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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Projetando minha vida em "Frozen"

Olá. Neste post, vou falar de “Frozen”. Então, para quem não viu, aqui vai o aviso: spoilers.

Muito bem, comecemos introduzindo o tema deste post: “Frozen” é, para mim, uma história sobre depressão. A Elsa seria a depressiva e a Anna a pessoa que “resgata” ela, dentro do possível.

Ok, claro que não é uma história sobre depressão. Óbvio que não. É uma metáfora sobre você aceitar quem você é e aprender a gostar de si mesmo, entre outros temas. Mas eu assisti o filme numa época mais instável da minha própria depressão a acabei projetando minha própria vida/doença na personagem da Elsa. E depois, toda análise de qualquer coisa é um ser humano projetando a própria vida em tal coisa e achando significado onde não há nenhum, então me deixa em paz. Aliás, tenho certeza que pessoas com problemas psiquiátricos diferentes do meu poderiam fazer um paralelo do próprio problema e a Elsa, assim como consigo, sem muito esforço, fazer paralelos do filme com Jesus (ela anda na água) ou com o 4chan (trolls arruinam a infância de uma menina).

Enfim, esse post vai ser eu explicando essa minha leitura do filme, ligando o que acontece com a Elsa com minha própria experiência com depressão. Além de uns comentários sobre alguns detalhes do filme que eu achei que poderiam ter sido melhor trabalhados, pois por mais que eu tenha gostado do filme (gostei mesmo, acreditem, ele não é um “Man of Steel”), fiquei com a sensação geral de que ele morreu na praia. Talvez por conta dessa minha projeção toda na história, talvez por conta do hype todo nas internets me influenciando, talvez por ele realmente morrer na praia.

Ou seja, este post vai ser quase que nem ir ao lugar mais feliz da Terra COMIGO! Yay!

Muito bem, vamos lá então.

Vamos começar com a maldição da Elsa. Ela não é a depressão. Ela simplesmente é algo que faz parte dela. Não se explica daonde ela veio nem porquê ela está lá, mas eu acredito que a maldição não é a depressão/doença dela.

A depressão está lá junto com a maldição. E, quando a menina sofre um trauma, a depressão dela, digamos, engata.

E o trauma não foi machucar a irmã.

Sim, machucar a irmã daquele jeito foi um trauma, mas não foi, na minha opinião, o que realmente faz a depressão da Elsa explodir.

O trauma verdadeiro foi o modo como os adultos (e trolls) trataram o machucado da irmã.

Sério, vamos olhar a reação das pessoas, começando com o troll ancião (vamos chamá-lo de pseudo-terapeuta-provavelmente-um-pedagogo-tosco-da-escola, ou PTPUPTDE) lá decide que o melhor modo de proteger (começa por aí, PROTEGER) a Anna da Elsa é modificar as memórias dela para ela não se lembrar dos poderes da irmã.

Só eu acho isso o fim da picada?

Imagina você ouvir que uma pessoa que você ama precisa ser protegida de você. Porque você é um perigo para ela. Mesmo que você tenha o potencial de ser perigoso para essa (ou qualquer outra) pessoa, ouvir isso com todas as palavras quando você é criança de um adulto não é legal, para dizer o mínimo.

E qual a solução que o PTPUPTDE apresenta? Fazer essa pessoa que você ama esquecer parte de quem você é. Num paralelo tosco e exagerado, é fazer uma lobotomia numa criança para ela esquecer que sofreu bullying na escola.

Só que os pais, pessoas esclarecidas que são, percebem como isso é um absurdo e ficam do lado da filha mais velha, porque ela é quem ela é e isso que importa.

Claro que não.

Os pais vão e jogam mais merda no ventilador, escondendo a Elsa da Anna e do resto do reino, ensinando a ela durante ANOS que quem ela é é um horror, algo que precisa ser escondido ATÉ DA PRÓPRIA IRMÃ.

Antes de parecer que eu estou falando que isso não devia estar na história, não é isso que eu estou falando. Só estou julgando os acontecimentos, mas os roteiristas podem contar a história que bem entenderem.

Recapitulando: a Elsa machucou a irmã, um “especialista” (ou seja, uma figura de autoridade, uma vez que os próprios pais respeitavam o PTPUPTDE) diagnosticou o problema como sendo ela mesma e os pais foram nessa e esconderam ela do mundo.

Não tem criança que não traumatize com isso.

Essa parte dos pais esconderem ela, inclusive, pode ser um paralelo com diversas outras coisas (não quero dar exemplos para não passar alguma mensagem dúbia ou errada), onde quem você é é uma fonte de vergonha/medo para os próprios pais.

Assim definimos qual foi o trauma que deu o kickstart na depressão da Elsa. Mas, antes de continuarmos com ela, vamos falar um pouco sobre os pais e sobre a Anna.

Sim, por mais que eu tenha pintado os pais delas como uns monstros insensíveis, eu sei que eles só estavam querendo ajudar. Estavam fazendo o melhor que podiam. Assim como é parte de ser pai traumatizar os filhos. Existe até o argumento de que nessa época em que a história se passa, o fato dos pais não terem queimado a menina numa fogueira os tornam os pais do ano.

E, como argumento supremo defendendo os pais, eu não tenho filhos, logo não sei como eu reagiria nessa situação.

Mas que eles jogaram mais merda no ventilador, eles jogaram.

Quanto à Anna, existe uma questão que tenho que comentar antes de continuar: “E porque a Anna não ficou depressiva também?”

Afinal de contas, ser excluída pela irmã por toda a juventude não é legal, assim como ser proibida de sair de casa.

Muito bem, vou tentar responder isso do modo mais claro possível: a Anna é a Anna e a Elsa é a Elsa. A Anna se traumatizou com a irmã? Sim. Mas ela não é a Elsa, ela provavelmente não tem a mesma depressão que a irmã.

Isso é uma coisa que, imagino eu, muita gente deva ter dificuldade de entender. Eu sei que eu tenho, por mais que eu sempre me esforce para tentar ver isso. Mas a verdade é: pessoas diferentes encaram os problemas que a vida apresenta de maneiras diferentes, e algumas pessoas, como a Elsa (de acordo com a minha projeção toda sobre o filme) têm depressão, dificultando ainda mais o modo como elas encaram os traumas da vida.

Estou falando isso por dois motivos: o primeiro, para admirarmos a Anna, que soube se manter otimista em relação à irmã, mesmo sendo excluída por ela, e segundo, para não compararmos a reação das duas perante problemas que a vida apresentou para elas.

Quero dizer, elas parecem diferentes. Sou descendente de japonês, não sou muito bom diferenciando caucasianos.

Muito importante essa segunda parte, pessoas. Cada um tem seus próprios problemas, os encara de maneiras diferentes e têm dificuldades e facilidades em aspectos específicos para si.

Deu pra entender? Espero que sim, que não sei explicar melhor.

Continuando. Vamos para a coroação da Elsa, assim como a introdução do outro tema de “Frozen”: “não tenha pressa de se apaixonar”.

Acho que não tem muita discussão quanto a esse ser um dos verdadeiros temas de “Frozen”, então vou falar rapidamente dele: a Anna era uma jovem sonhadora que, fascinada pelas histórias exageradas de príncipes encantados que a Disney alimentou ela durante toda a vida, não via a hora de conhecer seu príncipe encantado e viver feliz para sempre com ele. Só que ela quebra a cara mais pra frente no filme, descobre que o “amor da vida dela” era um escroto e que havia um cara melhor, o segundo cara que ela conheceu no dia.

Tirando o sarcasmo do parágrafo anterior, eu realmente achei bom a Disney reconhecer num filme de princesa que a vida não é feita de “amores à primeira vista”. Sério, isso é algo importante, e espero que continue melhorando. Até está num caminho bom, tivemos a Merida que ficou solteira e a Vanellope que abdicou do trono para instaurar uma democracia presidencialista (eu sei que isso não tem nada a ver com se apaixonar, só queria falar da Vanellope) (aliás, spoilers de “Brave” e “Wreck-it Ralph”, ops). Só sei que se voltar para a coisa de “amor à primeira vista” vou ficar um tanto decepcionado.

E mesmo esse tema do “amor verdadeiro” da Anna volta para ser trabalhado com o tema que só eu vejo, a depressão da Elsa. Aliás, voltemos a ele.

A coroação foi basicamente o segredo da Elsa vindo à tona e as pessoas ficando com medo dela, como se ela fosse um monstro. O que a faz fugir de tudo.

Vou fazer agora um (outro) paralelo um pouco (muito) forçado em relação a essa seqüência, usando por base uma tendência natural do cérebro humano aplicada à mente depressiva: o viés de confirmação (confirmation bias em inglês, link para a wikipedia em inglês por razões óbvias).

O viés de confirmação possui alguns aspectos diferentes, mas o que me interessa aqui é a tendência de interpretarmos diversos fatos que acontecem de modo a confirmar nossa opinião, ao invés de enxergarmos a possibilidade de estarmos errados. O melhor exemplo que me ocorre agora, infelizmente, tem a ver com política: pessoas de posições políticas diferentes podem ver um mesmo evento e torná-lo algo pró-seu-ponto-de-vista. Como, digamos, um protesto na rua contra aumento de passe, que um conservador pode ver como algo contra o partido que se encontra no poder e um simpatizante do socialismo pode ver como algo contra o sistema capitalista.

Muito bem, o que isso tem a ver com a Elsa? Nada. O que acontece com ela é real. Os maiores medos dela meio que se tornam realidade - nada do que aconteceu foi ela enxergando o que não ocorreu apenas para confirmar o medo mais profundo dela, o de que ela realmente é um monstro. As pessoas realmente ficaram com medo dela.

