não pode fazer? Como envolve a mídia, quero dizer que sim, mas como alguém que quer confiar mais nos seres humanos e quer tratar outros adultos como pessoas responsáveis, quero dizer não. No final das contas, acho que a resposta correta é que ele devia ter pedido orientação. É diferente de permissão, porque ir ou não é algo que ele deve decidir, mas como ele estaria representando a empresa e não é alguém da área de relações públicas, seria do interesse dela orientá-lo sobre o que ele poderia ou não falar.
No final das contas, tenho a impressão que tudo volta a uma coisa que nunca entendi direito: esse antagonismo entre a empresa e seus empregados, que muita gente, tanto chefes quanto funcionários, gostam de cultivar, como se fossem inimigos mortais que estão em guerra.
Agora que vou escancarar os anos que passei trabalhando com comunicação corporativa, treinamento de gestão e e-learning, mas eu realmente acredito que, numa empresa, todo mundo é um profissional responsável cumprindo uma função combinada, e se alguém falta com suas responsabilidades, seja o chefe atrasando salário (coisa que já passei), seja o funcionário que faz tudo de qualquer jeito e sobra para os outros consertarem (coisa que também já passei), é para resolver o problema com o indivíduo em questão, e não rotular todos como “o inimigo”. E estou falando tanto dos funcionários que tratam todos os chefes como escrotos que só querem ferrá-los como dos chefes que encaram todos os funcionários como vagabundos que só querem sugar o dinheiro da empresa.
E, antes que pareça que estou propagandeando aquela visão cor-de-rosa de gestão onde todo mundo veste a camisa e faz parte da família e sei lá o que mais, estou falando de uma visão mais mercenária e “honrada” do mundo mesmo: se existe um acordo com recompensa financeira e um contrato, é para cumprir com ele porque é assim que pessoas responsáveis e legais devem agir, e é para nos tratarmos como pessoas responsáveis e legais. Se alguém é irresponsável e/ou escroto, aí a gente muda de postura, mas só com o irresponsável escroto, e não com todo mundo.
Já estou ficando redundante de novo mais uma vez, repetindo a mesma idéia com palavras diferentes. Acho melhor concluir logo a coisa toda.
Até onde uma empresa pode controlar a vida dos funcionários?
A resposta ideal seria “nenhum lugar, não é para empresa nenhuma se meter na vida dos funcionários e ponto.”
Mas nós não estamos no mundo ideal, então a melhor resposta que consegui chegar enquanto escrevia isto é: “depende de acordo com o que for combinado entre a empresa e o funcionário, e ambas as partes tem que saber o que é e o que não é importante para cada uma e assim determinar quais informações podem ou não podem sair da empresa.”
Gostaria de acrescentar também um “e também não é para ser escroto.” Óbvio.
E, só para voltar para os dois acontecimentos que me levaram a escrever tudo isto, do modo como enxergo, a Konami está sendo escrota com os funcionários e o Chris Pranger e a Nintendo não souberam se comunicar, levando a uma decisão drástica. Infelizmente, acontece. Tanto as decisões drásticas quanto as empresas escrotas.
• Report: Konami Is Treating Its Staff Like Prisioners (Kotaku)
• Sources: When You Work At Konami, Big Brother Is Always Watching (Kotaku)
• The Silent Hell That Is Konami (The Jimquisition)
• Nintendo Fires Employee For Speaking On Podcast (Kotaku)
• Talking Point: Nintendo's Dismissal of Chris Pranger Highlights Issues With Company Culture (Nintendo Life)
• No, the gaming industry isn't too secretive (Polygon)
De qualquer maneira, o assunto de hoje nasceu por causa de dois acontecimentos recentes: a matéria do jornal japonês Nikkei sobre as condições de trabalho na Konami e a demissão de Chris Pranger da Nintendo.
Sobre o primeiro caso, esta matéria da Nikkei trouxe à tona as péssimas condições de trabalho na Konami, onde os desenvolvedores são vigiados de maneira orwelliana, tendo praticamente todo passo seu observado e documentado dentro da empresa e até mesmo fora dela, e uma cultura da empresa de realocar funcionários que não considera mais tão úteis para funções braçais, como limpeza ou a linha de produção de máquinas de pachinko. Seguindo essa matéria, outros lugares fizeram investigações próprias, descobrindo mais, como o fato da Konami já ter entrado em contato com empresas que contrataram ex-funcionários para denegrir suas imagens (dos ex-funcionários, não dela mesma ou das outras empresas).
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| Não é bem um Big Brother, mas é Big e é quem a Konami usa para vigiar os funcionários. |
Quanto ao segundo, a história é que Chris Pranger, um funcionário da Nintendo Treehouse, a divisão da Nintendo of America que cuida da tradução de jogos, foi demitido após ter participado de um podcast chamado Part-Time Gamers. Não se sabe ao certo se foi simplesmente o fato dele ter ido ao podcast ou se foi alguma coisa específica que ele falou que levou à demissão, mas teorias é o que não falta por aí. Mesmo eu tenho a minha, que o que pegou com a matriz da Nintendo, no Japão, foi ele ter falado do Masahiro Sakurai, diretor de Smash Bros e criador de Kirby, como se ele fosse uma diva, por mais que ele (provavelmente, baseado no que já li) seja uma.
Estas duas histórias são semelhantes não apenas por envolverem empresas japonesas de games, mas porque elas giram em torno de algo que sempre me deixou pensativo: o quanto empresas podem/devem confiar nos funcionários, principalmente em relação à quantidade de informação detida por eles. É uma paranóia corporativa, um medo por parte das empresas de que seus funcionários as traiam e divulguem todos os seus segredos para o mundo, o que criou essa cultura de Acordos de Confidencialidade, ou Non-Disclosure Agreements, como é chamado em inglês (vou me referir a eles como NDAs daqui pra frente, por preferir a sigla em inglês).
Quanto mais eu pensava sobre esses dois episódios e sobre meu histórico como funcionário, mais eu não chegava à conclusão nenhuma. Por isso, resolvi escrever sobre o assunto, tanto para ver se eu descubro algum desfecho satisfatório na minha cabeça quanto para ver se alguém me ilumina quanto à questão (em outras palavras, comentem).
Porém, antes de começar, para variar um pouco, quero deixar claro sobre o que eu não estou falando aqui: isto não é sobre leis trabalhistas, isto não é sobre abuso de poder e bullying emocional em ambientes corporativos, isto não é sobre cultura empresarial que foca em competição e que transforma a vida dos funcionários em um inferno e isto não é sobre “o capitalismo é assim e ponto”. Talvez eu comente um pouco esses assuntos, mas eles não são o foco deste post (pelo menos eu acho que não).
Vamos lá, então?
Controlando a informação
Acredito que existam dois motivos principais para as empresas ficarem paranóicas com vazamento de informações.
O primeiro, e mais óbvio, é medo de que concorrentes conheçam segredos industriais e assim consigam copiar e lançar o mesmo produto antes. Ou, pior ainda, lançar uma versão melhorada. Ou, no pior dos piores dos casos, eles consigam patentear antes.
Por isso, faz sentido as empresas quererem proteger tais informações. Daí a marcação pra cima dos funcionários, tudo para proteger o mojo, baby. Simples assim, nem sei o que mais acrescentar.
Só que, nos dias de hoje (toda vez que alguém usa a expressão “nos dias de hoje”, além de demonstrar um vocabulário pobre, a pessoa fica parecendo uma velha), existe um segundo motivo, tão grave quanto o primeiro: perder o controle da informação e “queimar” o produto no mercado (até já falei mais ou menos disto antes).
Estamos vivendo numa era de hype, spoilers e facilidade de acesso à informação, então é do interesse das empresas informar os consumidores num ritmo calculado, tanto para eles não esquecerem que o produto existe como para que não desistam dele antes mesmo do lançamento, seja por ficar de saco cheio de tanto ser bombardeado por propagandas quanto por saber que no final tudo era um sonho exibicionista do Coisa, e que ele sempre quis andar pelado por aí. Um exemplo bom é com trailers, tanto de filmes quanto de games: há um planejamento forte quanto à data de lançamento de cada trailer e o que cada trailer vai revelar, justamente para que o filme/game fique na mente das pessoas, e quanto mais próximo do lançamento, mais “lembretes” a empresa manda.
Por isso, quando uma informação vaza, seja por causa de um funcionário, seja por causa de um consumidor com um celular, todo o plano vai por água abaixo, e as empresas menos competentes ficam de mimimi enquanto que as mais espertas tentam usar isso a seu favor.