Mas não consegui deixar de projetar minhas neuras nessa seqüência toda e ver como eu fico que nem ela quando passo por uma crise mais trash e começo a achar que todos os meus medos são reais e as pessoas à minha volta estão confirmando todos eles. Basicamente, meu cérebro começa a enxergar tudo à minha volta como uma prova definitiva e irrefutável de que sim, eu sou um fracasso e nunca deveria ter nascido (numa versão simplificada do que eu penso, é um pouco mais complexo que isso). Dá vontade de fugir e se isolar de tudo.

O que nos leva à próxima parte da história.

A Elsa realizando um dos sonhos de todo depressivo/psicopata/ser humano: fugir, se isolar e finalmente ser o monstro que acredita ser, mandando tudo à merda.

E essa seqüência é, acredito, catártica para qualquer um. Se libertar de quem você passou a vida tentando ser e viver do jeito que você entender. Melhor que isso, se libertar cantando. Sem contar os olhares cartoon smexy #27 e cartoon smexy #48 que ela faz quando canta que o frio nunca a incomodou.

Cuidado para não confundir com o “olhar Dreamworks”.

Não tenho muito o que dizer sobre a “libertação” dela no momento. Vou ter o que dizer quando percebemos, mais pra frente, que ela não se libertou de verdade.

Mas, primeiro, vou comentar sobre uma coisa que me incomodou profundamente na cena anterior à música, que é a da Anna saindo do reino e deixando tudo nas mãos do príncipe Hans.

Sério que ninguém nativo do reino achou problemático deixar as coisas nas mãos dele? Sério mesmo?

Essa é a hora que eu senti falta de um personagem “regente que governou enquanto a Elsa não atingia a maioridade”. Não faz o menor sentido não existir esse personagem. A não ser que você, roteirista da história, precise despistar o espectador das verdadeiras intenções do Hans, fazendo uma cena onde ele aparenta cuidar da população e se preocupando com a Anna, saindo atrás dela, e a existência de tal regente provavelmente estragaria esse plano de enganar a audiência.

Porque se esse personagem existisse, a Anna deixaria ele responsável pelo reino, e não haveria desculpa para o Hans não ir com ela atrás da Elsa. O que atrapalharia ela conhecer o Kristoff, etc, etc, deu pra entender meu argumento.

Enfim, voltemos a quem interessa: a Elsa.

Não sei quanto a vocês, mas o filme devia ter mostrado mais ela no castelo sozinha, paralelamente à jornada da Anna. Nem estou falando isso para encaixar mais ela nessa minha leitura/projeção, mas porque eu senti que ficou esse vácuo estranho onde ela aparentemente ficou sentada olhando pra parede esperando a história voltar a focar nela. Sério, mostrava ela dormindo numa cama de gelo que já era o bastante, com ela acordando quando ouve a porta abrindo com a Anna.

Se bem que eu fiquei pirando numa cena alternativa dela sozinha no castelo.

Ok, vou partir de um pressuposto que consigo ver muita gente discordando, mas que, para mim, é verdade: o ser humano, no final das contas, é um bicho social. Ele não precisa necessariamente socializar com outros humanos, mas acredito piamente que, depois de um tempo, começamos a querer interagir com outros seres vivos.

“Mas a Elsa é diferente”, diz você, pessoa fictícia que sempre destrói meus argumentos, “ela está acostumada a ficar sozinha e a se distrair pensando no quanto ela é horrível e um perigo para todos.”

Verdade. Mas isso, além de alimentar minha leitura de que ela é depressiva, também poderia ser tratado como algo que ela deixou pra trás, pois ela não tem mais com quem se preocupar. Ela mesma canta sobre isso, no verso “foda-se o que eles pensam”.

Só que eventualmente ela ia começar a se sentir sozinha.

O que me traz à cena que eu pensei: a Elsa criando outras criaturas de neve para passar o tempo.

Seria um modo dela voltar à outra época em que ela era livre, antes do troll e os pais proibirem ela de ser quem ela é. O que geraria então uma seqüência sobre esquizofrenia bem legal.

Porque, não sei se vocês lembram, ela consegue CRIAR VIDA. Então, nessa minha versão dela sozinha no castelo, ela não apenas cria os bonecos como eles começam a falar com ela. E ela não tem certeza se eles realmente estão falando ou se é ela enlouquecendo. Ia ser melhor ainda se deixássemos o Olaf para esta cena ao invés de apresentá-lo na jornada da Anna, pois assim a própria audiência ficaria na dúvida da sanidade dela.

Se alguém quiser reclamar da mudança de cor da luz, vai ver o filme frame-a-frame e encontrar imagens melhores, que eu desisti no meio do caminho.

No final das contas, ela realmente cria vida e os bonecos falavam com ela, porque magia. Até ia ser interessante cada boneco representar algum sentimento dela, assim como o Olaf representa o amor que ela sente pela irmã e o Marshmallow o medo que ela tem das pessoas e o desejo de ficar sozinha.

Aliás, pequena observação sobre o Olaf: ele foi uma das grandes surpresas do filme para mim, pois quando eu vi o trailer eu fiquei muito “ai, que bosta de mascote alívio cômico, a Disney tá cada vez mais Dreamworks”, mas ele é bem legal. Acho que é o fato dele ser realmente inocente e levemente tonto que o diferencia, chega de mascotes alívio cômico cínicos ou “personalidade-chata-prankster-que-americano-adora-e-eu-acho-altamente-desagradável”.

Talvez eu goste mais dessa versão esquizo da Elsa só para encaixar ainda mais a minha leitura de “Elsa têm problemas psiquiátricos”, mas ela é melhor que a cena que tem no filme. Que é nenhuma.

Acho que os criadores de “Frozen” queriam evitar confundir os espectadores sobre quem é o personagem principal da história, que é a Anna. Mas, se esse realmente foi o caso, essa foi uma decisão infeliz, porque depressiva ou não, mais Elsa no filme só ia ajudar.

Enfim, chega de fanficar, criando cenas que não existem no filme. Vamos para a que, para mim, é a seqüência mais demonstrativa (tá certa essa expressão?) da depressão da Elsa: quando a Anna chega no castelo.

A Elsa afastar a irmã por conta de finalmente encontrar a própria liberdade não é, em absoluto, um comportamento depressivo. Acho que é até uma coisa humana, querer ficar numa situação de liberdade e rejeitar a alternativa, mesmo que a alternativa venha de uma pessoa que você ama.

Para mim, a parte que mostra a depressão da Elsa, e que é como eu fico quando estou depressivo, é quando ela descobre que o reino congelou e faz aquela cara de “nada do que eu faço dá certo, só sirvo mesmo para arruinar a vida dos outros”. Essa é a hora que vemos que ela não conseguiu se libertar completamente, e que ela ainda tem um senso de responsabilidade (e afeto) por Arendelle.

De qualquer maneira, o que acontece em seguida é muito significativo, pois é um certo resumo de como eu encaro a minha relação com algumas das pessoas mais próximas a mim: elas estendendo a mão, tentando me ajudar, e eu machucando elas.

Acho que foi nessa hora que eu realmente fiquei fascinado com o filme, pois me identifiquei muito com a situação da Elsa. A Anna querendo ajudar e tudo o que a Elsa pensava era “ninguém pode me ajudar, eu só arruino tudo, quero que tudo suma”, ferindo a irmã e em seguida criando um modo de afastar as pessoas (o Marshmallow). Não sei explicar, mas foi muito o apogeu do filme para mim.

E, como todo bom apogeu, em seguida temos a queda.

Depois dessa cena, o filme meio que se perdeu um pouco, na minha opinião. Acho que o primeiro motivo são os ewoks, quero dizer, os trolls.

A seqüência toda da Anna visitando os trolls e a música de como o Kristoff é um partidão me cansou profundamente. Não sei porque, mas cansou. Achei que foi “explicação demais”. Sim, nós já entendemos que o Kristoff vai ficar com a Anna. Por mim, agilizava o processo e conversava logo com o PTPUPTDE para avançar a história. Mas acho que eles queriam vender brinquedos dos trolls.

E temos o ataque à Elsa em seguida. Sinceramente, não tenho muito o que dizer sobre ela. Basicamente, a história precisava da Elsa de volta ao reino, então a história levou a Elsa de volta ao reino. E não estou criticando, só analisando pragmaticamente.

Na verdade, uma observação que eu tenho é que me pareceu que o duque de Weselton e seus capangas foram criados unicamente para essa cena, e mesmo assim eles não são tão necessários assim. Ok, criaram uma ceninha de ação com a Elsa lutando com eles para gerar a cena dela ameaçando matar eles, mas essa cena podia ser de “n” outras maneiras, talvez com a Elsa ameaçando o próprio príncipe Hans ou os guardinhas que o acompanham. Afinal, ela está passando por muito stress nessa hora, não ia ser estranho ela estar tremendamente reativa e, ao se sentir ameaçada, acabasse perdendo um pouco as estribeiras com todo mundo, levando à fala que queriam que o príncipe falasse: “Não se torne o monstro que temem que você é”. Mas acho que precisavam de um “vilão escancarado” para despistar do “vilão surpresa”.

Falando no vilão surpresa, temos então a grande revelação de que o príncipe Hans estava enganando a Anna, que ele é o verdadeiro vilão da história e etc e tal, assim como o Kristoff e a Anna entendendo os próprios sentimentos. Ou seja, o outro tema da história, o “não tenha pressa de se apaixonar”.

E também temos o desenrolar final da história da Elsa, com ela fugindo da prisão e sendo perseguida pelo príncipe mau, com ele culpando ela pela morte da irmã.

Essa hora foi tensa. Faz o “Noooooooooo” do Darth Vader ainda mais patético e ralo, deu pra ver bem a Elsa desmoronando.

Aí chegamos na resolução de tudo, onde o amor entre irmãs, um amor tão verdadeiro quanto o de amantes (costurando os dois temas do filme), salva o dia, com a Anna se sacrificando pela Elsa.

Ok, aqui eu tenho outra reclamação. É óbvio que eu tenho uma reclamação.

O “amor” resolveu tudo rápido demais.

Sim, o “amor” é lindo e é o Deus ex Machina mais comum da história, mas que foi meio “thbpbpthpt” em “Frozen”, foi.

E aqui temos Calvin, re-encenando o final de “Frozen” 

A minha reclamação, vejam bem, não é que o amor resolveu tudo. Mas sim que ele resolveu tudo rápido demais. Faltou um pouco de Hollywood, eu achei. Um pouco mais da Elsa e a Anna de mãos dadas enquanto a Elsa resolvia tudo, sei lá.

Basicamente, eu queria que ficasse mais meloso. E com um pouco mais de Anna. O que é muito estranho, sendo que eu passei esse texto inteiro babando em cima da Elsa. Aliás, o propósito original deste post era falar de como a Elsa é um personagem mais interessante que a Anna, mas mudei de idéia no processo.

Mas acho que isso tem a ver, em grande parte, com a minha projeção na história toda e a visão que eu tenho de depressão em geral, não só da minha.

Eu acho que não é o tipo de coisa que a pessoa só descobre o amor e melhora. Eu acho que é o tipo de coisa onde a pessoa perceber que as pessoas que ela ama e estão ao lado dela vão ficar do lado dela é um passo para ela melhorar. É um processo que vai aos poucos, com altos e baixos no caminho.

Nesse sentido, podemos considerar esse um “alto” da Elsa, mas ainda assim, queria que a mensagem fosse mais completa, mostrando mais como a Anna vai estar do lado da Elsa quando ela precisar. É isso que eu quero dizer com “faltou Anna” no final, e que eu achei que o filme morreu na praia. Se tivesse uma troca de olhar mais profunda, ou mesmo uma certa cara receosa por parte da Elsa seguido da Anna segurando a mão dela, eu já me dava por satisfeito. Mas, do jeito que ficou, achei que deu a sensação de que a Elsa simplesmente se tocou que “ei, amor existe!” e consertou tudo. E depressão não é tão simples assim.

Só que, como já falei, “Frozen” não é uma história sobre depressão. Eu só fiquei projetando tudo. Essa minha última reclamação nada mais é que o fato de “Frozen” não ser exatamente a história que minha cabeça estava criando e ser “só” a história que resolveram contar, e é uma boa história.

Mas talvez isso que torne uma história boa: as pessoas conseguirem se relacionar com ela de diversas maneiras e em diversos níveis. Falem o que quiser da Disney, mas eles conseguem fazer esse tipo de boa história.

Ok, nem sempre.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Sem Assunto


Olá. Feliz ano novo.

Fazem quase seis meses que eu não atualizo esta merda. Que vergonha. Devia ter deixado quieto e desistido. Mas, como eu sou brasileiro, eu não desisto nunca.

AHAHAHAHAHAHAHA.

"Não desiste nun… HAHAHAHAHAHAHA, puta merda, que hilário."

Pronto, acho que eu estava precisando dar umas risadas.

Enfim. Este blog. Sei lá, depois de uns dois meses sem atualizar, fiquei tentando forçar assunto, e não conseguia escrever nada. Daí desisti. Tentei de novo outras vezes, mas não rolava assunto.

Ou melhor, até apareciam assuntos, mas eu não conseguia ver propósito em escrever nada. Começava a me auto-boicotar e desistia.

Mas, sei lá porquê, hoje, dia primeiro de janeiro de 2014, uma e trinta da madrugada, me deu vontade de escrever. Pro blog.

Que eu não tenha parado de escrever, fiquei vivendo uma mentira deslavada onde eu escrevia algo. Um livro.

AHAHAHAHAHAHAHA.

"Ei, não é tão engraçado assim. Podem parar. Por favor."

Pronto, podem parar de rir também.

Não vou mais tocar neste assunto até segunda ordem. Vamos fingir que é que nem o verdadeiro Seymour Skinner, ok? Ok.

Enfim, chega de manha e mimimi (piada do link não é idéia minha, estou me apropriando, obrigado autor-original-desta-piada-você-sabe-quem-você-é). Vamos ao assunto deste post.

Que, por mais que ele se chame “Sem Assunto”, ele tem um assunto sim.

Ou melhor, vários. Basicamente, vou escrever tudo o que me vier na telha, celebrando a virada de ano e lembrando este ano que se vai. Vamos lá:

  • Este ano tem copa. Estarei torcendo de verdade para uma final Brasil x Argentina, com a Argentina campeã. Continuarei torcendo, em seguida, para que surja uma revolta tão grande na população que os protestos decorrentes desse desastre consigam destruir um dos maiores símbolos de corrupção e coronelismo do Brasil, a CBF. Se bem que, no fundo, o principal motivo é pela piada. Que ia ser hilário. Argentina campeã. No Brasil. Não fica melhor que isso.

  • Ainda falando de futebol, vocês sabiam que a maior torcida “específica” de futebol do Brasil é “Nenhum”? Sério. Explicando melhor: Se considerarmos a torcida de cada clube do país, separadamente, e considerarmos as pessoas que não têm time como uma torcida, a maior torcida do Brasil é “Nenhum”. Vou extrapolar um pouco e afirmar que a maior torcida de futebol do Brasil é "Não gosto de futebol". Desde que eu descobri isso tenho pensado em criar uma coisa chamada “Não Gosto De Futebol Clube”, que seria o time para as pessoas que não gostam de futebol dizerem que torcem. Imagino que seria o pastafarianismo do futebol, se é que vocês me entendem. Uma piada-crítica.

Logo que eu criei em meia hora. Cinco minutos pesquisando vetores prontos, cinco montando eles no Illustrator e vinte me martirizando por não saber medir o nível certo de breguice necessária. Se alguém com mais capacidade quiser fazer um melhor, por favor, vá em frente.

  • Ainda sobre esportes, não sei explicar porquê, mas ver as notícias sobre o Schumacher em sites ““““““sérios”””””” como o UOL chamando ele de Schumi me dá vontade de chutar o monitor. Soa como se estivessem tratando ele como uma aidoru, a Schumi-chan.

Bons pesadelos para vocês também.

  • Mudando de assunto, uma coisa que todo final de ano eu fico retardadamente obcecado e profundamente irritado e é algo completamente estúpido são as listas de “melhores games do ano”. Eu até consigo entender, num nível racional, que é só a opinião de um grupo de ““““““““““jornalistas”””””””””” de games que trampa num site qualquer, mas ainda assim eu me irrito com certas escolhas. Ou certos jogos que deixaram de ser escolhidos. Normalmente é a segunda opção. O pior é que, muitas vezes, eu começo a torcer para jogos que eu nem joguei. Por exemplo: “The Last of Us”. É o jogo não-Nintendo que eu estou, sinceramente, torcendo para ganhar todos os prêmios, a não ser que seja para perder para Super Mario 3D World ou The Legend of Zelda: A Link Between Worlds. Só que eu não joguei TLoU (mas joguei Mario e Zelda, obviamente). Ele sequer é o tipo de jogo que me atrai muito. Sei lá, acho que se leva a sério demais, e é muito marrom e cinza. Nesse sentido, acho até que eu devia torcer para “Bioshock Infinite” (outro que não joguei), já que ele tem alguma paleta de cores. Só que TLoU é uma série nova, que assumiu certos riscos e tem uma proposta que consigo admirar num jogo. Só por isso, torço para ele. Ou para “The Stanley Parable”. Ou “Papers, Please”. Outros que não joguei.

  • Tendo dito isto sobre Mario, Zelda e TLoU, o melhor jogo que eu joguei neste ano que se passou foi “Fire Emblem: Awakening”. Ele é muito “o jogo feito para o Vitor”. Estratégia de turno com elementos de RPG e onde é possível casar com os personagens e criar relacionamentos entre eles? E ainda por cima o jogo não se leva a sério, tendo diálogos leves e bem-humorados, mas trabalhando as relações dos personagens de tal modo que cria episódios altamente emotivos? Melhor jogo de todos os tempos.

  • Depois de falar de um jogo que gostei para caralho, um que me decepcionou horrores: “Tales of Xillia”. Como já falei antes, uma das minhas séries de games favoritas da vida é Tales. E “Tales of Xillia” tem tudo o que eu gosto na série: combate em tempo real, gráficos cel-shading imitando anime, personagens tontos porém adoráveis e uma história apocalíptica exagerada, épica e absurda. Só que tem um enormantesco problemaço: a história da Milla. Seguinte: alguém teve a fantástica (sem sarcasmo) idéia de fazer um Tales com dois personagens principais (o Jude e a Milla) e permitir ao jogador escolher qual ponto de vista ele quer seguir na história. Fantástico. Brilhante. Porém, alguém esqueceu de ESCREVER A PORRA DA HISTÓRIA DE MODO A FAZER COM QUE OS DOIS PONTOS DE VISTA FUNCIONASSEM DIREITO. O que eu quero dizer com isso é que eles escreveram a história pensando no Jude e depois ficaram inventando adendos e apêndices para costurar uma pseudo-história para a Milla. Tanto é assim que um personagem secundário morre e você, pobre jogador que resolveu escolher jogar sendo a Milla, só descobre isso ATRAVÉS DE UM RECORDATÓRIO. Sendo que tem a cena da morte de tal personagem na história do Jude. E adivinhem com quem resolvi jogar? Exato. Logo, toda vez que acontecia alguma coisa na história que era muito descaradamente um tipo de tapa-buraco para fazê-la funcionar do ponto de vista da Milla, eu ficava irritado. O que foi, mais ou menos, 87% do tempo.