De qualquer maneira: as empresas querem manipular a informação ao máximo e qualquer furo no plano é um stress desgraçado, por isso é preciso garantir que a ela não vaze.
Em última instância, esses dois motivos giram em torno de garantir um mercado para o produto, seja evitando que a concorrência roube consumidores em potencial, seja evitando que os próprios consumidores percam o interesse. E, sem um mercado, a empresa corre o risco de falir. E falência é ruim.
Como os funcionários são aqueles que mais informações detêm sobre o produto, é preciso encontrar um meio de impedí-los de vazar essas informações. Daí a existência de NDAs e a marcação toda sobre o que eles fazem na internet e com quem eles conversam.
Só que tem hora que isso passa dos limites.
Controlando os funcionários
Eu não sei como falar isso sem ser constatando aquilo que era para ser o óbvio: não é para as empresas ficarem tratando os empregados como se eles fossem propriedade delas. Ou melhor, vamos refrasear isso assim: é para as empresas tratarem os funcionários como seres humanos. Ponto.
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| Pikmins, em compensação, podem ser destratados e abusados à vontade. |
Portanto, essa coisa da Konami de ficar vigiando a vida dos empregados e querendo controlar cada santo passo que eles dão é um absurdo. Acho que esse é um dos motivos para existirem leis trabalhistas: evitar que o trabalhador vire um escravo. Mas, como já disse antes, não vou discutir essas leis, até porque elas variam de país para país, e é bem possível que tudo o que a Konami fez esteja dentro da lei japonesa. Sem contar que não sou advogado nem nada parecido.
Ao mesmo tempo, acho que as empresas estão no direito delas de exigir sigilo dos funcionários. Afinal, como já expliquei antes, é importante para elas controlarem a informação.
Só que aqui está a parte que muitas empresas não entendem: também é do interesse dos funcionários que essas informações continuem sigilosas. Elas podem influenciar o sucesso do trabalho ou mesmo o futuro do emprego deles.
Quero dizer, é do interesse deles se eles entendem a importância delas.
Que eu acho que esse é outro grande problema: uma falta de alinhamento entre o que a empresa e o que o funcionário acha importante ser sigiloso. É o que me pareceu que aconteceu no caso do Chris Pranger: a Nintendo começou a dar mais liberdade para os empregados, ele achou que tudo bem falar certas coisas num podcast, só que não era. Faltou deixar mais claro para ele o que podia e o que não podia ser dito, assim como faltou da parte dele ir perguntar para os chefes se tudo bem ele ir num podcast.
Aliás, essa é outra coisa complicada, pois ele devia ter que pedir permissão, como uma criança, sobre o que ele pode ou não pode fazer? Como envolve a mídia, quero dizer que sim, mas como alguém que quer confiar mais nos seres humanos e quer tratar outros adultos como pessoas responsáveis, quero dizer não. No final das contas, acho que a resposta correta é que ele devia ter pedido orientação. É diferente de permissão, porque ir ou não é algo que ele deve decidir, mas como ele estaria representando a empresa e não é alguém da área de relações públicas, seria do interesse dela orientá-lo sobre o que ele poderia ou não falar.
No final das contas, tenho a impressão que tudo volta a uma coisa que nunca entendi direito: esse antagonismo entre a empresa e seus empregados, que muita gente, tanto chefes quanto funcionários, gostam de cultivar, como se fossem inimigos mortais que estão em guerra.
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| A não ser que você trabalhe para este filho da puta, que esse é um inimigo da humanidade. Só de olhar pra cara dele quero socar o monitor (referência, para quem não conhece). |
Agora que vou escancarar os anos que passei trabalhando com comunicação corporativa, treinamento de gestão e e-learning, mas eu realmente acredito que, numa empresa, todo mundo é um profissional responsável cumprindo uma função combinada, e se alguém falta com suas responsabilidades, seja o chefe atrasando salário (coisa que já passei), seja o funcionário que faz tudo de qualquer jeito e sobra para os outros consertarem (coisa que também já passei), é para resolver o problema com o indivíduo em questão, e não rotular todos como “o inimigo”. E estou falando tanto dos funcionários que tratam todos os chefes como escrotos que só querem ferrá-los como dos chefes que encaram todos os funcionários como vagabundos que só querem sugar o dinheiro da empresa.
E, antes que pareça que estou propagandeando aquela visão cor-de-rosa de gestão onde todo mundo veste a camisa e faz parte da família e sei lá o que mais, estou falando de uma visão mais mercenária e “honrada” do mundo mesmo: se existe um acordo com recompensa financeira e um contrato, é para cumprir com ele porque é assim que pessoas responsáveis e legais devem agir, e é para nos tratarmos como pessoas responsáveis e legais. Se alguém é irresponsável e/ou escroto, aí a gente muda de postura, mas só com o irresponsável escroto, e não com todo mundo.
Já estou ficando redundante de novo mais uma vez, repetindo a mesma idéia com palavras diferentes. Acho melhor concluir logo a coisa toda.
Conclusão
Até onde uma empresa pode controlar a vida dos funcionários?
A resposta ideal seria “nenhum lugar, não é para empresa nenhuma se meter na vida dos funcionários e ponto.”
Mas nós não estamos no mundo ideal, então a melhor resposta que consegui chegar enquanto escrevia isto é: “depende de acordo com o que for combinado entre a empresa e o funcionário, e ambas as partes tem que saber o que é e o que não é importante para cada uma e assim determinar quais informações podem ou não podem sair da empresa.”
Gostaria de acrescentar também um “e também não é para ser escroto.” Óbvio.
E, só para voltar para os dois acontecimentos que me levaram a escrever tudo isto, do modo como enxergo, a Konami está sendo escrota com os funcionários e o Chris Pranger e a Nintendo não souberam se comunicar, levando a uma decisão drástica. Infelizmente, acontece. Tanto as decisões drásticas quanto as empresas escrotas.
Links
• Report: Konami Is Treating Its Staff Like Prisioners (Kotaku)
• Sources: When You Work At Konami, Big Brother Is Always Watching (Kotaku)
• The Silent Hell That Is Konami (The Jimquisition)
• Nintendo Fires Employee For Speaking On Podcast (Kotaku)
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Reflexões Aleatórias
sábado, 4 de janeiro de 2014
Sem Assunto
Olá. Feliz ano novo.
Fazem quase seis meses que eu não atualizo esta merda. Que vergonha. Devia ter deixado quieto e desistido. Mas, como eu sou brasileiro, eu não desisto nunca.
AHAHAHAHAHAHAHA.
![]() |
| "Não desiste nun… HAHAHAHAHAHAHA, puta merda, que hilário." |
Pronto, acho que eu estava precisando dar umas risadas.
Enfim. Este blog. Sei lá, depois de uns dois meses sem atualizar, fiquei tentando forçar assunto, e não conseguia escrever nada. Daí desisti. Tentei de novo outras vezes, mas não rolava assunto.
Ou melhor, até apareciam assuntos, mas eu não conseguia ver propósito em escrever nada. Começava a me auto-boicotar e desistia.
Mas, sei lá porquê, hoje, dia primeiro de janeiro de 2014, uma e trinta da madrugada, me deu vontade de escrever. Pro blog.
Que eu não tenha parado de escrever, fiquei vivendo uma mentira deslavada onde eu escrevia algo. Um livro.
AHAHAHAHAHAHAHA.
![]() |
| "Ei, não é tão engraçado assim. Podem parar. Por favor." |
Pronto, podem parar de rir também.
Não vou mais tocar neste assunto até segunda ordem. Vamos fingir que é que nem o verdadeiro Seymour Skinner, ok? Ok.
Enfim, chega de manha e mimimi (piada do link não é idéia minha, estou me apropriando, obrigado autor-original-desta-piada-você-sabe-quem-você-é). Vamos ao assunto deste post.
Que, por mais que ele se chame “Sem Assunto”, ele tem um assunto sim.
Ou melhor, vários. Basicamente, vou escrever tudo o que me vier na telha, celebrando a virada de ano e lembrando este ano que se vai. Vamos lá:
- Este ano tem copa. Estarei torcendo de verdade para uma final Brasil x Argentina, com a Argentina campeã. Continuarei torcendo, em seguida, para que surja uma revolta tão grande na população que os protestos decorrentes desse desastre consigam destruir um dos maiores símbolos de corrupção e coronelismo do Brasil, a CBF. Se bem que, no fundo, o principal motivo é pela piada. Que ia ser hilário. Argentina campeã. No Brasil. Não fica melhor que isso.