  • Continuando com coisas que me decepcionaram, concluí que o filme que mais desgostei em 2013 foi mesmo “Man of Steel”. Já falei sobre isso, mas devo acrescentar que pensei mais de uma vez em expandir o que escrevi com mais críticas (o começo, em Krypton, ao contrário do que eu falei, não é bom. É uma bosta). Nossa, como esse filme é lamentável. Num ano que teve (e eu assisti) “A Good Day to Die Hard” e “Star Trek: Into the Darkness”, eu encontrar algo pior é uma proeza. Parabéns, “Man of Steel”.

  • Se bem que eu não vi “After Earth”. Acho que mesmo eu tenho um mínimo de senso de auto-preservação.

  • Tendo dito isto, o meu filme favorito do ano, foi, disparado, “Pacific Rim”. Robôs gigantes lutando com monstros gigantes. Minha criança interior chorou de emoção o filme inteiro. E, antes de me julgarem, lembrem-se que eu gosto de coisas que não se levam a sério. E meu filme favorito da vida é “Wayne’s World”.

  • Ainda lembrando este ano que se foi, voltei a assistir anime, e tenho uma recomendação: “Kill la Kill”. Da mesma “escola” que “FLCL” e “Gurren Lagann”. É espetacularmente sensacional. E, como não podia deixar de ser, não se leva a sério.

  • Saindo um pouco de assuntos nerds e indo para um dos últimos assunto que tratei neste blog antes do meu hiato, uma coisa que têm me irritado desde o início dos protestos: o termo “coxinha”. Não faz sentido. Não. Faz. O. Menor. Sentido. Para começo de conversa: é uma comida popular. Se ainda quisessem chamar a elite conservadora de “caviar” ou “foie-gras” ou ainda “escalopinhos de vitela wagyu ao molho de cogumelos silvestres com vinho rosé e salpicados de ervas finas”, tudo bem, mas “coxinha”? Vai se foder. E sim, eu pesquisei a origem (afinal, como é difícil procurar as coisas no Google), e dentre as várias que encontrei (aparentemente não há um consenso) a mais repetida origina ela do termo “vale-coxinha” usado por policiais (e professores públicos) para designar o vale-refeição que recebiam do governo. Ou seja, era algo para simbolizar a miséria do trabalhador brasileiro. Enfim, com o tempo, o apelido de “coxinha” pegou nos policiais, já que eles, teoricamente, só se alimentavam de coxinha. Com os seus vale-coxinha. E, como a elite intelectual esquerdista brasileira é muito esperta, ela afiliou o apelido dos policiais ao conservadorismo direitista. Por que isso faz sentido, aparentemente. Lição de casa do dia: refletir sobre o papel da polícia (tanto o teórico quanto o que ela realmente exerce no Brasil) e se ela necessariamente representa a “direita”. Valendo ponto no boletim.

E assim, eu aqui nomeio pessoas de esquerda de "brioches", porque contexto histórico que se foda.

  • Já que estamos falando de coisas sérias e política e etc e tal, este ano tem eleição. Provavelmente vou dizer para mim mesmo que vale a pena estudar os candidatos e fazer um voto consciente, provavelmente vou desistir no meio do caminho e votar em qualquer coisa mesmo. Na verdade, acho que minha maior curiosidade é ver o quanto o desempenho do Brasil na copa vai influenciar a campanha dos políticos. Quero acreditar que somos melhores que isso, mas não duvido que apareçam comerciais como “Dilma trouxe o hexa” no caso de vitória e “Dilma humilhou o futebol brasileiro” no caso de derrota.

Pronto, acho que está bom. Fechei um círculo, voltando a falar da copa. E também tô cansado e agora realmente acabou o assunto. Quero ir dormir.

Bom ano pra vocês.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Cidadão Kent

Oi. Depois de assuntos sérios, voltemos às nerdices.

O assunto de hoje é o filme novo do Superman, “Man of Steel”. Se você não viu ainda, vou contar uma série de detalhes da história, então se você não gosta de spoilers, o Superman na verdade é o Clark Kent e você deve parar de ler agora.

Muito bem, vamos falar do filme.

Eu gostei do filme. Menos do que eu achei que ia gostar, mas me diverti bastante. Fui com uma expectativa meio alta também, e isso sempre estraga as coisas. Mas gostei do filme.

Quando saí do cinema.

Agora que já passou algum tempo e estou digerindo a experiência toda, estou começando a ficar incomodado com uma série de coisas. Na verdade, tiveram algumas coisas que me incomodaram ainda no cinema, mas que agora estão crescendo sem parar e me irritando.

Mas vamos por partes. Minha proposta, neste post, é recontar a história do filme do meu jeito. Sim, eu, este grande fã do Superman que nunca leu nenhuma HQ dele e que só viu aproximadamente metade dos episódios da série animada da Warner. Sem contar toda a minha credencial como escritor/roteirista, com todos os meus um fanzine de sucesso e o glorioso e aclamado prêmio de roteiro de mangá da AnimeFriends 2003 (ou 2004, não lembro e não me importo).

E aqui é onde ficaria algum prêmio decente para minhas capacidades literárias... Se eu tivesse algum

Em outras palavras,o blog é meu e eu escrevo o que eu quero e foda-se.

Muito bem, vamos do começo.

O começo é bom e eu deixava do jeito que está.

Por “começo”, estou falando da coisa toda em Krypton, com o Jor-El, a Lara e o Zod, contando o nascimento do Kal e o fim do planeta. Por mim, tá perfeito, deixa do jeito que está, até a parte que mostra a cápsula espacial chegando na Terra.

Daí temos o que eu chamo de “segundo ato”, que é a vida do Clark na Terra até a chegada do Zod. A partir daqui que eu mudaria as coisas. E faria o seguinte: ao invés de acompanharmos ele, como está no filme, eu deixaria a Lois conduzir a história.

Começaríamos com a Lois chegando no Canadá para reportar sobre a nave que encontraram debaixo do gelo. Acompanharíamos ela naquela coisa toda dela ver o Clark indo para o meio do nada durante a noite, com ela entrando no túnel no gelo e etc, mas sem mostrar o que ele está fazendo em momento algum. Ela seria atacada pelo robozitos de segurança e coisa e tal, o Clark aparece pra salvá-la e cauterizar o ferimento dela. Veríamos a nave indo embora e a Lois sendo encontrada.

Seqüência seguinte, ela discutindo com o Perry White Morpheus sobre a matéria, ela “vazando” a história e sendo afastada do Planeta Diário. Aí começava o que estou chamando de “Cidadão Kent”.

Para quem não viu “Cidadão Kane”, e não vou criticar quem não viu, a história gira em torno do repórter Jerry Thompson explorando a vida do milionário Charles Foster Kane, tentando descobrir porque sua última palavra foi “rosebud” antes de morrer (spoiler: é o apelido do pênis dele). E acompanhamos a vida de Kane através das diversas entrevistas que Thompson conduz com as pessoas que se envolveram com o milionário. Em outras palavras, flashbacks. Minha descrição não faz jus ao filme, quem tem saco de ver filme em PB eu recomendo, que é realmente bom.

E para quem não tem saco de ver filme em PB, vai largar a mão de ser idiota que muitos dos melhores filmes da história são em PB.

Enfim, voltando ao Superman. Uma das críticas que mais vi sobre o filme foram os flashbacks, que seriam excessivos e desconectados com o que acontece no “presente”, dando uma impressão meio aleatória para eles. Devo dizer que não me incomodei tanto com eles, mas concordo que poderiam ter sido melhor trabalhados.

Como?

Sendo narrados pelas pessoas que a Lois foi descobrindo ao investigar o cara com poderes mágicos que a salvou dentro da nave debaixo do gelo.

Funcionaria que nem “Cidadão Kane”, com ela encontrando e entrevistando uma pessoa, que narraria o episódio muito louco em que sua vida foi salva (ou seu caminhão foi destruído) pelo moreno smexy de peito peludo. Veríamos a trajetória do Clark em retrospectiva, até chegar na Martha, a mãe dele. Nesse momento poderíamos ter a história da morte do pai terráqueo (Jonathan) e, em seguida, a cena do cemitério, em que ela finalmente se reencontra com Clark, que contaria do dia que o pai revelou que ele é um alienígena.

Sim, eu sei que, do jeito que os flashbacks estão, eles não encaixariam perfeitamente nessa minha proposta, mas a idéia seria adaptar de acordo com a necessidade. E acho que assim fica uma coisa mais interessante, onde vamos criando essa imagem do Super sem vermos ele efetivamente. É como se recríassemos o Clark na nossa cabeça, fugindo de tudo o que já sabemos dele.

E tem uma coisa que eu “forçaria” nesse ato, que é demonstrar que “Superman não mata”. Conforme vou falar mais pra frente, acho importante construir essa idéia desde já.

Enfim, aí terminaria o ato “Cidadão Kent”. Na verdade, até esticaria mais um pouco, até a parte da Lois falando com o Perry White Morpheus que ela desistiu da história.