- Ainda falando de futebol, vocês sabiam que a maior torcida “específica” de futebol do Brasil é “Nenhum”? Sério. Explicando melhor: Se considerarmos a torcida de cada clube do país, separadamente, e considerarmos as pessoas que não têm time como uma torcida, a maior torcida do Brasil é “Nenhum”. Vou extrapolar um pouco e afirmar que a maior torcida de futebol do Brasil é "Não gosto de futebol". Desde que eu descobri isso tenho pensado em criar uma coisa chamada “Não Gosto De Futebol Clube”, que seria o time para as pessoas que não gostam de futebol dizerem que torcem. Imagino que seria o pastafarianismo do futebol, se é que vocês me entendem. Uma piada-crítica.
- Ainda sobre esportes, não sei explicar porquê, mas ver as notícias sobre o Schumacher em sites ““““““sérios”””””” como o UOL chamando ele de Schumi me dá vontade de chutar o monitor. Soa como se estivessem tratando ele como uma aidoru, a Schumi-chan.
![]() |
| Bons pesadelos para vocês também. |
- Mudando de assunto, uma coisa que todo final de ano eu fico retardadamente obcecado e profundamente irritado e é algo completamente estúpido são as listas de “melhores games do ano”. Eu até consigo entender, num nível racional, que é só a opinião de um grupo de ““““““““““jornalistas”””””””””” de games que trampa num site qualquer, mas ainda assim eu me irrito com certas escolhas. Ou certos jogos que deixaram de ser escolhidos. Normalmente é a segunda opção. O pior é que, muitas vezes, eu começo a torcer para jogos que eu nem joguei. Por exemplo: “The Last of Us”. É o jogo não-Nintendo que eu estou, sinceramente, torcendo para ganhar todos os prêmios, a não ser que seja para perder para Super Mario 3D World ou The Legend of Zelda: A Link Between Worlds. Só que eu não joguei TLoU (mas joguei Mario e Zelda, obviamente). Ele sequer é o tipo de jogo que me atrai muito. Sei lá, acho que se leva a sério demais, e é muito marrom e cinza. Nesse sentido, acho até que eu devia torcer para “Bioshock Infinite” (outro que não joguei), já que ele tem alguma paleta de cores. Só que TLoU é uma série nova, que assumiu certos riscos e tem uma proposta que consigo admirar num jogo. Só por isso, torço para ele. Ou para “The Stanley Parable”. Ou “Papers, Please”. Outros que não joguei.
- Tendo dito isto sobre Mario, Zelda e TLoU, o melhor jogo que eu joguei neste ano que se passou foi “Fire Emblem: Awakening”. Ele é muito “o jogo feito para o Vitor”. Estratégia de turno com elementos de RPG e onde é possível casar com os personagens e criar relacionamentos entre eles? E ainda por cima o jogo não se leva a sério, tendo diálogos leves e bem-humorados, mas trabalhando as relações dos personagens de tal modo que cria episódios altamente emotivos? Melhor jogo de todos os tempos.
- Depois de falar de um jogo que gostei para caralho, um que me decepcionou horrores: “Tales of Xillia”. Como já falei antes, uma das minhas séries de games favoritas da vida é Tales. E “Tales of Xillia” tem tudo o que eu gosto na série: combate em tempo real, gráficos cel-shading imitando anime, personagens tontos porém adoráveis e uma história apocalíptica exagerada, épica e absurda. Só que tem um enormantesco problemaço: a história da Milla. Seguinte: alguém teve a fantástica (sem sarcasmo) idéia de fazer um Tales com dois personagens principais (o Jude e a Milla) e permitir ao jogador escolher qual ponto de vista ele quer seguir na história. Fantástico. Brilhante. Porém, alguém esqueceu de ESCREVER A PORRA DA HISTÓRIA DE MODO A FAZER COM QUE OS DOIS PONTOS DE VISTA FUNCIONASSEM DIREITO. O que eu quero dizer com isso é que eles escreveram a história pensando no Jude e depois ficaram inventando adendos e apêndices para costurar uma pseudo-história para a Milla. Tanto é assim que um personagem secundário morre e você, pobre jogador que resolveu escolher jogar sendo a Milla, só descobre isso ATRAVÉS DE UM RECORDATÓRIO. Sendo que tem a cena da morte de tal personagem na história do Jude. E adivinhem com quem resolvi jogar? Exato. Logo, toda vez que acontecia alguma coisa na história que era muito descaradamente um tipo de tapa-buraco para fazê-la funcionar do ponto de vista da Milla, eu ficava irritado. O que foi, mais ou menos, 87% do tempo.
- Continuando com coisas que me decepcionaram, concluí que o filme que mais desgostei em 2013 foi mesmo “Man of Steel”. Já falei sobre isso, mas devo acrescentar que pensei mais de uma vez em expandir o que escrevi com mais críticas (o começo, em Krypton, ao contrário do que eu falei, não é bom. É uma bosta). Nossa, como esse filme é lamentável. Num ano que teve (e eu assisti) “A Good Day to Die Hard” e “Star Trek: Into the Darkness”, eu encontrar algo pior é uma proeza. Parabéns, “Man of Steel”.
- Se bem que eu não vi “After Earth”. Acho que mesmo eu tenho um mínimo de senso de auto-preservação.
- Tendo dito isto, o meu filme favorito do ano, foi, disparado, “Pacific Rim”. Robôs gigantes lutando com monstros gigantes. Minha criança interior chorou de emoção o filme inteiro. E, antes de me julgarem, lembrem-se que eu gosto de coisas que não se levam a sério. E meu filme favorito da vida é “Wayne’s World”.
- Ainda lembrando este ano que se foi, voltei a assistir anime, e tenho uma recomendação: “Kill la Kill”. Da mesma “escola” que “FLCL” e “Gurren Lagann”. É espetacularmente sensacional. E, como não podia deixar de ser, não se leva a sério.
- Saindo um pouco de assuntos nerds e indo para um dos últimos assunto que tratei neste blog antes do meu hiato, uma coisa que têm me irritado desde o início dos protestos: o termo “coxinha”. Não faz sentido. Não. Faz. O. Menor. Sentido. Para começo de conversa: é uma comida popular. Se ainda quisessem chamar a elite conservadora de “caviar” ou “foie-gras” ou ainda “escalopinhos de vitela wagyu ao molho de cogumelos silvestres com vinho rosé e salpicados de ervas finas”, tudo bem, mas “coxinha”? Vai se foder. E sim, eu pesquisei a origem (afinal, como é difícil procurar as coisas no Google), e dentre as várias que encontrei (aparentemente não há um consenso) a mais repetida origina ela do termo “vale-coxinha” usado por policiais (e professores públicos) para designar o vale-refeição que recebiam do governo. Ou seja, era algo para simbolizar a miséria do trabalhador brasileiro. Enfim, com o tempo, o apelido de “coxinha” pegou nos policiais, já que eles, teoricamente, só se alimentavam de coxinha. Com os seus vale-coxinha. E, como a elite intelectual esquerdista brasileira é muito esperta, ela afiliou o apelido dos policiais ao conservadorismo direitista. Por que isso faz sentido, aparentemente. Lição de casa do dia: refletir sobre o papel da polícia (tanto o teórico quanto o que ela realmente exerce no Brasil) e se ela necessariamente representa a “direita”. Valendo ponto no boletim.
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| E assim, eu aqui nomeio pessoas de esquerda de "brioches", porque contexto histórico que se foda. |
- Já que estamos falando de coisas sérias e política e etc e tal, este ano tem eleição. Provavelmente vou dizer para mim mesmo que vale a pena estudar os candidatos e fazer um voto consciente, provavelmente vou desistir no meio do caminho e votar em qualquer coisa mesmo. Na verdade, acho que minha maior curiosidade é ver o quanto o desempenho do Brasil na copa vai influenciar a campanha dos políticos. Quero acreditar que somos melhores que isso, mas não duvido que apareçam comerciais como “Dilma trouxe o hexa” no caso de vitória e “Dilma humilhou o futebol brasileiro” no caso de derrota.
Pronto, acho que está bom. Fechei um círculo, voltando a falar da copa. E também tô cansado e agora realmente acabou o assunto. Quero ir dormir.
Bom ano pra vocês.
Tópicos classificatórios:
Análises semânticas,
Conjecturas antropológicas das interrelações humanas na sociedade moderna,
Críticas Construtivas,
Eu me explicando sobre mim mesmo acerca da minha pessoa,
Filmes,
Games
quarta-feira, 19 de junho de 2013
A lei que o Brasil mais precisa
Sim, outro post. Já. É o que acontece quando tenho assunto.
E sim, esse título é metido e pretensioso. Mas é que estou tentando chamar a atenção.
Enfim.