Só que ficou faltando uma seqüência: o Clark aprendendo o seu passado na nave com o Jor-El.

Antes de eu encaixar ela na minha versão do filme, tem duas coisas que me incomodaram profundamente nessa seqüência.

A primeira é a Lara-El não aparecer. Eu realmente acho uma certa puta sacanagem só o Jor-El ficar aparecendo como holograma-consciente-resolvedor-de-buraco-no-plot. Eu entendo o argumento “o Russel Crowe é mais caro, temos que aproveitar a grana que pagamos e fazer ele aparecer e falar bastante”, mas eu realmente acho estúpido não aparecer o holograma da Lara e o Clark/Kal NÃO PERGUNTAR SOBRE A MÃE NÃO ESTAR LÁ.

Até poderia ter a desculpa que naquele pen-drive kryptoniano não cabia a consciência dela, mas não cola: ficou uma coisa machista. Talvez Krypton seja mesmo só uma sociedade uber-patriarcal de merda.

A outra coisa que me deixou profundamente irritado foi a parte do discurso do Jor-El onde ele fala “você representa a liberdade de escolha, sem um futuro pré-definido” e em seguida diz “por isso sua missão é salvar e guiar as pessoas deste planetinha”.



Muitas memórias desagradáveis de familiares falando coisas como “faça a faculdade que quiser, desde que seja engenharia ou medicina”.

Jor-El, em nome de todo filho/filha que ouviu algum tipo de variação do seu discursinho hipócrita, vai tomar bem no meio do olho do seu cu.

O que eu faria ele dizer ao invés disso? Acho que ficaria só na questão do “você representa a libertação do povo de Krypton dos seus erros” e não falaria nada sobre missão nem porra nenhuma. O Clark/Kal perguntaria sobre o porquê de estar na Terra e Jor-El e Lara respondem “isso é você quem decide e constrói”.

Fica clichê melosinho e com um certo ar de chantagem emocional passivo-agressiva onde eles estão dando a entender que “se você escolher o caminho errado, vamos ficar profundamente decepcionados”? Fica, mas acho menos irritante que a versão hipócrita que tá lá.

Corrigido o que me incomoda nessa seqüência, falta encaixar ela na minha estrutura do filme. Eu a transformaria em outro flashback (quietos, não discutam), que ele contaria na sala de interrogação para a Lois, depois da ameaça em escala global do Zod e depois dele ter se entregado para o exército. Do jeito como a história está indo, funciona. Acho.

“Mas ele não pode contar para os militares sobre o planeta dele.”

Não vejo porque não, pra dizer a verdade. Até porque ele estaria contando para a Lois, que ele sabe que acredita nele. Ah, ele contaria também sobre aprender a voar, que eu gosto bastante dessa seqüência, é um dos momentos que mais me identifiquei com o Superman, já que eu provavelmente faria as mesmas caras de felicidade divertida que ele.

Agora que terminamos com o passado do Clark e ele virou oficialmente o Superman, podemos resolver o resto do filme, o ato final, que é a chegada e a treta com o Zod (sim, o Zod já chegou, mas deixem estar).

No geral, gosto de como o Zod é retratado no filme, assim como as tretas do Superman com ele, a Faora e o “camiseta vermelha”. E eu gosto da coisa da atmosfera terrestre versus a atmosfera kryptoniana, apesar de ter visto algumas pessoas (acho que umas duas) reclamarem disso. Eu prefiro isso que kryptonita. De uma maneira meio tonta, faz mais sentido que “esta pedra verde/preta/rosa/furta-cor de Krypton”. Espero que não tirem kryptonita do cu no próximo filme, a fraqueza dele tem que ser o Batman e fim.

Só que, como não podia deixar de ser, tem algumas coisas que me incomodaram. Profundamente.

A primeira: por que eles levaram a Lois para a nave?

Não lembro da explicação dada no filme. Se alguém se lembra, por favor me ilumine, talvez até tenha sido algo muito válido e que faça todo o sentido do mundo.

Mas, no momento, não consigo pensar em nenhuma explicação lógica o bastante para ela ter sido levada pra lá.

Para ser uma refém e chantagearem o Super? Bem, então eles realmente não sabem usar uma refém, pois não me lembro de ninguém apontando uma arma na cabeça da Lois exigindo informação dele. Sem contar que eles tinham sete bilhões de reféns, não precisavam da Lois na nave - eles dão a entender que podem matar todos os humanos desde que chegam na Terra, bastaria seguir o exemplo do Grand Moff Tarkin.

Tudo o que eu vi acontecer foi eles assistirem o Superman passar mal e prenderem ele, COMO ELES ESPERAVAM QUE FOSSE ACONTECER. Ou seja, se eles sabiam que, no mínimo, Kal ia perder os poderes na nave, não ia ser difícil prum bando de soldados kryptonianos prenderem ele, o que tiraria a necessidade de ter uma refém. Na nave.

Ok, então ela não era uma refém. Existe outra explicação possível para terem levado ela: extrair as informações que eles queriam dela (no caso, o local da cápsula com que Kal-El chegou na Terra), caso não conseguissem com ele.

Bem, eles demonstraram que possuem uma tecnologia capaz de invadir e ler a mente de qualquer um. E não tinha como eles terem certeza de que ela saberia onde estava a cápsula. Mas eles tinham certeza mais que absoluta que Kal saberia. Tipo, sem a menor sombra de dúvida. Logo, não precisavam da Lois lá, pois eles conseguiriam a informação com o Kal de qualquer jeito.

No final das contas, o verdadeiro motivo da Lois estar na nave é: “nós, roteiristas, precisamos fazer com que o Superman consiga escapar” e ela era a solução mais próxima, além de servir pra ela ser mais “útil” que uma mocinha em perigo esperando o príncipe pra salvá-la. Nada contra essa parte dela ser mais “útil”, acho muito válido, mas preferia que os roteiristas tivessem se esforçado um pouco mais para justificar a ida dela à nave.

O problema é que não tenho nenhuma alternativa melhor. Podia ser o clássico “ela quis ir e encheu tanto o saco que a Faora levou ela junto”, mas essa é uma alternativa pior, que ia fazer todo mundo (tanto os personagens do filme quanto o público) ficar meio de saco cheio com a Lois. Outra possibilidade é a Terra (subentenda: os EUA) ter preparado uma comitivazinha pra ir na nave como embaixadores da Terra (América) e a Lois conseguiu sei lá como ser a representante da mídia da Terra (Iú És Ei! Iú És Ei! Iú És Ei!). Só que essa também é ruim, já que ninguém em sã consciência iria preparar embaixadores depois de ter recebido uma ameaça de extermínio.

No final, por mais que eu queira manter a importância da Lois como parte da solução (ou seja, ela ajudando o Super a fugir), acho que o melhor seria o Superman ter conseguido fugir “sozinho”, com a ajuda do pai-holograma e a mãe-holograma, e a Lois nunca ter ido pra nave. Sei lá, ele enfiou o pen-drive do pai, que estaria escondido, numa das diversas entradas USB da nave.

Enfim, segunda coisa que me incomodou, e que, novamente, não me lembro com todos os detalhes e posso estar falando do cu: o fato do Zod ter levado a nave “última esperança de Krypton” para a treta, o que, em última estância, colaborou para o Superman ter destruído ela.

Acho que essa é bem auto-explicativa: se aquela nave era tão importante, por que caralho levar ela pro meio da merdaiada?

Aí que entra em cena minhas memórias fabricadas do filme e eu precisaria de mais gente me corrigindo (a pessoa com quem vi o filme me disse que estou lembrando errado, mas queria ter mais gente apontando o dedo na minha cara e falando que estou enganado) ou confirmando o que eu lembro: o Zod foi com outra nave até a Nave Jesus, logo ele podia simplesmente ter largado a Nave Maomé lá na neve e ter ido com a outra nave até a treta, mantendo a Nave Luke Skywalker a salvo.

Só que eu posso estar errado e, na verdade, ele foi de carona pra lá e ficou de voltar com a nave Frodo mesmo. Aí não tinha muito o que fazer. A não ser, por exemplo, ter estacionado a Nave Harry Potter perto de Metropolis e ter ido saltitando pra treta.

Ou, quem sabe, ter deixado pra ir pegar a Nave Siddhartha depois que tudo estivesse 100% garantido e salvo. Acho até que essa teria sido a melhor solução, principalmente para criar o dilema para o Clark/Kal se ele ressuscita ou não os kryptonianos.

Mas era importante para a luta final deixar o Zod sem ter nada a perder, então eu entendo os roteiristas terem destruído a Nave Acabaram Os Salvadores Do Meu Repertório E Não Estou A Fim De Pesquisar Mais. Mas que pareceu uma péssima decisão do Zod, pareceu.

E, assim, chegamos à terceira coisa que me incomodou nesse ato final, e que foi o que mais me irritou no filme inteiro: a seqüência da Grand Central Station.

A parte que o Superman mata o Zod.

Muito bem.

Caralho.

Como eu me irritei com essa parte.

Comecemos com o motivo mais banal possível: milhões de pessoas já tinham morrido até aquela parte do filme, por que caralhacete aqueles transeuntes tontos que não sabem fugir duma cidade sendo destruída seriam tão importantes assim?

Sério, o Super não percebeu que eles arrasaram a cidade inteira enquanto lutavam, não? Acho até que era para ter umas manchas de sangue alheio nas roupas deles, ou mesmo um membro arrancado de alguém que foi explodido quando um dos dois saiu voando dentro de um prédio.