Na verdade, este é um “projeto de lei” antigo meu, que eu penso nele faz tempo. Até já pensei em escrever sobre ele no blog antes, mas achava que não havia muito propósito em compartilhar a idéia com o mundo. Achava que, magicamente, a sociedade ia ler minha mente, validar minha lei e mudar o país pra melhor. E também achava que não adiantava nada compartilhar a idéia que não ia passar de mais uma “idéia papo de buteco pra mudar a realidade”.
Ainda acho que essa idéia não vai dar em nada, mas agora, com os protestos e etc, me sinto mais confiante em compartilhar a proposta.
Chega de enrolar.
A lei se chamaria “Lei Quem É Que Manda Nesta Merda” e consiste, basicamente, de um teto salarial para o Poder Legislativo atrelado ao salário mínimo e que só pode ser alterado através de um referendo.
Pronto. Resolveu o Brasil. The end.
Ok, vamos explicar.
Primeiro, se tem uma coisa que eu acho o fim da picada é que o poder legislativo tem controle sobre o próprio salário.
Não sei se existe isso escrito em algum lugar, mas acho que é um tipo de regra óbvia para o bom funcionamento de qualquer empresa: você não deixa os funcionários decidirem o próprio salário. Ponto. Que se você deixar, eles vão querer o máximo possível e vão quebrar a empresa.
Tudo bem, na verdade eu não acho que isso aconteceria de verdade. No fundo, acho que os funcionários e os patrões conseguiriam chegar num consenso e estabelecer um salário razoável pra todo mundo.
Acontece que no cenário do Brasil e o seu poder legislativo, não há um diálogo com os patrões. Que somos nós. O povo brasileiro.
Ou seja, voltando ao paralelo com uma empresa, é como se os funcionários pudessem decidir o próprio salário sem consultar os patrões. E eles não se importam com os patrões. E eles (os funcionários, o legislativo) são, em sua maioria, uns grandes filhos da puta.
O que leva eles a aumentarem o próprio salário quando bem entendem.
Daí a minha solução: limitar o quanto eles ganham.
Mas como decidir um limite? Simples, atrelando esse limite ao quanto os patrões e a empresa ganham: o salário mínimo. Exemplo, limitar o salário deles a dez salários mínimos mensais.
Porque, voltando novamente ao meu paralelo empresarial, outra vantagem desses funcionários é que eles conseguem determinar quanto que a empresa ganha.
Estou falando de impostos.
Como eles conseguem aprovar (acho eu, se alguém que manja mais de legislação quiser me corrigir, por favor o faça) qualquer imposto, eles ficam com a faca e o queijo na mão: podem decidir quanto ganham e o quanto a empresa faz de dinheiro.
Não é a tôa que a corrupção é tão alta no Brasil.
Aliás, não sei como funcionam em outros países, nem sei se existe esta lei que estou propondo em algum outro lugar e, sinceramente, se eu parar pra pesquisar agora, vou desistir de continuar escrevendo e quero terminar essa coisa. Depois eu pesquiso.
Voltando: ligando o salário deles com o salário mínimo, o único meio deles ganharem mais é aumentando o salário mínimo, o que resulta num ganho para todos (mais ou menos, eu sei que não é tão simples, mas continuem comigo).
Só que eles continuam sendo os caras que aprovam ou vetam leis. Se eles quiserem, é só “corrigir” essa lei para, por exemplo, aumentar o salário deles para cinqüenta salários mínimos mensais.
Aí que entra a cartada final: forçar esta lei a só ser mudada através de referendo.
E adivinha o que a população muito provavelmente ia votar?
NÃO, NÉ, CARALHO.
Ou seja, o poder de decidir o salário desses funcionários ia voltar para os patrões.
Nós.
O povo brasileiro.
E essa é a minha “Lei Quem É Que Manda Nesta Merda”, a lei que pode resolver todos os problemas do Brasil.
Sim, eu sei que ela tem seus problemas, como, por exemplo, um desastre econômico decorrente de um aumento desenfreado do salário mínimo. Mas sei lá, eu gosto dessa minha lei.
Afinal, ela mostra pra esses filhos da puta quem é que manda de verdade nesta merda.
E quem, sabe, com essa lei, eu páro de chamar o Brasil de “esta merda”, e começo a chamar ele de “este país”.
E sim, esse título é metido e pretensioso. Mas é que estou tentando chamar a atenção.
Enfim.
Na verdade, este é um “projeto de lei” antigo meu, que eu penso nele faz tempo. Até já pensei em escrever sobre ele no blog antes, mas achava que não havia muito propósito em compartilhar a idéia com o mundo. Achava que, magicamente, a sociedade ia ler minha mente, validar minha lei e mudar o país pra melhor. E também achava que não adiantava nada compartilhar a idéia que não ia passar de mais uma “idéia papo de buteco pra mudar a realidade”.
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| Mas, considerando a situação atual do buteco, é capaz de me ouvirem. |
Ainda acho que essa idéia não vai dar em nada, mas agora, com os protestos e etc, me sinto mais confiante em compartilhar a proposta.
Chega de enrolar.
A lei se chamaria “Lei Quem É Que Manda Nesta Merda” e consiste, basicamente, de um teto salarial para o Poder Legislativo atrelado ao salário mínimo e que só pode ser alterado através de um referendo.
Pronto. Resolveu o Brasil. The end.
Ok, vamos explicar.
Primeiro, se tem uma coisa que eu acho o fim da picada é que o poder legislativo tem controle sobre o próprio salário.
Não sei se existe isso escrito em algum lugar, mas acho que é um tipo de regra óbvia para o bom funcionamento de qualquer empresa: você não deixa os funcionários decidirem o próprio salário. Ponto. Que se você deixar, eles vão querer o máximo possível e vão quebrar a empresa.
Tudo bem, na verdade eu não acho que isso aconteceria de verdade. No fundo, acho que os funcionários e os patrões conseguiriam chegar num consenso e estabelecer um salário razoável pra todo mundo.
Acontece que no cenário do Brasil e o seu poder legislativo, não há um diálogo com os patrões. Que somos nós. O povo brasileiro.
Ou seja, voltando ao paralelo com uma empresa, é como se os funcionários pudessem decidir o próprio salário sem consultar os patrões. E eles não se importam com os patrões. E eles (os funcionários, o legislativo) são, em sua maioria, uns grandes filhos da puta.
O que leva eles a aumentarem o próprio salário quando bem entendem.
Daí a minha solução: limitar o quanto eles ganham.
Mas como decidir um limite? Simples, atrelando esse limite ao quanto os patrões e a empresa ganham: o salário mínimo. Exemplo, limitar o salário deles a dez salários mínimos mensais.
Porque, voltando novamente ao meu paralelo empresarial, outra vantagem desses funcionários é que eles conseguem determinar quanto que a empresa ganha.
Estou falando de impostos.
Como eles conseguem aprovar (acho eu, se alguém que manja mais de legislação quiser me corrigir, por favor o faça) qualquer imposto, eles ficam com a faca e o queijo na mão: podem decidir quanto ganham e o quanto a empresa faz de dinheiro.
Não é a tôa que a corrupção é tão alta no Brasil.
Aliás, não sei como funcionam em outros países, nem sei se existe esta lei que estou propondo em algum outro lugar e, sinceramente, se eu parar pra pesquisar agora, vou desistir de continuar escrevendo e quero terminar essa coisa. Depois eu pesquiso.
Voltando: ligando o salário deles com o salário mínimo, o único meio deles ganharem mais é aumentando o salário mínimo, o que resulta num ganho para todos (mais ou menos, eu sei que não é tão simples, mas continuem comigo).
Só que eles continuam sendo os caras que aprovam ou vetam leis. Se eles quiserem, é só “corrigir” essa lei para, por exemplo, aumentar o salário deles para cinqüenta salários mínimos mensais.
Aí que entra a cartada final: forçar esta lei a só ser mudada através de referendo.
E adivinha o que a população muito provavelmente ia votar?
NÃO, NÉ, CARALHO.
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| O mais legal seriam as propagandas políticas desse referendo. |
Ou seja, o poder de decidir o salário desses funcionários ia voltar para os patrões.
Nós.
O povo brasileiro.
E essa é a minha “Lei Quem É Que Manda Nesta Merda”, a lei que pode resolver todos os problemas do Brasil.
Sim, eu sei que ela tem seus problemas, como, por exemplo, um desastre econômico decorrente de um aumento desenfreado do salário mínimo. Mas sei lá, eu gosto dessa minha lei.
Afinal, ela mostra pra esses filhos da puta quem é que manda de verdade nesta merda.
E quem, sabe, com essa lei, eu páro de chamar o Brasil de “esta merda”, e começo a chamar ele de “este país”.
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terça-feira, 18 de junho de 2013
Você não sabe o que é melhor pra mim, mesmo que você saiba o que é melhor pra mim
Oi.
Então.
Protestos.
Muito legal. Mesmo. Apoio total da minha parte. Acredito muito que estava mais do que na hora de levantarmos a bunda e tentarmos mudar o país.
Não importa que demorou, não importa se esta é ou não a melhor hora, o que importa é que aconteceu. Foram os vinte centavos da virada, as gotas d'água.
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| Eu sei que já fizeram imagens desse tipo, mas queria fazer a minha. |
Por ser um cagão de marca maior e pessoas à minha volta ficarem deveras preocupadas comigo (ou melhor, preocupadas com a incapacidade da PM), não fui a nenhum protesto ainda. Mesmo com vontade. Mas é que dá um medão. Eventualmente eu crio umas bolas e vou participar.
De qualquer maneira, resolvi escrever aqui no blog para refletir sobre algo que estou vendo ser jogado por aí para as pessoas levantarem a bunda e participar dos protestos: o argumento de que “estão protestando por um país melhor para você, então você devia ir protestar também.”
Devo dizer que essa postura me incomoda. Por mais que ela seja verdade.
Basicamente, estou falando do clássico problema de que “humanos não gostam de serem mandados”.
Seguinte: é melhor para todos um país onde a liberdade de expressão é respeitada e a corrupção é punida?
Claro que sim.
Mas todo mundo, acredito, tem um pequeno “Do Contra” que, ao ouvir alguém chegar e falar “Vai lutar pelos seus direitos que é o que é melhor para você!” responde com algo como “Vai à merda, eu faço o que eu quero, e eu quero mais é ser explorado e oprimido! Você não manda em mim! Enfia essa sua liberdade no cu!”
“Então, como você quer convencer as pessoas a participar?”
Aí que está o problema.
Numa realidade utópica, poderíamos explicar os ideais dos protestos com detalhes, dados e evidências e então convidarmos educadamente as pessoas a participar.
(Ou melhor, numa realidade utópica, nem precisaríamos estar protestando, mas vamos com uma utopia por vez.)
Só que: um, muitas pessoas não têm saco ou educação (nos dois sentidos da palavra, sobre ser culto e ser gentil) para ouvir até o fim e dois, as pessoas protestando estão com o sangue fervendo, e fica difícil conversar assim.
Qual a melhor solução, então? Como convencer as pessoas a apoiarem os protestos?
(Sim, eu sei que já tem gente pra caralho participando, mas se você quer a minha opinião, ainda não é o bastante)
Para mim, a melhor solução é tratar os indecisos e os opositores dos protestos como aquilo que eles são: adultos responsáveis.
Logo, ao invés de apontar o dedo e falar “vai apoiar os protestos que estão lutando por você”, acho que deveríamos PERGUNTAR: “Você sabe por que estão protestando?”
Se a pessoa é contrária aos protestos, a resposta vai girar em torno de “por causa de vinte centavos” ou “porque são um bando de baderneiros causando balbúrdia”. Se a pessoa for indecisa, ela possivelmente vai responder com outra pergunta (“por causa de vinte centavos?”) ou com um sincero “não sei”.
E o que respondemos? Com a “nossa verdade”, com o porquê de nós estarmos apoiando os protestos.
E é o que eu vou fazer agora, explicar a “minha verdade”, o porque de eu estar apoiando o movimento.
Eu, por exemplo, não levava os protestos muito a sério quando começaram, pois me pareciam que eram só sobre os vinte centavos.
Mas, de acordo com o que foi acontecendo e fui lendo mais sobre o movimento, cheguei a conclusão que não só esses protestos são importantes, mas como eu devo apoiar e incentivar eles (do meu modo).
E houve um “tipping point” pra mim também: a resposta da PM e dos políticos.
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| Fiz uma versão sem minha cara feia, caso alguém queira. |
Para mim, mais importante que transporte público ou corrupção (que são coisas importantes, não estou negando o valor delas) é a liberdade de expressão. E o governo reprimir ela sempre me deixou muito puto pra caralho mesmo plus plus.
A multa por tirar sarro de candidatos políticos em época de eleição é um exemplo de algo que eu acho simplesmente inconstitucional. Ou os políticos querendo forçar o Google a tirar vídeos do Youtube ou blogs do ar que os criticam - outra coisa ridícula e revoltante.
O mais importante, para mim, é respeitar o direito das pessoas de pensarem e discutirem suas idéias. Impor uma verdade é, a meu ver, reduzir uma pessoa ou um povo a algo menos que “humano”. Por mais que eu tenha minhas ressalvas com uma liberdade de expressão “perfeita”, ainda acho que algo que deva ser protegido a qualquer custo.
Mas eu não sabia como demonstrar minha revolta, já que sempre fui muito desiludido com o poder de um indivíduo em conseguir uma mudança maior no esquema geral das coisas.
Só que, desta vez, eu não apenas me revoltei, mas senti um fiapo de esperança de que agora, com todas essas pessoas e essas causas e esses movimentos e essas motivações, uma mudança pode acontecer.
E é por isso que eu apóio os protestos.
Não ao ponto de arriscar minha saúde, mas acho que já estou chegando lá.
Resumindo, já que o post tá ficando maior que eu esperava:
Não acho que a postura “se você não é parte da solução, você é parte do problema” que vejo muitos propagandearem por aí é boa para a “causa”. Acho que devemos respeitar a inteligência de todos, e apresentar nossas motivações para protestarmos. E, ao final, estender a mão e convidar para o movimento, demonstrando as diversas maneiras que uma pessoa pode apoiar ele - não é obrigatório ir pra rua e correr o risco de apanhar da polícia.
Estou sendo um tanto deslumbrado e ingênuo? Talvez. Mas acho que é melhor fazer as pessoas refletirem com perguntas do que ficarem irritadas com “ordens”.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Faixas de pedestres e flatulência cerebral.
Este é o post que eu fui e voltei e fui e não conseguia terminar. Agora consegui. Não tá fantástico, mas eu precisava acabar ele, de um jeito ou de outro. Enfim.
Nova Iorque. De novo.
Uma das primeiras coisas que me chamou a atenção foi o trânsito de lá. Ou o que eu pude ver do trânsito indo de van do aeroporto até o hotel.
E me pareceu ainda pior que o trânsito de São Paulo.
É, eu sei. Soa impossível, mas realmente parecia pior. Carros cortando as faixas de um lado para o outro, fechando cruzamentos e… bem… essas duas coisas que me chamaram a atenção a princípio. Coisas que você nunca vê em São Paulo.
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| Como este é o único jeito das pessoas entenderem sarcasmo hoje em dia, aqui está a hashtag. |
Depois teve outra coisa que me incomodou muito: os motoristas ignorarem, em grande parte, a faixa de pedestre. Estou falando de parar o carro em cima da faixa no farol vermelho. Parecia que isso simplesmente “é parte do processo”, ou seja, é esperado por todos que os carros parem em cima da faixa. Aqui, pelo menos, ainda dá multa, fazendo com que a maioria dos motoristas evite parar na faixa. Acho.
Enfim, nos primeiros dias, eu tava bem incomodado com o trânsito de Nova Iorque. Me parecia que o pedestre era ainda mais ignorado que em São Paulo.
Só que, depois de alguns dias, eu acabei percebendo uma coisa muito interessante sobre o trânsito lá: não havia semáforos de três fases, como aqui, com o “turno do pedestre”. Lá só tinham duas fases, ambas para os carros. O pedestre? Bem, ele atravessava quando o sinal de pedestre deixava. E era no mesmo momento que os carros que estão indo paralelamente aos pedestres que estão atravessando a rua. Ou seja, o sinal dos carros e o dos pedestres que vão na mesma direção “ficam verdes” ao mesmo tempo. Não sei se deu pra visualizar. Não sou tão bom pra descrever as coisas como o Tolkien.
Só que fica a pergunta: “E se o motorista quiser virar? Vai ter um bando de pedestres atravessando a rua (na faixa, devo ressaltar), o que o motorista nova-iorquino faz?”
Ele pára e espera.
*** Nota não relacionada: o acento agudo de “pára”, do verbo parar, é um dos acentos mais importantes da língua portuguesa, e nunca vou deixar de usar ele, e o novo acordo ortográfico pode ir pra puta que pariu. ***
Sério.
Deixem essa idéia se aprofundar na sua massa cinzenta.