Como sou um fresco, não tive muita coragem de procurar imagens de "membros decepados ensangüentados" no Google, por isso desenhei alguns. Só que depois de dez minutos, cansei, e deixei só esses. Me deixem em paz.

Ou seja, que bosta, heim, Superman? Saiu destruindo tudo e agora que você fica preocupadinho que uns quatro ou cinco inocentes vão morrer?

Na verdade, o problema não é bem pesar a vida de poucos contra a vida de milhões (apesar de que é exatamente isso que eu fiz nos parágrafos anteriores), mas sim que faltou “drama” nessa cena. Faltou impacto cinematográfico-emocional. Ou seja, pelo menos pra mim, ficou uma coisa meio “sério que você matou o Zod só por isso?”

Voltando ao que eu falei lá na parte do “Cidadão Kent”: do jeito que o filme está, acho que não foi bem passada a idéia de que “Superman não mata”. Por causa disso, imagino que quem não conhece essa faceta dele, não entende direito o porque dele ter sofrido tanto ao matar o Zod, o que tira boa parte do peso emocional dessa seqüência.

A outra coisa é que temos (ou eu tive, pelo menos) a sensação que o Superman só sofreu com a morte do Zod, e não percebeu todas as outras milhões de mortes que aconteceram, em certo grau, por causa dele.

Faltou o Super ter olhado em volta, visto o rebosteio que ele causou na cidade lutando com o Zod (ou mesmo ter percebido todas as mortes que foram causadas pelo Zod antes da treta ter começado) e isso ter pesado ainda mais na consciência dele para matar o cara, e não só os transeuntes tontos sendo ameaçados.

E, por fim, temos os transeuntes tontos.

Sim, é moralmente discutível pesar a morte de milhões contra a morte de quatro/cinco pessoas, mas eu realmente acho que poderia ter sido algo mais exagerado, como o Zod ameaçando derrubar mais alguns prédios com a visão de calor. Ou uma usina nuclear, sei lá.

Só que ameaçar algumas estruturas de concreto não causa tanto impacto emocional quanto ameaçar pessoas de carne e osso com olhares de desespero e choro para a câmera captar, então vale mais a pena ameaçar os tais transeuntes tontos.

Mas aí eu sinto que foi desperdiçada uma chance de ouro de terem “hollywoodizado” ao máximo essa parte.

Estou falando do Zod ter ameaçado um pai com o seu filho, e ter tido aquela troca de olhares entre o Super e a criança, deixando a coisa bem melosa pra caralho, com o pai em tal posição que percebemos que ele está disposto a dar a vida pelo filho.

Sério, como foi que não fizeram essa cena assim?

Hollywood, tem hora que você me decepciona.

E, quanto mais penso em todo o potencial perdido dessa seqüência, principalmente no sentido de não ter sido trabalhada a coisa toda do “Superman não mata” e o apelo emocional de “pais estão sempre dispostos a dar a vida pelos filhos”, fico irritado. Pra cacete.

No fundo, repensando o filme inteiro, a sensação que eu tenho é de “potencial desperdiçado”. Poderíamos ter tido um filme mais interessante, com um Superman mais humanizado e uma narrativa mais trabalhada. Mas parece que quiseram cortar uns caminhos e fazer do jeito mais fácil.

E eu também tenho plena consciência que a minha versão da história não é tão melhor assim, até por ser um tipo de “salada tonal”, onde o ritmo da narrativa muda demais de um ato para outro.

Só que, como um bom nerd, tenho que reclamar e inventar minha versão da história e acreditar que ela é melhor que a que está lá. Afinal, isso é algo que nerds fazem, não é mesmo?

sábado, 30 de março de 2013

Da necessidade de salvar putaria

Meu HD morreu outro dia. Sem nenhuma salvação, de acordo com o pessoal da assistência técnica.

Caso queiram saber, invadi um velório só pra tirar esta foto. E enterrar o HD perdido.

Não sei o quanto confio no diagnóstico deles, mas não é como se eu tivesse escolha. O problema é que eu fiquei meio nóia depois da história de chantagem que aconteceu com o Penn, onde o pessoal da assistência técnica do note dele ameaçou ele de publicar “fotos indecentes” caso ele não pagasse o que pediam (isso que ele já apareceu pelado na TV) (nota sobre o link: ele contou essa história num dos podcasts dele, acho que peguei o episódio certo, não tenho certeza).

Mas não estou aqui para falar de funcionários inescrupulosos de assistências técnicas, mas dos arquivos que eu perdi. Mais especificamente, os quinze gigas de putaria que eu tinha salvo.

Quinze gigas é pouco, até. Teve época que minha coleção chegava perto dos oitenta. E imagino que muita gente tenha mais de um tera de putaria.

Isso que eu nem salvo muitos vídeos, a maior parte da minha coleção sempre foi hentai. Um puta monte de mangá de putaria - sim, eu me masturbo pra desenhinhos.

Se bem que não tenho culpa que algumas são desenhadas assim.

Só que fazem alguns anos que eu tenho deixado de salvar putaria. Comecei a “ler” online os hentais, assim como vejo vídeos em streaming. A não ser que seja um mangá de mais de 100 páginas ou um vídeo de mais de meia hora, eu vejo online ao invés de baixar e salvar. E o mangá ou o vídeo em questão tem que ser muito bom ou muito divertido para eu querer manter.

Mas ainda assim eu tinha uma coleçãozinha de putaria no meu mac (sim, eu conspurco meus produtos Apple com iPorn), e ela se perdeu para sempre com a morte o meu HD.

Só que nem uma lágrima foi derramada por essa perda.

Fiquei surpreso comigo mesmo. Nem liguei de perder a putaria toda. A maior parte das coisas não-putaria importantes eu tinha backup, então nem estressei, mas eu sempre fiz questão de NÃO fazer backup de putaria. Sei lá, me sentia muito loser de fazer isso.

Ou eu sempre soube, no fundo, o pensamento que eu materializei com a perda desse HD: não é mais necessário salvar putaria.

Sério, pra quê eu vou gastar espaço do meu HD com putaria? Deixem os milhares de servidores ao redor do mundo cuidar disso, eu acesso a putaria “on demand”.

O único problema disso é que, se acabar a luz ou der pau na internet, não tem como acessar a putaria. Na época da putaria analógica, sua coleção de revistas estava sempre disponível, não importa a situação. O mesmo não vale para a putaria digital - tanto que você perde tudo quando o HD morre.

Então, talvez, quem sabe, eu faça uma pastinha chamada “putaria de emergência” para quando estiver sem internet. Quando acabar a luz, sei lá, eu tento usar a imaginação ou ainda, quem sabe, faço o esforço hercúleo de me abster de putaria por mais de três horas (meu recorde são onze horas, vinte e dois minutos e quarenta e quatro segundos - fiquei tão desesperado que apelei depois para o Deviantart).

Ou foda-se.

Hora de encararmos a verdade.

Os tempos mudaram. Não precisamos mais salvar ou guardar putaria.

Porque a internet nos dá tanta, mas tanta putaria “on demand”, e dos mais diversos tipos e gostos, que não faz o menor sentido salvar qualquer coisa.

Afinal de contas, se tem algo que a ciência nos mostrou, é que nós enjoamos do mesmo tipo de putaria o tempo inteiro. É por isso que começamos com a Playboy e terminamos no “Blind Albine Egyptians Facializing Blonde Dwarves From Liechenstein 6: Special On Ice Edition”. Então, por que caralho salvar qualquer putaria? Vamos enjoar dela mesmo, e ela só vai ficar lá ocupando espaço do HD, até o dia que ele morre e perdemos ela.

Portanto, da próxima vez que estiver admirando suas pastas de putaria, pense se realmente vale a pena torrar o espaço do HD com isso. Guarda aqueles vídeos que têm um lugar especial no seu coração, como o “Dirty Sluts Synchronized Fucking Olympics - Atlanta 1996 Edition” (primeiro vídeo com mais de cinco minutos que você conseguiu baixar no Kazaa, quando ainda tinha internet discada), aqueles que te fazem rir, como o “The Simpsons - a XXX Parody” e, principalmente, aquele que “sempre funciona”, para dias que a internet não está muito inspirada (o fato de existirem certas putarias com essa classificação devia ser analisado como exemplo de comportamento monogâmico na raça humana - ou eu sou o único que tem isso?) e o resto que se foda.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Morcegos, aranhas e lidando com o que não funciona na HQ


Olá.

Voltei.

Nem pergunta.

Enfim. Vamos ao que interessa.

Vi The Dark Knight Rises. E gostei pra caralho. Muito bom pra cacete. Sensacional. Espetacular. Se você não viu, vá ver, ou leia os gloriosos spoilers que vou pôr neste post.

Não gostei mais que The Dark Knight, mas gostei muito, e de um jeito diferente.

No caso do The Dark Knight (de agora em diante chamado de Segundo), eu fui com uma espectativa razoavelmente alta e o filme deixou minhas expectativas no chinelo. Foi tipo uma corrida entre o Rubinho e [insira qualquer outro corredor de Fórmula 1 aqui]. O Coringa deu um puta show e eu realmente fiquei impressionado com a história, toda séria e tensa e etc. Enfim, não estou a fim de continuar babando ovo para o Segundo, mas ele fez o feito de superar minhas já altas expectativas, coisa muito rara de acontecer - já que eu possuo um olhar muito crítico e tenho a tendência a julgar profundamente cada detalhe dos filmes que assisto.

Como vocês percebem por aquele que considero o filme mais importante da minha vida.