Motoristas parando para pedestres atravessarem sem uma luz mágica específica mandando eles fazerem isso.
No começo, eu ainda parava, olhando para o motorista com cara de cachorro faminto, esperando ele fazer sinalzinho com a mão para eu atravessar (ou não).
Mas o resto da horda de pedestres continuava atravessando como se não houvesse amanhã.
Ou seja, é esperado que o motorista pare para o pedestre atravessar. Por isso, não há semáforo de três fases. O sinal é para todos. E o pedestre tem prioridade.
Acho que é até por causa disso que o trânsito lá é tão horrível - em mais de uma ocasião eu vi só uns dois carros conseguirem passar pelo semáforo por causa da enorme quantidade de pedestres atravessando, gerando um acúmulo de automóveis nos faróis.
Observando mais o comportamento dos pedestres, percebi também que eles (a gigantesca maioria, pelo menos) realmente atravessam na faixa de pedestres. Por aqui é bem um “se dá, sai correndo e atravessa agora”, mas lá as pessoas realmente pareciam dispostas a andar até a faixa e esperar o sinal de pedestres abrir. Acho até que foi um dos momentos que mais me senti turista, quando atravessei uma rua fora da faixa.
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| Olha só como sou turista, atravessando fora da faixa. |
Quando percebi isso, mudei um tanto de idéia sobre trânsito de Nova Iorque. Me pareceu mais civilizado que o de São Paulo.
Agora, porém, olhando em retrospecto, não sei se isso realmente faz o trânsito de NY melhor.
Quero dizer, é legal que o pedestre tem essa prioridade, mas, como já disse, acabava atrapalhando bastante a circulação dos carros. Só que comecei a achar esse esquema relativamente mais perigoso para o pedestre.
É que, a partir de um momento, o pedestre começa a confiar demais no sinal verde e vai atravessando cegamente. Vai que, bem nesse momento, temos um motorista distraído, enviando um SMS enquanto ouve um audiobook e olha o caminho indicado pelo seu GPS?
Pois é.
Aqui chegamos ao assunto que eu realmente queria elaborar, algo que eu fico minhocando bastante toda vez que eu saio a pé por aí (todo dia).
O quanto que eu confio a minha vida nessa luzinha mágica do semáforo?
Muito, aparentemente.
A ponto de ir atravessando a rua sem olhar para os dois lados antes, olhando apenas para o semáforo de pedestres. E arriscando minha vida no processo.
Afinal de contas, o que vai me dar uma visão melhor da rua e do fluxo de carros, o sinal de pedestres ou A PORRA DA RUA?
Mas eu cresci me condicionando a ficar alternando o olhar do semáforo e a rua, sempre tentando ver o melhor momento de atravessar. Se o farol de pedestres tá vermelho, mas não tem carro vindo, eu atravesso. Só que, se o farol de pedestres tá verde, eu não confiro a rua, eu simplesmente vou na fé, crente que o processo civilizatório (o sinal vermelho) vai me proteger.
Os nova-iorquinos elevaram o nível disso, aparentemente, já que nem tem a “fase do pedestre atravessar”. Abriu o sinal, vamos que vamos, a civilização segura as pontas.
Enfim, isso é o glorioso Contrato Social. Nos submetemos a uma série de regras para conseguirmos viver em sociedade. Não quero parecer muito metido, então nem vou me aprofundar no assunto. Se te interessa, vai ler Hobbes. Não, o outro Hobbes.
Mas eu acho que as regras do processo civilizatório superestimam demais o cérebro humano. Afinal de contas, ao confiarmos demais nas engrenagens da sociedade, esquecemos de um fato imutável e absoluto:
Cérebro peida.
O cérebro de todo mundo peida.
E, quando o cérebro peida, a gente perde um momento do desenrolar do tempo-espaço contínuo e isso potencializa a merda.
E sabem o que ajuda a fazer o cérebro peidar?
Excesso de informação.
Muito bem, deixa eu explicar melhor. Voltar para à questão do trânsito. Faixa de pedestre.
Lá estou eu me preparando para atravessar a rua. Tenho duas fontes de informação para dividir meu cérebro. O semáforo e os carros vindo. Uma hora olho pra um e outra pra outro.
Quando meu cérebro conclui que eu posso atravessar, lá vou eu.
Só que, de repente, meu cérebro peida. Olho só para o semáforo. Tá verde pra mim. Não olho a rua. Só que um cara deu aquela aceleradinha pra passar no farol quando ele tá fechando. Pronto, ataque do coração pra todo mundo.
Agora, vamos piorar a situação.
Além do farol e dos carros, estou ouvindo um podcast ou uma música. E estou jogando alguma bobagem no iPhone, como Jetpack Joyride. Ou, quem sabe, estou lendo um livro ou um mangá. E estou bebendo alguma coisa. E, além disso, tem uma “moça da vida” vestida que nem atendente de telemarketing na sexta feira, ou seja, só um tapa-sexo, querendo atravessar a rua também. Ou, ainda, tem alguém com um pug na calçada, algo que sempre me chama a atenção. Sem contar o cheiro nojento de óleo com yakissoba do carrinho na esquina.
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| Meu cérebro me diz para voltar pra casa. |
Resumindo, estou alimentando meu cérebro com feijoada requintada, salada de repolho estragado e torta de batata doce.
Mas eu confio na sociedade. Bato o olho no semáforo, olho de relance para ver se os carros estão parando, e atravesso a rua. Ainda estou vivo.
Acho que estou me perdendo de novo.
O ponto que estou querendo chegar, ou melhor, o questionamento que estou levantando (me senti o lorde filósofo, agora), é o quanto confiamos no nosso cérebro, no cérebro do motorista e no processo civilizatório para fazer uma coisa tão banal quanto atravessar a rua.
Porque nenhum deles é realmente confiável.
Quanto aos nossos cérebros, eles se distraem com qualquer coisa. Não foram feitos para multi-tasking, não importa o quanto nos enganamos quanto à isso. E, quando estamos interagindo no trânsito, a menor distração pode ser fatal.
E a sociedade tenta organizar o seu funcionamento com regras e sinais para nos guiar.
Só que, olhando com calma, um acaba funcionando contra o outro.
Excesso de sinais de trânsito acaba criando pessoas que prestam mais atenção neles que nas outras pessoas, gerando situações perigosas, onde resolvemos atravessar um sinal verde sem antes ter certeza que é realmente seguro.
Sim, o Cracked já falou disso não apenas uma, mas duas vezes. Mas achei tão interessante que quis dar a minha visão dessa merda toda.
Então, basicamente, estou tentando avisar a todos a serem mais cuidadosos no trânsito, preservar mais a vida dos outros, e pararmos de nos distrair com qualquer coisa, dando prioridade às nossas vidas.
Certo?
Mais ou menos.
Que, sinceramente, tenho muitos podcasts para ouvir. Se eu não ouvir enquanto estiver andando por aí, não vou ouvir nunca. E isso é importante. Pra mim.
Assim como tem gente que precisa, sei lá, ler Cinqüenta Tons de Cinza enquanto anda por aí, assim como tem gente que precisa ouvir o jogo do Curíntia enquanto dirige.
E, para isso, precisamos desses sinais cuidando da gente enquanto estamos ocupando nosso cérebro com outras coisas. Mais importantes. Que nossa segurança.
Enfim.
Melhor parar antes que eu aceite os imbecis que tentam mandar SMSs enquanto dirigem.
Não sei mais onde quero chegar com este post.
Vamos concluir assim:
Até inventarem meios de teletransporte ou roupas super resistentes que nos protejam do impacto de um carro a oitenta quilômetros por hora, precisamos equilibrar a atenção que damos para o trânsito e para outras coisas, como podcasts, livros e moças de telemarketing.
Temos todos que seguir a lição que aquela pessoa muito importante para todos nós nos ensinou quando éramos mais jovens:
Seja cuidadoso ou seja atropelado.
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| Se entender essa imagem, quinhentos pontos de internet pra você. |
terça-feira, 22 de maio de 2012
O problema da liberdade de expressão são as pessoas burras
Vamos ser elitezinha cultural paulistana e começar o post citando Evelyn Beatrice Hall, biografista de Voltaire, com a frase que ela usou para ilustrar as crenças dele, que é comumente e erroneamente atribuída ao próprio Voltaire, ou, se você ouvir de um americano, a Thomas Jefferson:
“Não concordo com uma palavra que dizeis, mas defenderei seu direito de dizê-las até o fim.”
Bonito, né?
Funciona bem para mostrar o princípio da liberdade de expressão: Todos têm o direito de falar o que acreditam.
Eu queria ser um ser humano superior e acreditar nisso.
Queria poder ser forte e tornar essa frase, ou melhor, as crenças de Voltaire e da liberdade de expressão, parte da minha filosofia pessoal.
Mas eu não consigo.
Eu simplesmente quero proibir uma série de pessoas de abrirem a boca.
Porque tem muita gente muito burra no mundo.
Não estou falando de pessoas que não tiveram acesso à escola porque tinham que ficar trabalhando numa plantação de iPhones ou numa fábrica de soja transgênica, então esfria as tetas um pouco, esquerdistinha-de-merda-que-estudou-ciências-sociais.
Estou falando de pessoas que se esforçam e se dedicam em serem ignorantes.
Caralho.
Muito ódio. Muito ódio mesmo.
Sério, eu virava chefe da Interpol, fazia o Google e o Facebook me darem as informações de todos que eu classificasse como “cronicamente burros” e ia na casa de cada um desses filhos da puta asfixiar eles com um saquinho plástico, levando-os para o avião-centro-cirúrgico da Interpol e, de algum modo, impossibilitava os imbecis de terem filhos. Vasectomia, ligação de trompas, sei lá. E em seguida largava o tonto no meio do deserto de Góbi ou o de Atacama, o que fosse mais longe da casa do infeliz. Basicamente, eu faria o que a Seleção Natural falhou. Iria chamar isso de “Seleção Vitoriana”, em homenagem à rainha Vitória.
Só que toda vez que me “baixa o Hitler”, eu tento ao máximo dar uma parada, tomar um café, respirar fundo e ver se não estou só sendo prepotente.
E, depois de muito pensar e reescrever o início deste post, cheguei a algumas conclusões.
A primeira gira em torno da semântica da coisa toda. Vamos começar definindo três conceitos: inteligência, ignorância e burrice. E, como já é praxe neste blog, vamos ignorar um pouco o dicionário.
Primeiro, definir o que é um indivíduo inteligente. Vou continuar bancando o intelectualóide e usar conceitos de pessoas mais inteligentes que eu como se eu realmente entendesse eles, mais especificamente a filosofia de Sócrates com pitadas do método científico.
Ou seja, “Só sei que nada sei” como ponto de partida, que, para mim, pode ser explicado como “não sabemos de tudo, sempre podemos aprender mais, e o que sabemos pode não ser definitivo”. A isto eu acrescento o que eu entendo como espinha dorsal do método científico: uma hipótese só pode ser verdadeira se houver alguma evidência empírica para prová-la. Ao encontrar novas evidências ou na ausência de qualquer evidência, a hipótese deve ser descartada e uma nova deve ser elaborada.
Logo, para mim, um indivíduo realmente inteligente é aquele que conhece as próprias limitações do momento (fugindo do efeito Dunning-Kruger) e está sempre disposto a aprender algo novo e a rever seus próprios conceitos ao encontrar novas evidências empíricas.
Sim, estou sendo bem limitador nessa definição (eu não me encaixo nela, me tornando um não-realmente-inteligente), mas acho que é poética o bastante. Sem contar que posso usar a cartada “inteligência específica”, no sentido de que as pessoas podem ser inteligentes em certos aspectos e não-inteligentes em outros.
Segundo, esclarecer a diferença entre o indivíduo ignorante e o burro.
O ignorante, no dicionário deste blog, é aquele que não teve acesso a um determinado conhecimento. O burro, por sua vez, é aquele que, mesmo depois de ter acesso ao conhecimento, se recusa a mudar sua visão sobre determinado assunto.
Por exemplo, alguém que não sabe que a capital do Nepal é Kathmandu é simplesmente ignorante no assunto. E não tem nada de errado com isso, antes que algum de vocês, “sou-importante-demais-para-saber-a-capital-do-Nepal-logo-não-me-dou-ao-trabalho-de-aprender-isto”, se sinta ofendido. Vocês, agora, sabem a capital do Nepal é Kathmandu e deixaram de ser ignorantes no assunto. Pelo menos momentaneamente. Vou perguntar de novo semana que vem. Chamada oral. Valendo nota. E vai cair na prova também.
Seguindo essa minha lógica, todo mundo é um ignorante em algum assunto. Até o Stephen Hawking.
Agora, alguém que se recusa a entender que a capital do Nepal é Kathmandu, mesmo depois de apresentarmos todas as evidências, chegando ao ponto de levar o filho da puta até lá e fazer ele conversar com o presidente, esse sim é um burro.
Basicamente, o burro, para mim, é o infame “pior cego é aquele que não quer ver”.
O pior não é só a questão de não querer entender, é não querer fazer um mínimo de esforço pra entender. Algo como “se é complicado e não consigo entender, deve ser errado ou inútil”. Burro filho da puta.
Então.
Esses aí.
Esses que me irritam. Esses que me dão vontade de socar até dizer chega. Chutar até dar câimbra nas nádegas. Dar elbow drops até deslocar o úmero.
Eles que são o problema da liberdade de expressão.
Vejam bem, para a liberdade de expressão funcionar, ou melhor, para que possamos evoluir enquanto sociedade, nada mais importante que idéias entrando em conflito para assim desenvolvermos novos conceitos e etc.
Só que gente burra pura e simplesmente NÃO ESCUTA.
É um bando de escrotinhos de merda que falam o que bem entendem e depois tampam o ouvido falando lá-lá-lá-lá-lá.
Então, não importa o quanto tentemos trocar idéias, ou o quanto nos prestarmos a ouvir os argumentos dessa corja de estrume acéfalo, eles não vão ouvir o que não concorda com a opinião deles.
Eles que me fazem entender o fascismo e querer limitar a liberdade de expressão, fazendo com que esses burros parem de falar o que pensam. Principalmente porque gente burra tem a inacreditável tendência a acreditar em bobagem.
E existe muita bobajada no mundo.
MUITA.
Conceitos que já foram provados inválidos, histórias que já foram provadas falsas, religiões, etc.
Mas os burros insistem em acreditar. Em ignorar todos os fatos que provam o contrário, só pra se manter num estado de burrice confortável.
“Ah, então você quer fazer campos de concentração onde todos que você classificar como 'burros' deveriam ser eliminados da sociedade, é isso?”
Sim.
No fundo, sim.
Mas isso é inviável.
Até porque ia acontecer uma coisa “O Alienista” e eu ia ser obrigado a eliminar praticamente todos os seres humanos (incluindo eu) (provavelmente seria o segundo da fila, logo depois do Caetano Veloso). Talvez com algumas exceções, mas ia ser gente pra caralho.
E acho que é algo solucionável sem a minha já proposta “Seleção Vitoriana” e sem a imposição de um governo fascista/ditatorial com a minha liderança.
Quer dizer, acho que o governo ditatorial ia ajudar bastante, e a minha “Seleção Vitoriana” é logisticamente mais viável que a alternativa abaixo, mas vamos fingir que não, só pra parecer que eu me importo com os problemas éticos e morais dessas duas soluções.
Para sumir com as pessoas burras, basta ensiná-las a aprender.
Não sei como fazer isso. Mas essa é a idéia. Fazer com que as pessoas queiram saber e aprender mais, e tenham curiosidade de questionar e investigar o que não entendem.
Agora, como conseguir isso, eu não sei. Quer dizer, posso tentar fazer uma revolução e me tornar ditador, mudando completamente o sistema de ensino no mundo, mas já descartei essa opção.
Outra idéia seria vender isso como algo atraente. Usar a publicidade para uma coisa boa, pra variar. Fazer com que as pessoas (ou pelo menos as crianças) queiram ser inteligentes. Mostrar que isso vale a pena.
Sempre existe a opção “Ozymandias”, que é criar uma ameaça tão grande para a vida das pessoas que elas se vejam numa situação onde elas ou se tornam inteligentes ou correm o risco de morrer.
Também tenho a minha solução que envolve proibir certas opiniões, mas essa é mais complexa. Fica pra próxima, senão este post vai ficar excessivamente grande.
Quer saber, foda-se. Minha solução é: ensinar as pessoas a aprender. A trocar informações. A falar e ouvir. A pesquisar. Esse é o objetivo. Esse é o melhor jeito de sumir com os burros.
Os meios para alcançar isso são outros quinhentos.
Acho que vou começar um Kickstarter pra financiar minha revolução ditatorial. Talvez seja mesmo a única solução.
“Não concordo com uma palavra que dizeis, mas defenderei seu direito de dizê-las até o fim.”
Bonito, né?
Funciona bem para mostrar o princípio da liberdade de expressão: Todos têm o direito de falar o que acreditam.
Eu queria ser um ser humano superior e acreditar nisso.