Agora, no caso do The Dark Knight Rises (de agora em diante chamado de Terceiro), eu fui com uma expectativa bem baixa. Fui esperando um filme meh, algo próximo a Spider-man 3, mas um pouquinho melhor. E nem é por causa da sina do terceiro filme de super-herói (como visto em Aranha 3 e X-Men 3 - agora que estou pensando nisso, Motoqueiro Fantasma 3 vai ser um marco cultural lembrado por gerações, quando resolverem fazer), mas por causa da escolha do vilão.

Vejam bem, eu não gosto do Bane.

Eu realmente não gosto do Bane.

Eu odeio o Bane.

E não é porque ele quebrou a espinha do Batman nos quadrinhos ou coisa parecida. Aliás, eu sequer acompanho Batman nas HQs - li The Dark Knight Returns e tenho o Year One me esperando na estante, mas nunca li Batman pra valer. Meu principal contato com o Batman foi através da série animada de 1992 (20 anos atrás, estou me sentindo muito velho agora).

O meu problema com o Bane é que ele sempre me pareceu um exagero estúpido de moleque empolgado. Um personagem tonto criado por alguém de 13 anos de idade querendo maximizar a testosterona dele, querendo provar alguma coisa para alguém, ou inventando um poder novo toda vez que alguém apontava alguma fraqueza dele.

Tipo o processo criativo que gerou o Shadow e o Poochie.

Não, mas é sério. Ler a descrição dele na Wikipedia é um exercício de paciência com a mente púbere. Vou tentar resumir: forte como um elefante com esteróides, inteligente como o Stephen Hawking, fator de cura, memória fotográfica, fala seis línguas diferentes, é um mestre de disfarces, estrategista nível “jogador coreano de Starcraft”, criou um estilo próprio de arte marcial chamado “Derrota-Batman-Fu”, além de um de meditação e um de malhação e ainda consegue recitar as obras completas de Sheakspeare enquanto ganha uma corrida da Nascar num monociclo sob uma chuva de balas de uma minigun (como visto em Batman #738). E, nesse novo reboot, vão consertar o que faltava, tornando ele intangível, voador, imortal, psíquico, jogador profissional da NFL, rock star e capaz de se alimentar de qualquer fonte de carbono e cagar diamantes depois. Sem contar que em cada quadro que ele aparece tem uma gostosa diferente dando um boquete nele.

Sério, pensar no Bane me dá vontade de ver Sex & the City, de tanta testosterona burra acumulada num único personagem.

Deviam fazer um crossover dos dois, agora que estou pensando.

Isso que nem cheguei no pior de tudo, que é o motivo pelo qual ele não gosta do Batman: pesadelos com morcegos quando ele era criança. Sério.

Enfim, voltando ao Terceiro: eu acreditava que não importava o que o Nolan ou o Tom Hardy fizessem, não tinha como tornar esse personagem minimamente bom.

Mas…

MAS.

Eles conseguiram.

Caralho, não consigo acreditar nisso até agora.

Eles conseguiram fazer com que esse persongem ridículo, tonto, estúpido, babaca, vazio, desnecessário, retardado, patético e Jar Jar Bínkico ficasse fodão.

Ficou fodão ao ponto de que, quando é revelado que ele é só um brutamontes apaixonado seguindo o plano da mulher, fiquei decepcionado. Não por ele estar seguindo ordens de uma mulher, vejam bem, mas por não ter sido tudo idéia dele. Queria que ele fosse mesmo um estrategista nível “jogador coreano de Starcraft”, mas tive que me contentar com apenas “muito inteligente”.

E, quanto mais penso nisso, mais chego à conclusão que ele me pareceu fodão por terem jogado fora um puta monte de coisa das HQs, aliado a uma certa magia cinematográfica.

Primeiro, o que foi jogado fora.

Comecemos pelo químico com o nome mais original da história dos quadrinhos, o Veneno (Venom, no original). É a bomba que ele toma pelos tubinhos da máscara que deixam ele ainda mais forte. Trocaram por algo que, por mais que tenha seus problemas naquilo que chamamos de “mundo real”, é melhor que toda a baboseira do Veneno: Analgésicos. Pain-killers. Ou, como ia ser muito legal se tivessem os cojones para falar, Vicodin.

Pra quem não pegou a referência anterior. Do Vicodin. É o analgésico do House. Eu quis dizer que ia ser legal se o Bane fosse viciado no mesmo analgésico do House. Vicodin.

Basicamente, ele sentia dor o tempo inteiro por causa de uma doença degenerativa do puta monte de porrada que ele levou [Correção: viajei na maionese aqui, não sei daonde tirei essa história de doença] e o remédio não apenas aliviava a dor, como fazia com que ele ficasse mais resistente aos golpes do Batman, já que, bem, ele NÃO SENTE DOR.

Outra coisa que ajudou muito foi o fato de fazerem ele ter sido treinado pelo mesmo mestre do Batman. Precisa inventar o “Derrota-Batman-Fu”? Ser um exemplo grego clássico de preparo físico e muscular? Inventar que ele ficava puxando ferro enquanto tirava PhD em Astrofísica Teórica? NÃO. Por que ele consegue lutar pau-a-pau com o Batman? Porque ele passou pelo mesmo treinamento que o Batman. Ponto.

Quanto à questão dele ser inteligente, a questão toda se resume a “ele é inteligente”. Não é um Stephen Hawking ou um Neil deGrasse Tyson ou um Beakman. Ele é inteligente o bastante para liderar um grupo de terroristas e seguir um plano direito. Ele sabe falar Klingon? Não. Ele precisa falar Klingon? NÃO.

Enfim, jogaram fora um monte de lixo e mantiveram o mínimo necessário: um cara forte o bastante para enfrentar o Batman com um plano bom o bastante para estar sempre um passo à frente do Batman.

Que é, no fundo, a essência do personagem, ou o aparente propósito pelo qual criaram ele: alguém que desafiasse o Batman em dois níveis: físico e intelectual.

E, agora, aquilo que realmente fez TODA a diferença, a magia cinematográfica que realmente salvou e engrandeceu o Bane: a voz dele.

Você olha pro Spawn-Mucha-Lucha dos quadrinhos, e você imagina um cara com a voz do Homer ou do Patrick. Você olha pro cara do filme, você imagina uma voz meio Schuarza, ou ainda meio Stallonesca. Mas aí seus ouvidos são agraciados que aquele sotaque britânico smexy…

Pronto.

Você sabe que ele é bom. Você sabe que ele tem o completo controle da situação. Você sabe que ele é alguém que merece ser seguido numa operação terrorista.

Sério, não sei quem decidiu fazer essa coisa fria, calculista e britânica, se foi o Tom Hardy ou o Nolan, mas eles merecem um abraço. Que, se você tinha alguma dúvida que esse vilão conseguiria enfrentar o Batman, bem, agora você não tem mais nenhuma. E não é por causa da quantidade de veias saltadas nos braços dele, ou a quantidade de pêlos em torno dos mamilos dele, ou ainda por causa das citações da teoria das supercordas em aramaico. É porque ele é gente que faz - e que mostra que sabe o que está fazendo.

Engraçado, pois é o oposto dos dois vilões do Segundo, onde um é o caos e o outro deixa as decisões para a sorte e o acaso.

Resumindo: um filme bom baseado em uma HQ não é aquele que faz a HQ ao pé da letra, mas aquele que sabe jogar fora tudo que é ruim na HQ e contar sua própria história, mas sem desrespeitar o material original.

No caso do Bane, não havia muito o que respeitar mesmo, então foda-se.

Até tinha uma molecada de trinta anos fã de Batman na minha sessão reclamando da origem do Bane no filme, durante os créditos. Deu vontade de mostrar que o Bane da HQ é só uma resposta desesperada da DC ao sucesso do Spawn e do Venom (tirei isso do cu, não pesquisei mais que as datas de lançamento, podem me criticar à vontade) e que a origem lixo dele nos quadrinhos que vá a merda. Se a questão são personagens com medinho de morcego, prefiro o Panthro.

Enfim, depois de toda essa lambeção pra cima do Bane, vem agora minha outra crítica a algo relacionado a filmes de super-herói baseado em HQs.

Spider-man.

Mais especificamente, vamos falar de algo que eu abomino no universo do Spider-man: o atirador de teias.

Eu ODEIO o conceito do atirador de teias.

Consegue me irritar tanto quanto o Bane.

Mas é algo muito mais difícil de criticar, uma vez que existe desde a origem do personagem, nos idos de 1962. O Bane, por sua vez, é lixo dos anos 90, muitos fãs mais antigos e puristas do Batman também odeiam aquela aberração. Mas falar mal do atirador de teia é tipo questionar o incesto na bíblia - sempre esteve lá, você vai é irritar muita gente.

Se bem que eu estou no meu blog, então foda-se. Até porque, ao contrário de Batman que eu li um pouco, eu não li NADA do Spider-man, então vamos para a minha hipocrisia nível um milhão, já que eu não tenho tanta propriedade para falar mal do atirador de teia além do filme, do desenho animado dos anos 90 e o que eu pesquisei nas internets e perguntei para fãs do Aranha que eu conheço.

Seguinte: o atirador de teia é uma coisa muito estúpida. Diegeticamente estúpida.

Não é uma coisa estúpida enquanto um aparato de um herói fictício numa história voltada, a princípio, para crianças. Nesse sentido, é algo absolutamente brilhante. Ele permite a premissa de que, para você ser “quase” que nem o Spider-man, basta ter os atiradores de teia. Oficiais, da Hasbro. Ou seja , é algo extremamente “brinquedável”, como a capa do Superman, o escudo do Capitão América ou o anel do Lanterna Verde.