Queria poder ser forte e tornar essa frase, ou melhor, as crenças de Voltaire e da liberdade de expressão, parte da minha filosofia pessoal.
Mas eu não consigo.
Eu simplesmente quero proibir uma série de pessoas de abrirem a boca.
Porque tem muita gente muito burra no mundo.
Não estou falando de pessoas que não tiveram acesso à escola porque tinham que ficar trabalhando numa plantação de iPhones ou numa fábrica de soja transgênica, então esfria as tetas um pouco, esquerdistinha-de-merda-que-estudou-ciências-sociais.
Estou falando de pessoas que se esforçam e se dedicam em serem ignorantes.
Caralho.
Muito ódio. Muito ódio mesmo.
Sério, eu virava chefe da Interpol, fazia o Google e o Facebook me darem as informações de todos que eu classificasse como “cronicamente burros” e ia na casa de cada um desses filhos da puta asfixiar eles com um saquinho plástico, levando-os para o avião-centro-cirúrgico da Interpol e, de algum modo, impossibilitava os imbecis de terem filhos. Vasectomia, ligação de trompas, sei lá. E em seguida largava o tonto no meio do deserto de Góbi ou o de Atacama, o que fosse mais longe da casa do infeliz. Basicamente, eu faria o que a Seleção Natural falhou. Iria chamar isso de “Seleção Vitoriana”, em homenagem à rainha Vitória.
Só que toda vez que me “baixa o Hitler”, eu tento ao máximo dar uma parada, tomar um café, respirar fundo e ver se não estou só sendo prepotente.
| Prepotente, eu? Imagina! Gostou da decoração da minha sala? |
E, depois de muito pensar e reescrever o início deste post, cheguei a algumas conclusões.
A primeira gira em torno da semântica da coisa toda. Vamos começar definindo três conceitos: inteligência, ignorância e burrice. E, como já é praxe neste blog, vamos ignorar um pouco o dicionário.
Primeiro, definir o que é um indivíduo inteligente. Vou continuar bancando o intelectualóide e usar conceitos de pessoas mais inteligentes que eu como se eu realmente entendesse eles, mais especificamente a filosofia de Sócrates com pitadas do método científico.
Ou seja, “Só sei que nada sei” como ponto de partida, que, para mim, pode ser explicado como “não sabemos de tudo, sempre podemos aprender mais, e o que sabemos pode não ser definitivo”. A isto eu acrescento o que eu entendo como espinha dorsal do método científico: uma hipótese só pode ser verdadeira se houver alguma evidência empírica para prová-la. Ao encontrar novas evidências ou na ausência de qualquer evidência, a hipótese deve ser descartada e uma nova deve ser elaborada.
Logo, para mim, um indivíduo realmente inteligente é aquele que conhece as próprias limitações do momento (fugindo do efeito Dunning-Kruger) e está sempre disposto a aprender algo novo e a rever seus próprios conceitos ao encontrar novas evidências empíricas.
Sim, estou sendo bem limitador nessa definição (eu não me encaixo nela, me tornando um não-realmente-inteligente), mas acho que é poética o bastante. Sem contar que posso usar a cartada “inteligência específica”, no sentido de que as pessoas podem ser inteligentes em certos aspectos e não-inteligentes em outros.
Segundo, esclarecer a diferença entre o indivíduo ignorante e o burro.
O ignorante, no dicionário deste blog, é aquele que não teve acesso a um determinado conhecimento. O burro, por sua vez, é aquele que, mesmo depois de ter acesso ao conhecimento, se recusa a mudar sua visão sobre determinado assunto.
Por exemplo, alguém que não sabe que a capital do Nepal é Kathmandu é simplesmente ignorante no assunto. E não tem nada de errado com isso, antes que algum de vocês, “sou-importante-demais-para-saber-a-capital-do-Nepal-logo-não-me-dou-ao-trabalho-de-aprender-isto”, se sinta ofendido. Vocês, agora, sabem a capital do Nepal é Kathmandu e deixaram de ser ignorantes no assunto. Pelo menos momentaneamente. Vou perguntar de novo semana que vem. Chamada oral. Valendo nota. E vai cair na prova também.
Seguindo essa minha lógica, todo mundo é um ignorante em algum assunto. Até o Stephen Hawking.
Agora, alguém que se recusa a entender que a capital do Nepal é Kathmandu, mesmo depois de apresentarmos todas as evidências, chegando ao ponto de levar o filho da puta até lá e fazer ele conversar com o presidente, esse sim é um burro.
Basicamente, o burro, para mim, é o infame “pior cego é aquele que não quer ver”.
O pior não é só a questão de não querer entender, é não querer fazer um mínimo de esforço pra entender. Algo como “se é complicado e não consigo entender, deve ser errado ou inútil”. Burro filho da puta.
Então.
Esses aí.
Esses que me irritam. Esses que me dão vontade de socar até dizer chega. Chutar até dar câimbra nas nádegas. Dar elbow drops até deslocar o úmero.
Eles que são o problema da liberdade de expressão.
Vejam bem, para a liberdade de expressão funcionar, ou melhor, para que possamos evoluir enquanto sociedade, nada mais importante que idéias entrando em conflito para assim desenvolvermos novos conceitos e etc.
Só que gente burra pura e simplesmente NÃO ESCUTA.
É um bando de escrotinhos de merda que falam o que bem entendem e depois tampam o ouvido falando lá-lá-lá-lá-lá.
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| De que tipo de gente será que eu estou falando? |
Então, não importa o quanto tentemos trocar idéias, ou o quanto nos prestarmos a ouvir os argumentos dessa corja de estrume acéfalo, eles não vão ouvir o que não concorda com a opinião deles.
Eles que me fazem entender o fascismo e querer limitar a liberdade de expressão, fazendo com que esses burros parem de falar o que pensam. Principalmente porque gente burra tem a inacreditável tendência a acreditar em bobagem.
E existe muita bobajada no mundo.
MUITA.
Conceitos que já foram provados inválidos, histórias que já foram provadas falsas, religiões, etc.
Mas os burros insistem em acreditar. Em ignorar todos os fatos que provam o contrário, só pra se manter num estado de burrice confortável.
“Ah, então você quer fazer campos de concentração onde todos que você classificar como 'burros' deveriam ser eliminados da sociedade, é isso?”
Sim.
No fundo, sim.
Mas isso é inviável.
Até porque ia acontecer uma coisa “O Alienista” e eu ia ser obrigado a eliminar praticamente todos os seres humanos (incluindo eu) (provavelmente seria o segundo da fila, logo depois do Caetano Veloso). Talvez com algumas exceções, mas ia ser gente pra caralho.
E acho que é algo solucionável sem a minha já proposta “Seleção Vitoriana” e sem a imposição de um governo fascista/ditatorial com a minha liderança.
Quer dizer, acho que o governo ditatorial ia ajudar bastante, e a minha “Seleção Vitoriana” é logisticamente mais viável que a alternativa abaixo, mas vamos fingir que não, só pra parecer que eu me importo com os problemas éticos e morais dessas duas soluções.
Para sumir com as pessoas burras, basta ensiná-las a aprender.
Não sei como fazer isso. Mas essa é a idéia. Fazer com que as pessoas queiram saber e aprender mais, e tenham curiosidade de questionar e investigar o que não entendem.
Agora, como conseguir isso, eu não sei. Quer dizer, posso tentar fazer uma revolução e me tornar ditador, mudando completamente o sistema de ensino no mundo, mas já descartei essa opção.
Outra idéia seria vender isso como algo atraente. Usar a publicidade para uma coisa boa, pra variar. Fazer com que as pessoas (ou pelo menos as crianças) queiram ser inteligentes. Mostrar que isso vale a pena.
Sempre existe a opção “Ozymandias”, que é criar uma ameaça tão grande para a vida das pessoas que elas se vejam numa situação onde elas ou se tornam inteligentes ou correm o risco de morrer.
Também tenho a minha solução que envolve proibir certas opiniões, mas essa é mais complexa. Fica pra próxima, senão este post vai ficar excessivamente grande.
Quer saber, foda-se. Minha solução é: ensinar as pessoas a aprender. A trocar informações. A falar e ouvir. A pesquisar. Esse é o objetivo. Esse é o melhor jeito de sumir com os burros.
Os meios para alcançar isso são outros quinhentos.
Acho que vou começar um Kickstarter pra financiar minha revolução ditatorial. Talvez seja mesmo a única solução.
Tópicos classificatórios:
Análises semânticas,
Conjecturas antropológicas das interrelações humanas na sociedade moderna,
Descarrego de Ira Divina,
Reflexões Aleatórias
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