QUASE que nem o Spider-man. Quase.

Mas, indo além do ponto de vista capitalista do mundo real, ele ajuda com a fantasia de ser um super-herói - coisa que todos nós queremos ser. Se eu tivesse um atirador de teia, ia ser uma pessoa mais feliz. Não ia usar pra me balançar de prédio em prédio ou lutar contra o crime, mas usaria, e muito, para calar a boca e os celulares de gente escrota no cinema/ônibus/metrô. Iria usar pra lutar contra gente bosta.

Tendo dito isto, ele é um elemento muito burro dentro do universo do Aranha.

Não estou questionando ele conseguir construir o negócio, já que isso é importante para mostrar que o Parker é inteligente e consegue construir coisas (não que não existam outras duzentas mil formas de mostrar o mesmo), estou questionando o químico que (dependendo da versão) ele criou para as teias.

Sim, meu problema é o fluído de teia. E não é pelo paralelo que ele faz com esperma (como visto naquela famosa capa da Mary Jane coberta de fluído de teia). Minha birra com o negócio é que ele gera dois grandes problemas para o Aranha, a meu ver.

O primeiro, é que ele é “rastro”. Digamos que, basicamente, qualquer um (vilão, herói ou J. J. Jameson) consegue descobrir quem é o Spider-man por causa do fluído de teia. Nem estou pensando no caminho de teias à lá "João e Maria" que ele larga por NY, estou falando de conseguir uma amostra, analisar os químicos e observar quem compra altas quantidades disso. Pronto, você achou o Peter. The end.

O segundo, e muito mais importante, é a questão de que ele torna o Spider-man “comum”. A partir do momento que alguém consegue uma amostra do fluído de teia, é possível fazer a “engenharia reversa” (reverse engineering, não sei se existia o termo em português, mas agora existe) e replicar a torto e direito o fluído. Podemos ter Spider-cops, Spider-Thieves, Spider-Girl-Scouts e Spider-Playboy-Bunnies (alguém talentoso desenha esse último pra mim, por favor).

Ok, vamos dizer que é preciso o “senso-aranha” pra poder usar corretamente a teia e não sair se arrebentando pelos prédios. Mas, só com o fluído, podemos fazer, digamos, armas não-letais para as forças policiais do mundo. Ou uma versão médica para fechar ferimentos em emergências. Ou ainda uns estilingues muito loucos.

Mas tudo bem, só porque podemos fazer um puta monte de outras coisas com o fluído de teia, não quer dizer que poderia haver um outro herói que zumbeteasse por NY com a eficiência do Aranha.

Isso só quer dizer que poderíamos ter heróis MELHORES que o Aranha.

Pra começar: Iron Man. Se ele quisesse, o Tony Stark podia fazer um atirador de teia e acoplar na armadura dele. Pronto, outro herói com teias.

O Banner, também, podia fazer um atirador de teias pro Hulk. Que, obviamente, não ia ter o problema de se machucar chocando-se com prédios e afins.

O Hank Pym, esse escroto, podia se tornar o “Homem-Formiga-Só-Que-Útil”, tendo umas teiazinhas sei lá pra quê.

Ou o professor Xavier podia arranjar alguém pra fazer atiradores de teias para os X-Men. Pensa só: Wolverine com teias de aranha.

Ou Nick Fury podia ter todo mundo da SHIELD com atiradores de teias. Inclusive o Coulson. Seria o melhor personagem do universo Marvel, o Spider-Coulson.

Aqui estão eles, os Aracno-Avengers!

Tô me sentindo o criador do Bane, falando essas merdas.

Enfim, todo mundo teria uma porra dum atirador de teias. Logo, o Spider-man seria só um moleque tonto que sabe balançar por aí.

Depois de todo esse monte de ódio contra o atirador de teias, vamos ao que interessa: os “filmes de origem” do Aranha. Quem não viu The Amazing Spider-man, aí vem spoilers.

No Spider-man de 2002, do Sam Raimi (de agora em diante chamado simplesmente de o Original), eles tiveram a magnífica idéia de sumir com essa bosta e fazer com que ele simples e magicamente disparasse teias dos pulsos. The end.

Afinal de contas, se existe uma aranha geneticamente modificada que deu super-poderes para o Tobey Maguire, ela ter dado um poder a mais não é um problema para a suspensão de descrença. Funcionou.

Agora, no The Amazing Spider-man (de agora em diante chamado de o Reboot), eles resolveram manter a porra do atirador de teias.

Muito bem, antes de continuarmos, vamos voltar a falar de expectativas. Eu tinha certeza que o Reboot ia ser uma pilha de lixo. E não conseguia criar a menor vontade de ver no cinema, pelo menos não mais que “como nerd, tenho que ir, senão estaria traindo a raça”. Só na semana de estréia que fiquei mais animado pra ver, em grande parte por causa do novo Peter Parker, que parecia muito bom nos trailers e naquela aparição na San Diego Comic-con.

Mas o que mais me incomodava era a porra do retorno do atirador de teia. Nossa, como eu tinha certeza que isso ia estragar o filme.

Pois bem, depois de ver o filme, devo dizer que eu gostei bastante dele. Pelo menos, mais do que eu achava que ia gostar. E o grande responsável por isso foi…

O novo Peter Parker.

Esse Andrew Garfield mandou muito bem. Mas não estou aqui para falar dele.

Estou aqui para falar que a porra do atirador de teia não ajudou em merda alguma. Não foi o que estragou o filme (esse mérito vai para o design do Lagarto), mas fodeu forte com a minha suspensão de descrença.

Querem saber como?

Assim:

No Reboot, a criação do químico não é responsabilidade do Peter, provavelmente por que devem ter pensado algo como “acho que o público vai questionar um moleque desses ter inventado o fluído de teia”. Então, deixaram a honra para o pai dele. Mas quem que produz em massa o fluído para nosso amigo da vizinhança?

A OSCORP.

Essa mera CORPORAÇÃO MULTINACIONAL BILHARDÁRIA. Que poderia facilmente fazer (se é que já não faz, sendo essa CORPORAÇÃO MULTINACIONAL BILHARDÁRIA e coisa e tal) um tipo de assinatura química para todos as encomendas de fluído e assim chegar no Aranha no dia seguinte que começam a aparecer bandidos presos em teias.

Sem contar a questão daonde está vindo a grana pra comprar essa porra (porra - fluído de teia - viram o que eu fiz aqui?).

Enfim, eu fiquei pensando nisso assim que apareceu o primeiro pacotinho de fluído na casa dele. Provavelmente vai ser o plot do filme novo com o Duende Verde.

Mas, ei, pelo menos ele voltou a ter o atirador de teias. Ficou mais parecido com a HQ.

De fato. E FICOU PIOR.

CARALHO.

Mesmo que não fosse algo que já é tonto nas HQs, nem sempre é bom trazer um coisa completamente intocada dos quadrinhos para o cinema. Às vezes é importante alguém parar e falar: “sabe, isso não é bom para o filme, vamos limar isso”.

Por isso que tiraram os uniformes da maior parte dos X-Men. Não ia dar pra levar a sério o Hugh Jackman com uniforme amarelo.

Caso alguém queira contestar.

Ah, e antes que alguém me venha com o glorioso e altamente acéfalo argumento de que “então, seguindo sua lógica, o filme do Spirit ou da Liga Extraordinária são bons, já que limaram um monte de coisas para o filme”, vamos falar o seguinte:

Estou falando de ALGUNS elementos. ALGUNS. Não tudo. Que é o que aconteceu nesses filmes. E em outros. Basicamente, só pegaram os nomes dos personagens e fizeram outra coisa, outra história.

O importante é, ao fazer uma adaptação, saber pegar a essência de cada elemento, ou melhor, de cada personagem e de cada evento da história, e então trabalhar a melhor versão da história para a nova mídia que você está adaptando a história.

Qual que é a premissa do Bane, no fundo? Um vilão que compete tanto intelectualmente quanto fisicamente com o Batman. Aliás, um vilão que supera ele.

E é isso que o Nolan e o Hardy fizeram. Aliás, acrescentemos a Thalia Al’Ghul (Marion Cotillard) nessa conta, já que boa parte do plano foi dela.

E qual é a premissa do atirador de teia? Um modo do Spider-man lançar teias e balançar de lá pra cá. Ou seja, NÃO É UM PERSONAGEM. NÃO É UM EVENTO DA HISTÓRIA. O personagem em questão, o Aranha, tá lá. O Aranha não é menos Aranha só porque ele magicamente solta teias automaticamente dos pulsos no Original. Ele é menos Aranha lá porque agora comparamos o Tobey com o Andrew e ficamos espantados de como chegamos a aceitar ele como Peter Parker.

Enfim, tá na hora de acabar com este post, resumindo tudo.

O importante é o propósito do elemento na história. Se você precisa de um vilão que supere o Batman, não deixe a criação nas mãos de um moleque de treze anos que você achou num fliperama em 1992. Se você precisa de um modo para Aranha soltar teias e balançar de prédio em prédio, não crie um ponto sem nó que TODOS precisam ignorar para que o universo funcione.

É tipo a história do cara que nasceu com um pênis no meio da testa. Todo mundo em volta dele fingia que não tinha nada lá, mas tinha. E isso fazia com que ele se sentisse um bosta. Até o momento que ele conseguiu encontrar sua essência e fazer carreira em filmes pornô.

Ou sei lá.

Alguém pensa em outra metáfora, que eu cansei.